EPISÓDIO 1 -Antes da Largada

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O sol da manhã entrava pelas pequenas janelas do quarto de Isabel, tingindo o chão com faixas douradas. Ela abriu os olhos lentamente, sentindo ainda o frescor da noite, e por um instante ficou apenas observando a vila despertando lá embaixo. Ao longe, o castelo erguia-se sobre o mato que o cercava, e à sua frente, o lago refletia a luz da manhã, tranquilo, como um espelho sereno entre o verde das árvores e as torres distantes. Estava longe, mas presente na paisagem. sabel desviou o olhar, respirou fundo e decidiu começar o dia.

Tomou banho com cuidado, sentindo a água morna correr pelo corpo e acalmar um pouco o nervosismo que se formava no peito.Escolheu uma roupa simples, prática, mas arrumada o suficiente para se sentir confiante. Desceu para a cozinha, onde sua mãe estava ocupada com o pão recém-assado, o cheiro preenchendo o ar da casa.

- Bom dia, filha - disse a mãe, com um sorriso caloroso. - Coma algo, você precisa de energia para hoje.

- Está bem, mãe - respondeu Isabel, mordendo um pedaço de pão e saboreando o aroma quente.

Quando terminou, dirigiu-se ao estábulo, onde Apolo a esperava. O cavalo branco relinchou levemente ao vê-la, como se pressentisse a excitação do dia. Isabel escovou o pelo dele com cuidado, passando a mão firme mas gentil, e ajustou a sela com atenção, certificando-se de que tudo estava pronto para a competição.

Sua irmãzinha aproximou-se, os olhos grandes e curiosos brilhando de expectativa.

- Vai ganhar hoje? - perguntou a menina, quase sussurrando.

- Vou tentar - respondeu Isabel, com um sorriso tranquilo e cheio de afeto.
Nesse momento, Marco surgiu na entrada do estábulo, encostando-se de leve à porta, com um sorriso travesso que Isabel já conhecia bem.

- Então, tá pronta? - provocou, o tom leve de sempre.

- Sempre pronta - respondeu Isabel, rindo e revirando os olhos de leve, provocando-o de volta.

Eles riram juntos, um riso confortável, e começaram a caminhar em direção ao campo da corrida. O vilarejo já estava em plena movimentação: pessoas nas ruas, acenos, vozes chamando nomes, o som distante de cavalos ecoando pela estrada. Isabel sorria para aqueles que a cumprimentavam, sentindo a excitação do dia crescer a cada passo.

Enquanto isso, no castelo, Margot se preparava com cuidado. Cada movimento era medido, cada gesto calculado para manter a postura elegante que sempre a caracterizava. O vestido caía suavemente sobre seu corpo, seus cabelos negras adornadas por pequenas joias cintilantes balançando com leveza. O príncipe permanecia ao lado, observando, pronto para acompanhá-la. Ambos olhavam para o vilarejo lá embaixo, antecipando a saída com a calma e a presença que lhes era natural.

Isabel finalmente chegou ao campo de corrida. Ajustou Apolo, respirou fundo e olhou ao redor.

O público estava sentado, expectante, cada pessoa, cada olhar, cada gesto parte do grande espetáculo que se formava naquele espaço. Ela sentiu a adrenalina crescer, o coração acelerando, as mãos firmes na rédea.

De repente, a carruagem real surgiu à distância. O povo começou a gritar, uma onda de energia e entusiasmo que fez Isabel se encher de nervosismo e emoção. Ela conseguiu ouvir o clamor da multidão e lançar um olhar rápido para o príncipe descendo da carruagem. O sorriso dele era leve, quase distraído, e Isabel voltou a se concentrar em Apolo e no início da corrida.

Quando a princesa desceu, no entanto, o mundo pareceu silenciar para Isabel. Cada grito da multidão ainda ecoava ao fundo, mas para ela tudo diminuíra. Margot caminhava com uma beleza extraordinária, cada gesto elegante, cada passo leve. O cabelo preto solto balançava suavemente, os olhos perfeitos e a boca delicada completando a imagem que parecia etérea, quase inacreditável. Isabel sentiu o coração acelerar, mas sem saber por quê, apenas absorvendo cada detalhe com fascínio silencioso.

Com um último suspiro, Isabel desviou os olhos e concentrou-se na competição. Ela conduziu Apolo até o ponto de largada, ajustando a postura, respirando fundo, controlando o nervosismo que teimava em subir. O príncipe e a princesa permaneceram no ponto alto, observando calmamente, e Isabel lançou um olhar rápido para eles antes de se virar totalmente para a corrida.

O narrador descrevia cada detalhe do evento: o tilintar dos arreios, o barulho das ferraduras batendo no chão, o murmúrio crescente da multidão. Isabel respirava fundo, sentindo cada movimento de Apolo, cada centímetro do campo, cada sombra e luz que se movia com o sol da manhã.

A corrida começou. Isabel acelerou, Apolo respondendo com força e precisão. Cada curva, cada salto sobre pequenos obstáculos era medida, calculada. Ela mantinha o foco, mas de vez em quando seus olhos buscavam a presença de Margot no ponto alto - não por distração, mas como se quisesse medir a distância entre o mundo dela e aquele de outra pessoa.

A competição seguiu intensa. Isabel sentia o suor escorrer, o vento batendo no rosto, e o coração pulsando junto do cavalo. Finalmente, com uma última arrancada precisa, cruzou a linha de chegada alguns instantes antes dos demais competidores.

O público explodiu em aplausos e gritos de celebração. Isabel parou Apolo, respirando fundo, e seu olhar buscou a mãe e a irmãzinha, que a saudavam emocionadas.

A cerimônia de premiação começou. O príncipe aproximou-se para entregar a faixa, enquanto a princesa, com postura impecável, segurava a coroa. Isabel aproximou-se, levemente nervosa, o coração batendo com força.

- Parabéns, Isabel - disse Margot, com um sorriso calmo e gentil.

- Obrig... obrigado - gaguejou Isabel, sentindo um calor súbito subir pelo rosto.

O príncipe colocou a faixa sobre os ombros dela, sorrindo de forma encorajadora. Isabel ergueu os olhos, ainda sorrindo sem jeito, e percebeu a princesa se aproximando da coroa. Um instante silencioso pareceu suspender o tempo: o sol refletia nos cabelos de Margot, e seus olhares se cruzaram por um breve segundo, suficiente para que Isabel sentisse uma presença nova, delicada e marcante, gravada na memória. A coroa foi colocada, mas o gesto ficou camuflado no brilho do momento, como se fosse apenas delas.

Isabel ainda segurava o reflexo daquele momento por dentro. Com passos cuidadosos, ela voltou até Apolo, respirando fundo, ainda sentindo o calor da emoção e da admiração silenciosa que se formara entre ela e a princesa.

- Vamos comemorar, Marco - disse Isabel, finalmente relaxando, sorrindo ao amigo que a acompanhara o tempo todo.

- Sempre juntos nessas, não é? - respondeu ele, rindo.

Isabel assentiu, permitindo-se rir também. O dia, cheio de tensão e beleza, finalmente encontrava sua calma, e o campo da corrida se tornava apenas memória, reflexo da manhã e daquilo que nascera entre olhares silenciosos.

CONTINUA..

A Princesa e a PlebeiaWhere stories live. Discover now