O som da máquina de espresso engasgando era, indiscutivelmente, a trilha sonora do fracasso pessoal de Jung Hoseok.
— Monsieur, eu pedi leite de aveia vaporizado a exatos sessenta graus, isso aqui está espumoso demais. — O cliente parisiense, vestindo um cachecol que provavelmente custava mais que o pâncreas de Hoseok, empurrou a xícara de volta pelo balcão.
Hoseok respirou fundo, contando mentalmente até dez em coreano, depois em francês, apenas para garantir. Suas panturrilhas gritavam em protesto após quatro horas de ensaios exaustivos no estúdio de dança naquela manhã, e a bolha estourada em seu calcanhar esquerdo pulsava no ritmo das batidas de seu coração cansado.
— Je suis désolé, monsieur. Vou refazer imediatamente. — Ele forçou seu melhor e mais radiante sorriso, aquele que lhe rendia boas gorjetas, mas que por dentro escondia a alma de um universitário falido.
Paris deveria ser a cidade das luzes, do romance e da arte. Para Hoseok, era a cidade dos aluguéis exorbitantes, dos banhos gelados quando o aquecedor quebrava e dos gerentes de cafeteria que o olhavam como se ele fosse um inseto peculiar. Ele havia se mudado da Coreia há três anos com o sonho de ser o primeiro bailarino de uma grande companhia europeia. A realidade? Ele era o terceiro substituto do corpo de baile em uma peça off-Broadway duvidosa e o funcionário do mês na Café de la Paix por pura necessidade de sobrevivência.
Enquanto jogava o leite caro na pia, seu celular vibrou freneticamente no bolso do avental sujo de pó de café. Era Luc, um colega bailarino e, ocasionalmente, seu companheiro de infortúnios financeiros.
Hoseok limpou as mãos no pano de prato e atendeu, se encolhendo perto da porta dos fundos.
— Luc, eu estou no meio de uma crise diplomática envolvendo espuma de aveia. Fala rápido.
— Hobi, você precisa salvar a minha vida, — a voz do outro lado soou fraca, acompanhada de um som aquoso e terrível ao fundo. — Acho que as ostras que comi ontem à noite estavam tentando se vingar.
— Eu te disse para não comer frutos do mar em promoção, Luc.
— Não me dê sermões agora! — Luc gemeu. — Escuta, eu tinha um bico para esta noite. É o evento de gala beneficente do ano. O cachê é estúpido de alto, Hobi. Estúpido.
Hoseok estreitou os olhos. "Cachê alto" no vocabulário de Luc geralmente significava dançar vestido de abelha em festas infantis. — Quão estúpido?
— Dois mil euros. Só por uma noite. Hoseok engasgou com a própria saliva. Dois mil euros pagariam seu aluguel atrasado, as contas de luz, comprariam sapatilhas novas que não estivessem remendadas com fita isolante e ainda sobraria para comer algo que não fosse macarrão instantâneo.
— Qual é a pegadinha? — Ele perguntou, a voz num sussurro tenso. — Eu tenho que assassinar alguém?
— Não! Você só tem que servir champanhe e caviar para bilionários velhos. Mas é em Mônaco.
— Mônaco?! O principado? Onde as pessoas atracam iates do tamanho do meu prédio? Luc, como eu vou para Mônaco hoje?!
— O trem de alta velocidade sai da Gare de Lyon em duas horas. O bilhete já está pago, a agência de eventos reembolsa. O smoking de garçom está no meu armário no estúdio, você tem a chave. Hobi, por favor. Se eu não mandar um substituto, eles me colocam na lista negra da agência.
Hoseok olhou para o cliente do cachecol no balcão, que batia os dedos impacientemente. Depois, pensou em sua conta bancária que atualmente exibia assustadores dezoito euros e quarenta centavos. A escolha era humilhante, porém óbvia.
— Qual é o meu nome na lista de funcionários?
— Você é o melhor, Hobi! Apenas diga que está cobrindo o Luc Morel. Te devo a minha vida! — A ligação caiu após mais um barulho estomacal suspeito.
Cinco minutos depois, Hoseok estava entregando seu avental para o gerente assustado, murmurando algo incoerente sobre uma "emergência familiar envolvendo lhamas" e correndo para o metrô.
A viagem no TGV para o sul da França foi um borrão. Hoseok passou a maior parte do tempo no banheiro minúsculo do trem, tentando desamassar a camisa branca do uniforme de Luc com um pouco de água e secando o tecido no secador de mãos. O colete preto ficou um pouco largo, mas a calça de alfaiataria caiu perfeitamente graças à sua postura de bailarino. Quando ele olhou no espelho, ajeitando a gravata borboleta, até parecia alguém que pertencia à alta sociedade, e não um cara que jantava restos de croissant velho.
Quando Hoseok desceu na estação de Monte Carlo, o ar da Riviera Francesa o atingiu. Cheirava a sal, protetor solar caro e dinheiro. Muito dinheiro.
Enquanto caminhava em direção ao local do evento — o deslumbrante Hôtel de Paris, bem ao lado do famoso Casino —, ele se sentiu como um alienígena. Mulheres cobertas de diamantes desfilavam em vestidos de alta costura, e motores esportivos roncavam mais alto do que motos de corrida de alta cilindrada pelas ruas estreitas e sinuosas que formavam o icônico circuito da cidade. Era um mundo de excessos que o deixava tonto.
Ao chegar na entrada de serviço, ele passou por uma checagem de segurança que beirava a paranoia. Seguranças com fones de ouvido e caras amarradas revistaram sua bolsa velha e conferiram sua identidade três vezes antes de lhe entregarem um crachá de "Equipe de Apoio VIP" e uma bandeja prateada polida.
— Apenas circule pelo Salão Ouro — instruiu um maître francês com um bigode impecável, empurrando uma taça de cristal nas mãos dele. — Sorria, não fale a menos que falem com você, e pelo amor de Deus, não derrube nada. Esses tapetes custam mais que a sua vida, monsieur Jung.
Hoseok engoliu em seco, agarrando a bandeja com tanta força que os nós dos seus dedos ficaram brancos.
— Sim, senhor. Servir, sorrir e calar a boca. Entendido.
Ele empurrou as pesadas portas de carvalho com o ombro, adentrando o salão principal. O brilho dos lustres de cristal refletia nas joias dos convidados e no mar de champanhe dourado. Uma banda de jazz tocava suavemente ao fundo, abafada pelas risadas refinadas de pessoas que nunca precisaram checar o saldo bancário antes de comprar um café.
Hoseok respirou fundo, endireitou os ombros de bailarino e colocou no rosto seu sorriso de "funcionário do mês".
É só uma noite, ele prometeu a si mesmo, equilibrando a bandeja enquanto desviava elegantemente de um magnata russo. Servir as bebidas, não esbarrar em ninguém, pegar o dinheiro e voltar para o meu apartamento congelante. O que de pior poderia acontecer?
Hoseok não sabia, mas o universo tinha um senso de humor muito particular. E naquele exato momento, o "pior" estava no andar de cima, vestindo um terno de Tom Ford, carregando uma Walther PPK com silenciador e ajustando a mira telescópica de um fuzil de precisão pela janela de um quarto de hotel.
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007: Ritmo Explosivo - Sope
FanfictionJung Hoseok tem três grandes problemas na vida: um aluguel atrasado em Paris, bolhas nos pés de tanto ensaiar ballet e um gerente de cafeteria que o odeia. Substituir um amigo como garçom num evento de gala para bilionários em Mônaco parecia a soluç...
