Há pessoas que aprendemos a esquecer.
E há aquelas que aprendemos a evitar.
Ohm nunca teve certeza em qual categoria Nanon se encaixava.
Durante anos, ele escolheu acreditar que era a primeira.
Era mais fácil.
Mais funcional.
Mais adulto.
O problema é que o corpo nunca concordou com essa versão.
Ele aprendeu isso na noite em que o viu novamente.
O evento era grande demais para permitir distrações. Luzes brancas, música baixa, vozes educadas demais para serem sinceras. Um lançamento corporativo que misturava empresários, artistas e investidores com taças de vinho e sorrisos calculados.
Ohm estava acostumado com esse ambiente agora.
Terno sob medida. Postura controlada.
Conversas estratégicas.
Ele sabia exatamente como parecer impenetrável.
Até o momento em que levantou o olhar — e encontrou o dele.
Nanon.
Do outro lado do salão.
Mais magro. Mais elegante. O cabelo mais curto.
O olhar... o mesmo.
O tempo fez o que o tempo sempre faz: suavizou as arestas externas e aprofundou as internas.
Eles não se viam há cinco anos.
Cinco anos desde a última conversa. Quatro desde o último contato indireto. Três desde que
Ohm parou de procurar o nome dele em notícias por impulso.
Dois desde que fingiu que já não importava.
Mas ali, naquele segundo exato, nenhuma dessas contagens parecia relevante.
Porque o corpo reconhece antes da mente.
E o reconhecimento é cruel.
Nanon também o viu.
Não houve surpresa explícita.
Não houve sorriso.
Houve um pequeno enrijecer do maxilar.
Um ajuste quase imperceptível na postura.
O tipo de reação que só acontece quando algo ainda significa.
Eles não atravessaram o salão imediatamente.
Adultos não fazem isso.
Adultos respiram. Continuam a conversa. Terminam a taça.
Ohm demorou exatos três minutos antes de sentir o peso da ausência dele no campo de visão.
Quando procurou de novo, Nanon já estava mais perto.
Não o suficiente para parecer intencional.
O suficiente para ser inevitável.
Foi Nanon quem falou primeiro.
— Você continua odiando eventos assim?
A voz era mais grave. Mais controlada.
Ohm demorou meio segundo para responder.
— Eu aprendi a tolerar.
Um silêncio curto se instalou entre eles.
Não desconfortável.
Denso.
Carregado de coisas não ditas.
De memórias que não precisavam de nome.
— Faz quanto tempo? — Nanon perguntou, como se não soubesse.
— Tempo suficiente.
Nanon assentiu levemente.
Era assim que funcionava entre eles.
Nunca direto demais. Nunca simples demais.
— Você está bem? — Ohm perguntou.
Pergunta neutra. Tom neutro.
Nada era neutro.
Nanon segurava a taça com firmeza calculada.
— Estou.
Outra pausa.
— E você?
Ohm sustentou o olhar.
— Estou aprendendo.
O canto da boca de Nanon quase se moveu.
Quase.
E ali estava o perigo.
Não era saudade declarada. Nem arrependimento explícito.
Era familiaridade.
O tipo que não desaparece com o tempo.
A música mudou.
Alguém chamou o nome de Nanon do outro lado do salão.
O mundo exigia que eles voltassem às versões funcionais de si mesmos.
— A gente se vê por aí — Nanon disse.
Não era promessa. Nem despedida definitiva.
Era a frase mais segura possível.
Ohm assentiu.
— Por aí.
Eles se afastaram em direções opostas.
Mas algo havia mudado no ar.
Porque alguns amores não terminam quando as pessoas se separam.
Eles apenas aprendem a existir em silêncio.
E o silêncio, às vezes, é o que mais ecoa.
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Between What We Were
FanfictionOhm e Nanon se apaixonaram cedo demais. No ensino médio, eram inseparáveis - dois adolescentes orgulhosos, intensos e completamente apaixonados. Mas quando o futuro começou a bater à porta, o medo falou mais alto que o amor. Eles terminaram antes me...
