ᴄᴀᴘɪ́ᴛᴜʟᴏ ᴜ́ɴɪᴄᴏ

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O asfalto das ruas brilhava, e o sol da manhã aquecia a cidade

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O asfalto das ruas brilhava, e o sol da manhã aquecia a cidade. Tudo ondulava com a certeza de mais um dia escaldante. Agosto estava se mostrando tão quente quanto os meteorologistas previram. O rosto de Izuku Midoriya estava coberto por uma camada de suor, agravada pelo vapor que saía das cafeteiras. A fila para seu popular carrinho de café não diminuía no verão em comparação com o inverno, pelo contrário, as pessoas optavam mais pelo café gelado do que pelo quente, então ele ainda precisava manter o café pronto.

O movimento intenso da manhã havia diminuído, restando apenas alguns transeuntes ocasionais. Ele adorava seus clientes fiéis, que geralmente trabalhavam nos inúmeros escritórios do distrito comercial. Ele os conhecia muito bem, a ponto de muitas vezes já ter seus pedidos prontos quando chegavam ao seu carrinho. Mas ele também gostava de atender os clientes ocasionais. E adorava ouvir suas histórias. Às vezes, eles lhe pediam informações, e com base nelas, ele gostava de adivinhar os motivos de estarem na região.

Onde ficava o fórum? Aquela pessoa provavelmente estava envolvida em um processo judicial.

Onde ficava o restaurante? Aquela pessoa poderia ser um cozinheiro ou garçom procurando emprego, ou talvez estivesse se encontrando com amigos para almoçar, ou conhecendo novos clientes, o que poderia levar a um empreendimento comercial de sucesso.

Apesar de adorar desvendar os mistérios das pessoas, Izuku nunca conseguiu superar sua timidez. Ali, na segurança de seu pequeno carrinho de café fechado, onde era desejado e necessário, ele podia ser extrovertido, falante e amigável. Mas fora do carrinho, a história era outra.

Em dias como esse, Izuku não atraía muitas pessoas além daquelas que frequentavam o café da manhã e o almoço. Ninguém queria estar na rua se não fosse necessário. E se as pessoas precisavam ir de um lugar para outro, geralmente faziam isso o mais rápido possível. Parar e esperar por um café e um donut do lado de fora, sob o sol escaldante, não era nada atraente.

Provavelmente não teria outro cliente por pelo menos uma hora, então fechou o carrinho para ir ao banheiro de um escritório próximo. Precisava se refrescar e tomar um banho. Ninguém queria ver um sujeito suado e desarrumado mexendo com comida e bebida.

Ele trancou o cadeado, prendendo a corrente que lacrava a porta, e caminhou em direção ao prédio. Conforme se aproximava, os sons da construção ficavam mais altos. O estrondo seco de uma britadeira e o zumbido ensurdecedor de uma escavadeira agrediam seus tímpanos, e a poeira de terra e concreto que subia o fazia semicerrar os olhos. Por mais irritante que tudo aquilo fosse, ele não pôde deixar de sentir pena dos pobres operários da construção civil que eram obrigados a trabalhar ao ar livre num dia como aquele.

Izuku chegou ao prédio e acenou para o segurança, que nunca questionou o motivo de sua presença ali. Ele havia se certificado de fazer amizade com os seguranças da maioria dos prédios da região para ter opções quando precisasse usar o banheiro. Subiu até o décimo andar, onde ficava seu banheiro favorito. Um jato de água fria no rosto foi revigorante, mas quando se olhou no espelho, ainda estava uma bagunça. Seu cabelo verde, normalmente fofo e selvagem, estava grudado na cabeça pelo suor, e a cor, que normalmente era verdejante, agora estava num tom pinho escuro. Suas bochechas estavam vermelhas como brasa, prestes a estourar, e seus olhos esmeralda estavam embaçados.

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