O café da manhã está sendo servido a mesa. Os empregados vem e vão como máquinas que ligam e desligam só quando apertam seu botão. O sol radia em mais uma manhã chata e monótona.
Sou sempre a primeira a levantar e apesar de minha madrasta sempre me dizer que isso é falta de educação não ligo. Essa mulher chegou em nossas vidas há cinco anos onde meu pai se viu obrigado pela sociedade a se casar novamente pois Anastácia havia aparecido grávida e para evitar que um escândalo acontecesse, que a reputação da nossa família não fosse arruinada, não houve outra solução a não ser se casar com ela.
Os Silvers preservam por sua gentileza, respeito e graça. Nunca nenhum borburinho, opiniões negativas ou qualquer que fosse a ruína sem ser o escândalo do atentado leste minha família possuí.
O atentado que meu pai nos proibiu de mencionar, onde todos conhecem mas todos fogem de comentar. O atentado que levou a vida de milhares inocentes, foi como um inferno da terra e arquivado como se não tivesse existido. Aquele maldito atentado que levou Grace Silvers, uma das mulheres mais graciosas e belas que por onde passava todos a viam, a admirava e respeitava.
Para sociedade ninguém brilhava mais como ela, todos os homens a queriam como sua, a jóia preciosa que qualquer um da mais alta sociedade queria comprar, da mais pobreza queriam ter a benção de a ver ou das profundezas queriam roubá-la, e assim era como eles a conheciam mas para nós se encontrava a mulher mais forte, cariosa e corajosa que conheciamos, nossa mãe.
Gosto de observar o sol aparecer entre as nuvens através da janela principal da cozinha. Seu brilho ao longe com uma coloração alaranjada transmite um calor leve e tranquilo, como se nada pudesse atrapalhar ou sentimento ruim aparecer.
Dona Sheila nossa empregada que me acompanha desde meu nascimento aparece a porta assustada por me avistar novamente num local onde não deveria estar.
— Senhorita Silvers. — Se aproxima ofegante. Fecho meus olhos respirando fundo tentando manter toda sensação de tranquilidade que a luz fraca do sol através da janela hoje me entregou antes de me virar e encontrá-la.
Dona Sheila coça a cabeça nervosa olhando de um lado e de outro como se houvesse algum monstro que possa no encontrar a qualquer momento ou que tivesse cometendo o maior dos pecados. — Querida você sabe que não deveria estar aqui na cozinha ainda mais em cima da mesa de pijama tomando leite. A senhora Silvers vai fazer um escândalo. — Respiro fundo mais uma vez ao ouvir aquilo ou melhor aquele título. Senhora Silvers. Aquela mulher jamais seria digna de um título como esse.
Coloco o copo de leite ao meu lado e cruzo as pernas calmamente. — Dinda já falei mais de mil vezes que é Amarílis para você, por favor não me chame como todos aqueles abutres lá de fora ousam chamar. — Puxo as mãos sobre os joelhos. — E a Naja não tem direito algum de me repreender, o que pode fazer além de dar alguns gritos com aquela voz asquerosa? Meu pai jamais a perdoaria se erguesse a mão para mim. — Naja. Quase rio ao pronunciar o apelido que eu e meus irmãos a colocou quando éramos mais jovens.
Meu pai pode ter se obrigado a se casar e em papel e sociedade Anastácia é conhecida como sua esposa mas mesmo com o passar dos anos por ele nunca foi e aposto com minha vida que nunca será.
Acho que até por esse motivo faz questão de demonstrar seu amargor por nós, sempre covardemente longe de meu pai pois sabe que se fizer isso em sua presença a repreenderá no mesmo instante.
Dona Sheila estala seus olhos. — Senhorita Silv... — A repreendo com um olhar. Ela pigarrea e se corrige. — Senhorita Amarílis sabe que só estou tentando protege-la de infortúnios vindo da Senhora Silvers. É sempre bom tomar cuidado com ela, é como uma bomba relógio perto de explodir. — Reviro os olhos ao ouvir novamente Senhora Silvers sai de sua boca e que Senhorita perdurou na frase mesmo tendo se corrigido.
Entendo o respeito que tem por mim e minha família mas a considero como uma de nós. Todos a consideram e mesmo assim continua achando que é de menor importância isso me irrita. Desço de cima da mesa e jogo o leite na pia passando água nas mãos. Enxugo na minha roupa e Dona Sheila balança a cabeça. Aproximo dela. — Sei disso e agradeço tudo que tem feito por nós mas não tenho medo dela. — Dona Sheila ouve atentamente o que digo e respira pegando minha mão.
