Prólogo

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No meio da Idade Média, em um reino esquecido pelos mapas e pelos reis, existia um vilarejo escondido entre colinas e bosques antigos. Poucos viajantes passavam por ali, e os que passavam quase nunca ficavam. Ainda assim, no coração desse vilarejo, havia uma taverna.

Era uma construção simples, feita de madeira escura e pedras irregulares, sempre aquecida pelo fogo da lareira e pelo cheiro constante de pão, sopa e hidromel. Ali, desde muito jovem, vivia Elin, uma menina de doze anos.

Elin tinha os cabelos cacheados, de um tom entre o ruivo e o castanho, quase sempre presos com um pedaço de pano quando estava trabalhando. Seus dias eram preenchidos por tarefas repetidas: limpar mesas, varrer o chão, servir canecas, ajudar na cozinha quando era preciso. Fazia de tudo um pouco, como se a taverna fosse uma extensão natural de si mesma.

Mas o que Elin mais gostava não era do trabalho.

O que ela mais gostava era de escutar.

Os aventureiros quase nunca falavam com ela. Quando entravam na taverna, conversavam entre si ou com o taverneiro, discutindo rotas, perigos, recompensas e lugares distantes. Elin passava por perto em silêncio, limpando mesas, recolhendo pratos, fingindo não ouvir — mas ouvia tudo. Cada detalhe ficava guardado em sua memória.

Essas são algumas das histórias que Elin ouviu enquanto trabalhava.

No fim do dia, como sempre fazia, Elin deixava a taverna e seguia para a praça central do vilarejo. O céu já começava a escurecer, e uma pequena fogueira iluminava o espaço entre as casas. Ali, meninos e meninas — alguns ainda muito pequenos, outros um pouco maiores — a aguardavam sentados no chão, com os olhos atentos.

Aquilo a alegrava.


Crônicas da TavernaHistorias para obsesionarse. Descúbrelo ahora