O Rei que Não Dorme

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David Crowson não dormia como os outros seres.

Ele entrava em estados de silêncio.

Momentos em que o mundo parecia distante demais para tocá-lo.

Naquela noite, caminhava pela Montanha de Kharon, seu refúgio secreto. O vento cortava a pele como lâminas invisíveis, mas ele não sentia frio. Apenas o peso da própria existência.

Ser rei significava carregar o mundo nas costas.
Ser híbrido significava nunca pertencer completamente.

Quando o cheiro de sangue humano invadiu o ar, David parou.

Franziu o cenho.

— Não deveria haver humanos aqui.

Seguiu o rastro.

O grito veio logo depois.

Um som cru.
Desesperado.

E algo dentro dele se moveu.

Três homens arrastavam uma jovem desacordada em direção ao abismo, ela estava ensanguentada, por um segundo pensou em virar as costas e não se intrometer nos assuntos mundanos, mas não era esse tipo de homem e sentiu um cheiro de morango vindo da mulher que não conseguia entender o porque.

David não gritou.

Não ameaçou.

Apenas atacou.

Quando tudo terminou, a clareira estava silenciosa novamente.

Ele se ajoelhou diante da garota.

Pele pálida.

Lábios partidos.
Respiração fraca.

Ao tocá-la, sentiu um choque.

Não mágico.

Emocional.

— Estranho... — murmurou.

Levou-a nos braços.

Sem saber que, naquele momento, sua eternidade acabara de mudar.

O herdeiro da Lua E do sangue- David CrowsonWhere stories live. Discover now