— Sei disso e por isso tenho medo por você Amarílis. Tome cuidado. — Dou um sorriso para ela e sei se continuar rebatendo nada irá adiantar. Retiro minha mão da dela e vou em direção a saída. — Onde vai? — Pergunta rapidamente mesmo sabendo meu destino.
Me viro a ela dando um enorme sorriso. — Como assim? Vou ver Caetano, sinto tantas saudades, estamos nos vendo cada vez menos por conta que o baile da rainha está quase chegando. — O olhar de Dinda escurece e não me devolve o sorriso.
Caetano é um homem humilde que conheci que já tem uns meses e que apesar de não possuir bens do mesmo valor que o nosso é um rapaz bom de coração.
Nos encontramos sempre escondido e só Dinda sabe de sua existência, não arrisquei contar para Gabriel e Brenda com medo que isso saísse nos ouvidos de meu pai antes que Caetano contar e pedir minha mão em breve.
Conhecendo Gabriel meu irmão mais velho isso num estralo faria isso sair nos ouvidos de meu pai, é o herdeiro principal da nossa família e assim como nosso pai tem o dilema de a família vem primeiro de tudo.
Seu temperamento é explosivo, com toda certeza iria até a fundo a saber de Caetando e quando o encontrasse o mataria por saber que se calou por tantos meses. Não entenderia suas razões e isso acabaria numa enorme confusão.
Brenda é a caçula. Minha irmã é doce e calma ao contrário de nós dois. Gosta de passar a maioria do dia no jardim ou na biblioteca.
Todos odiamos mentiras mas Brenda arrisco dizer ser a que mais odeia isso entre nós. Não merece carrear um segredo desses nas costa e apesar de que iria omitir com muito esforço provavelmente por amor a mim, uma hora iria acabar contando mesmo que sem querer.
Dinda descobriu isso por acaso quando um dia tarde da noite voltamos de uma festa do seu bairro. Caetano me traz roupas mais simples para me infiltrar perantes as pessoas quando saimos, não posso arriscar alguém me reconhecer pois se isso acontecer seria páginas e páginas de jornais falando sobre nossa família e eu seria considerada provavelmente uma promíscua.
Horas tardes da noite sozinha com um homem em um bairro simples da cidade era um prato cheio para fofocas e difamações.
Aquela noite tive que ouvir isso por pelo menos umas três horas. Dinda surtou quando nos viu chegando e Caetano com seu jeito brincalhão tentou aliviar o clima mas mesmo assim o humor de Dinda não se elevou.
Ela não acredita que ele possui boas intenções e que deveria tomar cuidado. Sempre tomar cuidado. Vive repetindo isso quase todos os dias.
A verdade é que me sinto viva quando vou a essas festas. Quando danço até suar e o vento da noite passa por meu rosto dando sensação de frescor ou quando passo quase a noite inteira dando beijos e agarros com Caetano.
Me faz sentir livre e não tendo que aprender boas maneiras ou praticipar de bailes que todos sabemos que é onde a alta sociedade arruma seu par ideal para toda vida. Inúmeros casamentos são construídos.
Se fossem por amor como de meus pais seria maravilhoso mas isso só acontece em quase 2% das vezes, o resto é através de negócios e estado social. Como se casamento fosse moeda de troca e nós mulheres suas mercadorias.
Nunca fizemos sexo mas nossos encontros estão cada vez mais quentes e não duvido que logo vamos transar. Estou tentando aguardar nosso casamento que será muito em breve mas não me impedi de viver alguns petiscos com as mãos.
Que diferença faz? Vamos nos casar de qualquer maneira e sei que minha família pode não aceitar mas me respeitariam.
Dinda respira alto e antes que possa dizer algo a interrompo. — Sei que você pensa diferente e acredito que suas intenções são as mais puras mas também acredito que esteja enganada. Ele é um bom rapaz e irei provar isso a você. — Dinda cruza os braços e antes que possa me dá uma resposta, uma voz estridente e fina a interrompe vindo da porta.
— Que rapaz? — Dinda e eu congelamos. Respiro e coloco minha máscara descontraída antes de me virar e ver a Naja cruzada seus braços pronta para mais dia soltar seu perveso veneno.
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Amarílis
RomanceRomance de época. +18 🔞 Dark romance leve. Está obra é inteiramente autoria minha e o universo e personagens se passa em minha imaginação mas isso não quer dizer que compactuo na vida real com qualquer atitude ruim que o personagem possa por ventur...
