Capitulo - 1

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A prisão de Aruba despertava antes do sol.

O cheiro de maresia misturado ao ferro oxidado invadia os corredores estreitos. Ao longe, era possível ouvir o mar batendo contra as pedras, como um lembrete cruel de liberdade.

Dentro da cela 27, María Fernández estava acordada.

Ela sempre acordava antes do sino das seis.

Sentada na cama estreita, os pés descalços tocando o chão frio, os olhos fixos na pequena janela gradeada por onde entrava uma faixa azul do amanhecer caribenho.

Vinte anos.

Vinte anos ouvindo o mesmo mar que ela conheceu como turista... e que depois se tornou testemunha da sua ruína.

Ela segurava o medalhão.

O mesmo gesto de todas as manhãs.

Maria: Bom dia, meus amores... - murmurou, fechando os olhos.

A imagem dos filhos surgia nítida demais.

Os dois mais velhos, Heitor atualmente com seus 25 anos, na época um menino doce, carinhoso, Estrela 21 anos atualmente, espuleta, agitada desde seus primeiros passos e Izabel, sua pequena Izabel, quando foi dá a luz, sua menina foi levada antes mesmo de chegar em seus braços.

Meses depois, naquela mesma ilha, levaram sua vida.

Passos ecoaram no corredor.
Não era o sino das seis.

Era mais cedo.

O som das chaves tilintando.
María não se moveu.

A voz do guarda atravessou as grades.

- Fernández.

Ela levantou o olhar lentamente.

Maria: Sim?

Ele parecia diferente. Não hostil. Não indiferente como sempre.

- Você tem visita.

María ficou imóvel.

Visita?
Ela não recebia visitas havia dezoito anos.

Maria: Deve haver algum engano.

- Não há. Está registrada. Um advogado.

O coração dela deu um único golpe forte contra o peito.

Advogado.

A última vez que ouvira essa palavra, ele prometera que a apelação sairia "em breve".

Isso fazia doze anos.

- Cinco minutos para se arrumar - disse o guarda, já se afastando.

A cela ao lado se moveu.

Vivian apareceu nas grades.

Vivian: Quem viria atrás de você depois de tanto tempo?

María permaneceu sentada.

Maria: Ou é esperança... - ela disse baixo.
- Ou é o fim definitivo.

Uma mesa de metal parafusada ao chão. Duas cadeiras. Uma câmera no canto superior.

María entrou escoltada.

E parou.

O homem que se levantou não era o advogado antigo.

Era mais jovem. Terno impecável. Pasta de couro. Olhar atento.

- Senhora Fernández?

Ela não respondeu de imediato.

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