(Segunda-feira)
O sol batia forte na janela do quarto de uma casa na Região Sul Fluminense. A luz entrando pelas frestas da janela retangular davam uma cor amarelada e viva ao local, um toque de conforto que batia de frente com a bagunça aparente que gritava o oposto.
07:35 brilhava no relógio acima da escrivaninha ao lado da cama. Apitava pela quinta vez consecutiva.
Mas nem a luz que entrava na janela, nem o brilho do relógio com o alarme que ressoava nas paredes parecendo um alarme de incêndio conseguiam acordar a garota jogada no meio dos travesseiros. A respiração tranquila no meio do caos. O único sinal que mostrava que aquele corpo estava vivo e ignorando o mundo ao redor fortemente.
— EDUARDA! PELA DÉCIMA VEZ, LEVANTA AGORA!
Mariana Fragoso, uma mulher que todos acreditam ser um poço de calmaria, que nunca ouviram uma palavra fora de tom, gritava pela porta do seu quarto num tom que fez quem ignorava o mundo pular da cama assustada em 1 segundo.
Os olhos arregalados, a boca entreaberta, respiração acelerada de quem não entendeu ainda nem quem é e já foi tirada da paz para o caos.
— Mas... o quê? — Os olhos buscaram de onde vinha o barulho com uma rapidez que não coincidia com o sono de segundos atrás. Apertou o botão de desligar automaticamente antes mesmo de sequer ver a hora que ele alertava.
Atrasada. De novo.
— Merda, merda, merda... A Roberta vai me matar dessa vez.
E assim, como o quarto denunciava, o furacão Eduarda Fragoso pulou da cama e saiu correndo pelo quarto vestindo a primeira roupa que viu pela frente enquanto se dirigia para o banheiro para sua higiene matinal. Ela sabia que estava atrasada e que cada segundo era precioso, mas sair com mal hálito e sem seu perfume era algo que o mundo poderia desabar e ela pararia para a sua necessidade mínima de dignidade.
Passou pelo corredor com tanta rapidez que quase derrubou o vaso de cerâmica vietnamita que seu pai tanto apreciava.
— Atrasada outra vez filha? — A voz a assustou quando ela cruzava a sala procurando na bolsa a chave do seu carro. Rodrigo Fragoso, o homem que para uns era exemplo de vida, respeitado, as vezes temido pelos que tentavam jogar o jogo sujo da vida. Estava sentado, tomando seu café calmamente enquanto lia um livro. A expressão relaxada através dos óculos, os ombros tranquilos de casa, mas sem perder a postura por dentro do robe caro. Agora a olhava com a atenção de um pai que conhece cada microexpressão da filha.
— Não ouvi o despertador pai. — O rosto se contorceu em vergonha de repetir a mesma frase toda vez. Ela não sabia dizer por que ainda confia naquele aparelho e no seu próprio sono.
— Claro que não ouviu. — Rodrigo a olhava com um bom humor de quem já esperava essa resposta. — Você não, mas o vizinho da última casa, esse tenho certeza que ouviu a nona sinfonia que saiu do seu quarto. — Alfinetou com a ironia que sabia que ela entenderia como um lembrete sobre o volume que ele avisava toda vez.
— Bom dia para você também pai. — Respondeu no mesmo tom enquanto abaixava para receber um beijo na testa antes de sair.
— Sente e coma Eduarda. Nada de sair de barriga vazia. — A figura da senhora Fragoso surgiu do corredor. Eduarda abriu a boca para protestar falando que não dava tempo, mas a mão de Mariana levantada no ar como um sinal de pare a fez fechar. — Dá tempo sim, quando deu 7:20 e você ainda estava roncando eu liguei para Roberta. Inventei uma desculpa e remarquei para mais tarde. Não sei por que você insiste em marcar de manhã se sabe que não acorda. Mudei para 13:30. — Ela falava rapidamente em um tom que se dividia entre o sermão pela insistência do horário e o carinho da preocupação com a filha.
— Você remarcou? — Eduarda absorveu a informação com uma mistura de alívio e um pouco do orgulho ferido, mas ela não falaria isso. Sabia que para a mãe inventar uma desculpa foi na melhor intenção do zelo materno.
Mariana assentiu.
— Não foi para me meter nos seus horários filha, mas eu sabia que você sairia apressada sem comer. Saco vazio não para em pé, já dizia sua vó. Você precisa começar o dia bem alimentada. — Ela explicou rapidamente com receio que pudesse ter soado autoritária a intromissão na agenda da filha.
Mas Eduarda assentiu sentando-se na cadeira relaxada.
— Obrigada mãe. — Ela respondeu enquanto sua mãe se sentava a sua frente, já pegando uma xícara de café.
Mariana sorriu para ela. E começaram a tomar o café da manhã enquanto conversavam sobre o dia que teriam. O clima familiar era um refúgio seguro, leve.
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O Acaso do Inesperado
FanfictionOnde dois mundos diferentes mas complementares se encontram no acaso inesperado do destino. Um lado entrando às cegas nele, carregando o peso do legado, do sobrenome, das escolhas que foram feitas antes mesmo dela nascer. O outro lado sendo o caos...
