Capítulo 1: O Preço da Entrada

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A poeira de semanas na estrada grudava na minha pele como uma segunda camada de desespero. Meus pulmões ardiam, não apenas pelo cansaço, mas pelo medo constante que se tornara meu único companheiro. Atrás de mim, quilômetros de floresta infestada e cidades fantasmas. À minha frente, a razão pela qual eu ainda não tinha desistido: os muros.

 À minha frente, a razão pela qual eu ainda não tinha desistido: os muros

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Sobrevivente:Layla

Eles eram impressionantes. Uma cicatriz monumental de concreto cinzento erguendo-se contra o céu plúmbeo, desafiando a gravidade e o bom senso. Não havia janelas, apenas frestas de observação e torres de vigia. O lugar era uma fortaleza, um segredo sussurrado entre os poucos sobreviventes que restavam. Diziam que era o último reduto de civilização.

Eu parei a cem metros da grande porta de ferro, exausta demais para gritar. Meu rifle estava pendurado nas costas, vazio, um peso inútil agora. Levantei as mãos, um gesto de rendição que eu não fazia há anos. O silêncio era absoluto, mais assustador do que os gemidos lá fora.
Uma voz mecânica e distorcida ecoou de um alto-falante oculto.

"Identifique-se. Venha devagar. Sem movimentos bruscos."
Avancei, cada passo pesando uma tonelada. A porta de metal rangiu, abrindo-se apenas o suficiente para uma pessoa passar. Dois guardas saíram, com rifles em riste. Mas não foram eles que prenderam minha atenção.

Ela saiu logo atrás deles.
Seu uniforme era preto, tático, reminiscente de uma força de elite policial. A farda estava impecável, em contraste absoluto com os meus trapos. Um colete à prova de balas abraçava seu torso, e o coldre na perna parecia pronto para uso imediato. Seu cabelo estava preso em um rabo de cavalo alto e firme, e seus olhos... seus olhos eram de um âmbar intenso, afiados o suficiente para cortar aço.

 seus olhos eram de um âmbar intenso, afiados o suficiente para cortar aço

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Capitã: Maggie Wheeler

Ela andava com uma confiança predatória. Ela não estava apenas vigiando o muro; ela era o muro.

"Pare," ela ordenou. Sua voz era firme, sem espaço para negociação. Ela parou a dois metros de mim, me analisando da cabeça aos pés. Senti o peso do seu julgamento. Ela inspecionou minhas armas, minhas roupas rasgadas, o cansaço no meu rosto.

"De onde você vem?" ela perguntou, a voz ligeiramente mais suave, mas ainda autoritária.

"Do leste," eu respondi, minha voz falhando um pouco. "Estou na estrada há... eu não sei quanto tempo."

Ela arqueou uma sobrancelha. "O leste é um cemitério. Ninguém sobrevive vindo do leste sozinho."

"Eu sobrevivi," eu disse, sustentando seu olhar. Por um momento, a tensão entre nós foi palpável. Havia algo mais naqueles olhos âmbar do que apenas desconfiança militar. Um brilho de... curiosidade?

Ela deu um passo à frente, quebrando a distância de segurança. Eu podia sentir o cheiro de sabonete e pólvora que emanava dela - uma combinação estranhamente reconfortante. Ela levantou a mão, e por um segundo eu pensei que ela ia me agredir, mas ela apenas ajeitou uma mecha de cabelo que estava solta no meu rosto. O toque foi leve, quase imperceptível, mas elétrico.

"Você é durona, não é?" ela sussurrou, tão baixo que apenas eu podia ouvir. "Nós precisamos de pessoas duronas aqui."

Ela recuou e se virou para os outros guardas. "Revistem-na. Se estiver limpa, levem-na para a triagem. Ela fica comigo."

Fiquei parada enquanto os guardas me revistavam com eficiência impessoal. Ela não olhou mais para mim, focando sua atenção no horizonte sombrio além dos muros. Mas quando os guardas terminaram e começaram a me escoltar para dentro da fortaleza de concreto, eu senti o olhar dela queimar nas minhas costas.

A triagem foi um borrão de perguntas, exames médicos rápidos e desinfecção. Mas eu não conseguia tirar o rosto dela da minha cabeça. A guarda do uniforme preto.

Horas depois, fui levada para um dormitório comunitário improvisado. Eu estava exausta, mas a adrenalina ainda corria nas minhas veias. A segurança da cidade era reconfortante, mas a solidão ainda pesava. Eu estava sozinha em um lugar cheio de estranhos.

À noite, o silêncio do dormitório era interrompido apenas pelos suspiros e movimentos dos outros sobreviventes. Eu não conseguia dormir. Levantei e fui até a janela, olhando para o pátio interno da cidade. Estava escuro, apenas algumas luzes de segurança iluminavam o perímetro.

"Não consegue dormir?"

Pulei de susto. Ela estava lá, encostada na parede ao lado da janela, as sombras escondendo parte do seu rosto. Ela estava sem o colete agora, apenas com a camisa preta tática.

"Você tem o hábito de assustar as pessoas?" perguntei, tentando recuperar a compostura.

Ela sorriu, um sorriso genuíno dessa vez, que suavizou as linhas severas do seu rosto. "Só as que eu acho interessantes."

Ela se aproximou, e a tensão da manhã voltou com força total. "Eu não te peguei o nome, durona."

"É... Layla," eu respondi.

"Eu sou a Capitã Maggie," ela disse, estendendo a mão. Eu a apertei, e a mesma eletricidade de antes percorreu meu corpo. Sua mão era firme e quente.

Ela olhou ao redor, garantindo que estávamos sozinhas. "Escuta," ela disse, sua voz caindo para um sussurro conspiratório. "A vida aqui dentro é segura, mas é monótona. Regras demais, restrições demais."

Ela se inclinou mais perto, seu perfume preenchendo o espaço entre nós. "Há um pequeno grupo de nós... que gosta de quebrar as regras de vez em quando. Uma espécie de... comemoração. Longe dos olhos dos superiores."

Ela me olhou nos olhos, uma faísca de desafio neles. "Nós vamos nos reunir hoje à noite no antigo terminal de carga. No Galpão 7. Meia-noite."
Ela recuou, seu sorriso se tornando enigmático. "Se você for tão durona quanto parece, e quiser conhecer o lado... menos oficial da cidade, te vejo lá."

Sem esperar por uma resposta, ela se virou e desapareceu nas sombras, deixando-me sozinha com o coração batendo forte e uma decisão a tomar. O muro tinha me dado segurança, mas a Capitã Maggie tinha acabado de me oferecer algo muito mais perigoso: um motivo para querer ficar.

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