Não foi falta de amor

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Deixar ir dói mais quando você ainda ama.
(pausa curta)
Não quando o sentimento acaba...
(respiração)
mas quando ele permanece inteiro
mesmo depois de tudo ter ruído.

(pausa)

Dói quando você solta alguém
que ainda é escolha no seu peito.
(pausa curta)
Quando a razão tenta ir embora...
(respiração)
mas o amor fica —
sentado no mesmo lugar,
olhando pra porta
como se ela fosse abrir.

(silêncio — 2 segundos)

Eu não só te amei.
(pausa)
Eu me abandonei por você.

(respiração lenta)

Fui ficando menor pra não te perder.
Me adaptando ao espaço que você me dava.
(pausa)
Aceitando silêncios, ausências e migalhas
como se fossem provas de amor.

(pausa longa)

Eu esperei.
(pausa curta)
Esperei sinais que não vieram.
Esperei respostas que nunca chegaram.
(respiração falhando)
Esperei enquanto você se afastava com calma...
e eu me desesperava em silêncio.

(pausa)

Chamei de paciência
o que já era medo
de ficar sem você.

(silêncio — 2 segundos)

Eu lutei até não me reconhecer mais.
(pausa)
E quando a força acabou, lutei com esperança.
(pausa curta)
E quando a esperança falhou...
lutei com dor.

(respiração)

Mas amor nenhum sobrevive
quando só um sangra
pra manter tudo vivo.

(pausa longa)

Chega um ponto em que continuar
não é esperança —
(pausa)
é autodestruição.

(respiração pesada)

E soltar...
(pausa curta)
não é liberdade.
(silêncio)
Soltar é amputação.

(silêncio — 3 segundos)

Porque deixar você ir
não foi perder alguém.
(pausa)
Foi perder o futuro
que eu já tinha vivido por dentro.

(respiração)

As conversas que nunca aconteceram.
Os planos que já moravam em mim
como se fossem reais.

(pausa)

Você era meu lar.
(respiração profunda)
E agora eu moro em mim
como quem perdeu a casa num incêndio:
tudo ecoa...
tudo dói...
nada acolhe.

(silêncio)

Eu aprendi que amor não se implora.
(pausa)
Mas implorei em silêncio.

Aprendi que amor não se força.
(pausa)
Mas me forcei a acreditar.

Aprendi que amor não se negocia.
(respiração)
Mas negociei minha paz,
minha dignidade,
minha calma...
(pausa)
e perdi tudo.

(pausa longa)

Hoje eu te deixo ir.
(pausa)
Não porque eu consegui...
(respiração)
mas porque ficar
significaria me apagar por completo.

(silêncio — 2 segundos)

Mesmo assim...
(pausa curta)
você não foi embora de mim.

Você ficou nos lugares.
Nas músicas.
No silêncio.

(respiração)

Ficou nas noites
em que o corpo deita...
e a mente implora
pra voltar no tempo.

(pausa)

Você ficou em mim.

(silêncio — 3 segundos)

Seis meses se passaram...
(respiração)
e eu continuo no mesmo dia.
No mesmo instante.
Na mesma dor
que não cicatriza
porque nunca foi fechada.

(pausa)

Enquanto você seguiu...
(voz baixa)
eu congelei.

(silêncio)

Minha felicidade não se perdeu.
(pausa)
Ela foi sequestrada
pela ideia de você.

(respiração)

E eu esperei.
Esperei por um sinal...
uma palavra...
um milagre tardio.

(pausa)

Esperei mesmo sabendo
que esperar
estava me matando aos poucos.

(silêncio — 2 segundos)

E ainda assim...
(respiração profunda)
eu te amo.

(pausa curta)

Te amo cansado.
Te amo machucado.
Te amo em silêncio.

(pausa)

Te amo sem retorno.
Sem promessa.
Sem garantia.

(respiração)

Te amo mesmo entendendo
que talvez você não volte.
Te amo mesmo quando tento seguir...
e meu coração insiste
em te procurar em tudo.

(pausa longa)

O mais cruel
não é a sua ausência.
(pausa)
É perceber
que você virou passado...
enquanto eu ainda vivo
no momento da despedida.

(silêncio — 3 segundos)

Não foi falta de amor.
(voz firme, contida)
Nunca foi.

(pausa)

Foi excesso.
Foi entrega demais
em quem não conseguiu ficar.

(respiração)

Foi amar alguém que partiu...
enquanto o amor permaneceu —
teimoso...
vivo...
insuportável.

(silêncio)

Você se foi.
(pausa curta)
Mas o amor ficou.

(respiração final — longa)

E ficou grande demais
pra caber
só em mim.

(silêncio)

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⏰ Last updated: Feb 08 ⏰

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