Não sou escritor, sou só teimoso.
Ou melancólico demais para suportar encarar meu próprio abismo sozinho sem ter que recorrer a nenhuma forma de escape.
De qualquer forma, não sou escritor.
Aprendi a pensar antes de aprender a escrever, portanto, meus pensamentos transpostos em meus textos - ainda que elaborados com trabalho árduo, ainda que me façam suar sangue de tamanho esforço - jamais serão capazes de traduzir minhas verdadeiras indagações.
Refletir é pesado,
Pensar é um fardo,
Escrever é uma saída, uma benção.
Necessidade até, eu diria.
É como traduzir o mundo de modo que meu eu dentro das masmorras da minha mente entenda o que acontece do lado de fora.
É como tomar um gole de água fresca após render-se à sede.
É uma forma de afundar-me agradecido em minhas próprias angústias sem que elas me afoguem.
É como partir enquanto se está adormecido; pacífico.
É como abraçar o que há de pior em meu ser
07.03.2026
