Capítulo 1

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Estava no escritório de meu pai, observando-o em silêncio.

Meu dia havia sido muito apático e solitário, principalmente ao ver o estado que meu pai, o rei de Eldrava, se encontrava. 

Mapas estavam espalhados pela mesa, alguns amassados, outros marcados com tinta recente. Regiões do reino vinham sendo atacadas há semanas — vilarejos queimados, fronteiras fragilizadas — e ainda assim... não era apenas preocupação que pesava sobre ele.

Havia algo mais.

Culpa.

A preocupação ainda ardia em meu peito. Ele havia retornado naquela tarde de uma viagem ao sul, e eu esperei — tola — que seus olhos me trouxessem alguma resposta quando o vi atravessar o estábulo.

Mas não havia nada ali.

Nada além de vazio.

Percebi isso ainda durante o jantar, quando ele mal tocou na comida. Agora, afundado entre estratégias e decisões, parecia menor do que jamais o vi.

Nem sequer notou quando abri a porta.

— Pai! — chamei.

Ele nem sequer reagiu.

Franzi o cenho e me aproximei mais alguns passos.

— Pai... — tentei outra vez.

Dessa vez, ele me olhou, como se só então percebesse minha presença.

— Eve... há quanto tempo está aí? — perguntou, a surpresa não alcançando os olhos vazios.

— Tempo suficiente pra saber que o senhor não está nada bem.

Dei a volta na mesa, me apoiando na madeira ao lado dele, tentando capturar seu olhar.

— O que está acontecendo?

Ele me encarou por um instante. Havia algo pesado ali... algo que fez meu peito apertar sem aviso.

Então desviou para os mapas.

— Me perdoe, filha.

Antes que eu pudesse reagir, ele se inclinou, apoiando a cabeça em meu ombro me dando um abraço. O gesto foi tão inesperado que me deixou imóvel.

Ele sorriu — fraco, cansado — um sorriso que não chegava aos olhos. E se afastou se sentando na cadeira, o cotovelo sobre o encosto de braço e a mão sustentando o peso de sua cabeça, ele parecia derrotado.

— Me perdoe... - pensei em dize-lo que não precisava pedir perdão por não ter me nota, mas aquilo foi diferente,

_ Pai... aconteceu algo na viagem? Não conseguimos nos aliar com o povo do sul?

O olhar dele vacilou

_ Sinto muito filha, mas não consigo falar sobre isso agora... – ele me olhou – amanhã teremos um jantar com alguns convidados – suspirou – tudo bem se conversarmos depois?

Dei a ele um sorriso na esperança de tranquiliza-lo e concordei. Caminhei ate a porta de seu escritório e antes de puxar a maçaneta o olhei uma ultima vez.

_ Vamos ficar bem, pai. – ele me olhou – Te amo, tente descansar.

Por um instante, vi algo atravessar seus olhos — rápido, mas impossível de ignorar.

Tristeza.

Aquilo apertou meu peito.

Sai de seu escritório.

Não pude deixar de evitar os pensamentos corriqueiros sobre o que o fez estar tão abatido.

Caminhei de volta para meus aposentos em silêncio, perdida nos próprios pensamentos.

Anais, minha criada pessoal, já preparava meu banho. O aroma suave de lavanda escapava do banheiro, envolvendo o quarto em um conforto que eu não sabia que precisava. Sobre a cama, uma camisola de cetim em tom azul claro estava cuidadosamente disposta, ao lado de roupas leves para a noite.

Ela me lançou um olhar discreto, respeitando meu silêncio, e se retirou após um pequeno gesto de cabeça.

Despi-me sem pressa, entregando-lhe as roupas usadas antes que deixasse o cômodo.

— Precisa de algo mais, princesa?

Neguei com um leve movimento, dispensando-a.

Afundei na água quente e permaneci ali por mais tempo do que pretendia.

O calor me envolvia como um abraço, dissolvendo, pouco a pouco, a tensão que eu nem havia percebido carregar.

Ainda assim... minha mente não descansava.

Quando finalmente saí, vesti a camisola e caminhei até a janela.

O céu noturno se estendia vasto e silencioso, salpicado de estrelas. Bonito demais para um mundo à beira do caos.

Deitei-me, mantendo o olhar perdido na imensidão acima.

Em algum momento, o cansaço venceu.

Prometida ao InimigoStories to obsess over. Discover now