Transe em Preto e Branco

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Todo dia tenho um transe.
Fico parado,
olhando pro nada,
como se o nada me olhasse de volta.

Penso se vale a pena continuar existindo,
se esse peso invisível tem sentido,
se a existência é mesmo um presente
ou só um costume que a gente aceita.

Reflito em silêncio
sobre esse mundo egoísta,
onde a sociedade dança
conforme a música de quem manipula.
Todos os dias,
como peças num teatro
que ninguém admite estar encenando.

Tudo parece tão ruim.
Ser otimista é escalar o céu
com as mãos nuas.

As cores se foram -
ficou tudo em preto e branco,
como se a vida tivesse perdido o filtro,
como se a graça tivesse evaporado
no ar pesado das decepções.

Mas ainda assim
há um detalhe quase invisível:
se você consegue enxergar o preto e o branco,
ainda existe contraste.

E onde há contraste,
ainda há possibilidade de cor.

Mesmo que agora
ela esteja escondida.

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