1. Supernova

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'se perguntar por mim,
espera o céu da madrugada,
tudo que começa acaba.'

-Supernova, jão

Em algum lugar do universo, uma estrela acabou de explodir, formando uma supernova.

Em algum lugar do universo, uma nova estrela surgiu.

Esse é um ciclo universal. Coisas começam e coisas acabam.

Kunikuzushi encara o asfalto abaixo de sua janela enquanto a chuva caía nele, o vento beijando seu rosto incessantemente enquanto ele estápensando em como facilmente se ele se movesse mais um pouco para frente cairia que nem um desses pingos de água.

Não era um pensamento raro. Uma hora sua vida iria acabar, então porquê estendê-la? Afinal de contas, ninguém se importaria.

Ninguém.

A primeira vez que realmente tentou tinha 14 anos, e acabou no hospital após quase ter tido uma overdose por ter tomado a maioria dos remédios da casa de Ei.

Depois, aos 17, tentou se enforcar no seu quarto. Yae Miko o achou a tempo de impedir.
Era para isso ter sido algo bom, mas ele apenas chegou em uma conclusão óbvia.

O tempo, o vento, o sol, a luz, o universo, tudo estava contra ele. Os deuses não o deixariam morrer, não importa o quanto tentava.

Agora aos 19 morava em um apartamento pequeno perto da faculdade onde ele estuda bacharelado em música. E ah, deuses, se ele não questionasse tudo que ele fazia de sua vida, seria ele realmente Kunikuzushi?

Ele dá um passo pra trás e fecha a janela. Depois dá outro passo para trás. E mais um, em pânico.

O que estava acontecendo? Seria essa a forma do universo lhe falar que não o deixaria morrer?

Que ele estava destinado a ficar preso naquele corpo que não lhe pertence, nessa casa que não lhe pertence, fazendo coisas que não lhe traziam felicidade verdadeira até o dia que os deuses se cansassem de brincar com o pobre Kunikuzushi? Ou Kabukimono, como eles provavelmente ainda o chamavam lá em cima? Porque vamos ser honestos, não importa quantas vezes alguém troque de nome, de rosto, de personalidade ou o que quer que seja, você nunca vai escapar do seu passado.

nunca.

Seu pânico continua, ele se apoia no balcão da cozinha e fecha seus olhos, se agarrando ao resto de consciência que restava, mas sentia que estava prestes a enlouquecer. Sua respiração era curta, sua visão quando abria os olhos era desfocada e suas pernas estavam bambas.

Kunikuzushi pare com isso.

Kunikuzushi, por favor...

- Kunikuzushi! Ta em casa?? - Uma voz. Uma voz que não era a voz interna de Kunikuzushi, mas sim uma voz que vinha de fora de sua porta.

E essa voz faz o jovem voltar a realidade. Kunikuzushi vira sua cabeça tão rápido pra porta que tem certeza que ouviu seu pescoço estalar. E esse barulho foi o suficiente para o garoto do lado de fora perceber que ele estava lá.

Maldito Kazuha Kaedehara e seus ouvidos sensíveis.

- Ei! Pode abrir aqui? Eu vim pra nossa sessão de estudos juntos, ta tudo bem por aí? - A voz suave de Kazuha alcança os ouvidos de Kunikuzushi novamente, e ele tem que se segurar para não gritar um palavrão naquele momento mesmo, já que o prédio não permite barulhos altos apos as 21 horas. E agora já eram 23.

Havia esquecido completamente que havia concordado em ajudar ele com uma matéria que Kunikuzushi nem se lembrava mais qual era, só sabia que era a unica aula que tinha em comum com Kazuha, um garoto que faz bacharelado em escrita criativa.

Supernova - KazuscaraStories to obsess over. Discover now