𝑂𝑖𝑒 𝑚𝑒𝑢𝑠 𝑎𝑚𝑜𝑟𝑒𝑠, 𝑚𝑎𝑠 𝑢𝑚 𝑓𝑖𝑐 𝑓𝑟𝑒𝑠𝑞𝑢𝑖𝑛ℎ𝑎 𝑝𝑎𝑟𝑎 𝑣𝑜𝑐𝑒̂𝑠. 𝐴𝑝𝑟𝑜𝑣𝑒𝑖𝑡𝐴𝑀
Phuwin P. O. V
O silêncio de Aethelgard nunca foi vazio; ele sempre foi preenchido pelo som abafado das minhas próprias certezas. Aqui, entre as paredes de pedra fria que viram séculos de linhagens reais subirem e caírem, eu aprendi que a compostura é a única armadura que realmente importa. Se você mantém a coluna reta, o queixo erguido e os olhos calmos, o mundo acredita que você está no controle. E eu precisava estar no controle.
Eu estava sentado na poltrona de veludo azul-marinho perto da janela leste do nosso novo alojamento. O sol de final de tarde filtrava-se pelos vitrais, desenhando padrões coloridos sobre o piso de mármore.
Ao meu lado, o quarto - ou melhor, a suíte monumental que dividiríamos - parecia vasto demais..
Dunk estava parado em frente ao espelho de moldura dourada, ajustando pela décima vez o punho da sua camisa de seda branca. Ele tinha essa mania de perfeição que espelhava a minha, mas com uma leveza que eu às vezes invejava.
- Eles estão atrasados - Dunk comentou, sem tirar os olhos do reflexo. - O mestre de cerimônias disse que a delegação do Leste cruzaria os portões às quatro. Já são quatro e quinze.
- Príncipes não se atrasam, Dunk. Eles fazem entradas - William respondeu do canto oposto, onde testava as cordas do seu violino.
O som agudo e melancólico da nota lá ecoou pelo teto alto, vibrando no meu peito de um jeito desconfortável.
- Ou eles estão apenas tentando marcar território antes mesmo de desmantearem - Fourth completou, jogado em uma das camas, girando uma adaga de treino entre os dedos com uma habilidade que contradizia sua aparência mais jovem.
Eu não disse nada. Eu raramente dizia algo quando meu interior estava em ebulição. Por fora, eu era o Príncipe Phuwin, a definição de "slim" e aristocrático, o herdeiro que nunca suava sob o linho caro. Mas, por dentro, eu sentia um aperto estranho desde que acordei. Uma sensação de déjà vu que eu não conseguia localizar.
Minha mente viajou, como sempre fazia nos momentos de tédio ou pressão, para aquele jardim de rosas brancas.
O cheiro de terra molhada, o som de uma risada rouca e aquele par de mãos que, embora pequenas na época, pareciam ser o único lugar seguro no mundo. Meu "ursinho". Alguém que o tempo e a política levaram de mim antes que eu pudesse sequer entender o que era amizade. Ou algo mais.
Um estrondo vindo do corredor me trouxe de volta. O som de botas pesadas e conversas altas.
Diferente do que os protocolos de Aethelgard sugeriam, não houve um duelo de egos quando as portas se abriram. O que houve foi uma mudança imediata na temperatura do quarto.
Dunk, que sempre foi o mais diplomático de nós, foi o primeiro a descruzar os braços e abrir um sorriso contido, mas genuíno.
- Finalmente - disse Dunk, caminhando em direção a Joong. - Estávamos começando a achar que o Reino do Sul tinha se perdido no caminho das montanhas.
Joong soltou uma risada sonora, uma vibração que parecia preencher os cantos vazios do quarto. Ele estendeu a mão para Dunk, mas em vez de um aperto formal, ele segurou a mão de Dunk por um segundo a mais, os olhos fixos nos dele com uma intensidade que me fez arquear a sobrancelha.
- Digamos que o caminho é longo, mas a vista ao chegar compensa qualquer cansaço - Joong respondeu, e a voz dele tinha um tom aveludado que fez Dunk desviar o olhar por um breve instante, algo raro para o meu amigo tão seguro de si.
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O Trono de Vidro
RomancePondphuwin + Joongdunk + Williamest + Geminifourth. Em Aethelgard, a academia de elite para os herdeiros dos quatro reinos, o poder e a lealdade caminham lado a lado com segredos perigosos. Pond e Phuwin reencontram um amor de infância selado pelo...
