Capítulo Único

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São Paulo

O ano novo passou e com ele a expectativa de um ano diferente vem à tona. Todas as promessas, como: "esse ano eu paro de beber!" ou "a partir de hoje, nunca mais relo num cigarro!" seriam lindas.. Se não passassem de uma farsa.

- Dia 25 de janeiro e eu falto engolir a porra do maço. - Dizia Sandro enquanto apagava mais uma de várias bitucas no seu cinzeiro quase cheio, amassando mais um maço de cigarro vazio e o jogando no chão no meio de varios outros abandonados, quase como uma coleção culposa
- Será que a malboro não me patrocina por dó? - Pensava já cabisbaixo, pronto para voltar ao trabalho que me esperava no meu computador que praticamente me chamava na escrivaninha ao
lado, se meu celular não tivesse começado a vibrar freneticamente

- Se for a Claro, eu não atendo.- Desbloqueei a tela visando as milhares de mensagens, que teria sido melhor se realmente fosse a Claro me cobrando - Devo ter imã pra maluco, não é possível.

- Desbloqueei a tela visando as milhares de mensagens, que teria sido melhor se realmente fosse a Claro me cobrando - Devo ter imã pra maluco, não é possível

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São Paulo não podia mentir, mesmo que transparecia odiar ser incomodado, odiava mais o fato de ficar sozinho o tempo todo. E querendo ou não, Paraná como seu melhor amigo, sempre dava um jeito de tirar a bunda paulista de casa já que sabia muito bem o estado em que o amigo se encontrava - cheio de olheiras, se entupindo de cafeína, cigarro, energético, com olhos secos, trancado em seu quarto na frente do computador há dias sem dormir. A própria personificação de cansaço. - E no seu próprio aniversário, não seria diferente. Sandro não admitiria, mas gostava da sensação de ser lembrado, tanto que nem reparou quando soltou uma risadinha pro vento enquanto lia as mensagens, só se tocou quando escutou alguém - ou algo de um
metro e meio - quase quebrando sua porta.

- SANDRO ABRE ESSA PORTA! - Uma voz impossível de não reconhecer ecoava entre os corredores de seu bloco, entre batidas e gritos nada educados.
- EU VOU CRIAR RAIZ AQUI, SEU PIÁ DE BOSTA!

- PUTA QUE PARIU, LEVA A PORTA PRA CASA LOGO CARALHO! - Gritava acelerando o passo o máximo que eu pude, indo em direção a entrada de casa, até destrancar o resto de porta que sobrou.

- Quase virei estátua aqui, já 'tá pronto, bocudo? - Encarou o paulista de cima a baixo, encostado no batente da porta
- Que isso? Se fantasiou de múmia? - Paraná me encarou por um segundo esperando qualquer reação minha, tentando segurar o seu riso frouxo.

- HA HA, tá engraçadinho hoje né, Paraná? - dou um espaço para o menor passar e ele com a maior cara de pau existente já adentrava a sala com uma capivara em seus braços, como se morasse aqui desde seu nascimento.

- Meu, primeiramente, como você me chama pra sair às sete e avisa ÀS SETE? - Arqueei uma sobrancelha, já saindo para procurar nas gavetas da cozinha qualquer coisa que saia fumaça pra aliviar o estresse.

- Quê? Capaz! Da onde 'cê tirou isso? Eu mandei mensagem às SEIS horas. - Sentou no sofá cruzando as pernas, suspirando em incerteza, pegando seu celular e o desbloqueando em seguida
- A. Eu tava sem internet! deve ter sido isso, só enviou na porta do teu apartamento.. Lazarento! Nunca errou não?

A Boêmia PaulistaHistorias para obsesionarse. Descúbrelo ahora