Título do capítulo

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MARIA EDUARDA (DUDA) - 19 anos, sertaneja, sonhadora.

A rodoviária de Petrolina cheirava a poeira e saudade.

DUDA segurava a bolsa com força, como se soltar significasse desistir. Aos 19 anos, ela nunca tinha saído de Pernambuco. O máximo que conhecia era a feira da cidade vizinha, pra onde ia com a mãe vender queijo e rapadura.

DONA CEMA (MÃE) - 54 anos, viúva, forte, raiz sertaneja.

- Minha fia, não esquece de rezar toda noite.

DONA CEMA tinha os olhos marejados, mas segurava o choro. Mulher do sertão não chora na despedida. Chora depois, escondido, quando ninguém vê.

DUDA
- Vou rezar, mainha. Vou passar no vestibular. Vou ser médica e volto pra buscar a senhora.

A mãe apertou a mão dela e colocou algo pequeno e embrulhado em pano.

DUDA
- O que é isso?

DONA CEMA
- Uma rosa que eu plantei no dia que você nasceu. Sequei ela no sol. É pra você lembrar de onde veio. Quando a cidade grande tentar te engolir, olha pra ela e lembra: você é forte, é do sertão. Ninguém derruba quem tem raiz.

DUDA abraçou a mãe com tanta força que parecia querer guardar aquele calor pra sempre.

O ônibus partiu 14h. Ela sentou na janela, acenou até a figura da mãe sumir no horizonte de poeira. Depois, colocou o fone de ouvido e deixou as lágrimas caírem em silêncio, enquanto a caatinga passava veloz pela janela.

Ela não sabia, mas naquele momento, uma versão dela ficava pra trás. Outra, completamente diferente, estava prestes a nascer.

O BEIJO DA ROSAStories to obsess over. Discover now