Ainda Estou no Restaurante

1 0 0
                                        


S/N sempre soube que o amor dela por Rebecca Patricia Armstrong — a Becky de sorriso fácil e olhos que pareciam guardar o sol — era um amor de platéia. Ela assistia de longe, aplaudia em silêncio, guardava cada foto, cada live, cada entrevista como se fossem pedaços de um sonho que nunca seria dela. Mas o pior não era amar em segredo. O pior era ver Becky amar outra pessoa: Freen Sarocha Chankimha.

Becky falava de Freen com um brilho diferente. Era sutil, mas S/N notava. E quando descobriu que Freen namorava Seng Wichai, algo dentro dela se partiu — não de ciúme, mas de impotência. Becky merecia ser feliz. E se não era com ela, tudo bem. S/N faria de tudo para que Becky não chorasse sozinha.

Um dia, cansada de ver Becky esconder as lágrimas atrás de sorrisos forçados, S/N tomou coragem. Num café vazio à noite, com as mãos tremendo, ela disse:

— Becky… eu gosto de você. Muito. Não gosto como uma amiga. Eu sei que talvez você não sinta o mesmo, mas… quer tentar namorar comigo? Eu prometo te fazer sorrir todo dia.

Becky hesitou. Seus olhos marejaram. Mas ela assentiu.

— Tá bom… vamos tentar.

Não era amor. Era gratidão misturada com medo de ficar sozinha. S/N sabia. Mas aceitou mesmo assim. Porque estar perto, mesmo pela metade, era melhor que nada.

Meses depois, S/N encontrou Freen chorando num parque deserto. A notícia do término com Seng tinha vazado nas redes, e Freen parecia pequena, perdida. S/N não pensou duas vezes: sentou ao lado dela, ofereceu um lenço, ficou em silêncio até Freen conseguir falar.

— Eu terminei tudo… e agora não sei o que sinto — murmurou Freen.

S/N respirou fundo.

— Sabe… eu namoro a Becky. E eu sei que ela não me ama do jeito que eu a amo. Mesmo assim, eu ainda não consigo deixar ela ir. Mas se eu perceber que existe uma chance real, nem que seja mínima, dela ser feliz com essa pessoa… eu vou soltar ela, mesmo doendo em mim. Porque, no fim, o que mais importa é a felicidade dela — não a minha.

Freen ergueu os olhos vermelhos.

— E quem é essa pessoa que ela gosta?

S/N sorriu triste.

— Se você quer saber quem é essa pessoa… é um segredo dela. Então, se realmente quiser saber, vai ter que descobrir sozinha.

Fez uma pausa, olhando para o céu escuro.

— Sabe… eu já me acostumei a ser deixada. Então, dessa vez, eu não vou desmoronar. Ela não foi a primeira a ir embora. Quando eu era criança, minha mãe também teve que escolher entre a felicidade dela e eu. E ela escolheu a felicidade. Eu não a julguei. Nunca julguei. Talvez por isso eu tenha aprendido cedo que amor, às vezes, é aceitar não ser escolhida. E eu não vou julgar o meu amor por fazer o mesmo. Se a felicidade dela não é comigo… eu deixo ir — mesmo que isso me deixe vazia outra vez.

Freen ficou quieta, absorvendo cada palavra. S/N a levou até em casa, deu um abraço rápido e foi embora sem olhar para trás.

Algum tempo depois, S/N viu Engfa Waraha sozinha num bar, olhos inchados, copo intocado. Todo mundo sabia que Engfa e Charlotte Austin (Englot) se amavam, mas o medo, a pressão da fama, o "mundo ao redor" pesava mais.

S/N se aproximou.

— Eu sei que você está triste, e eu sei que não é porque falta sentimento. Às vezes, o amor existe, mas o mundo pesa mais do que o coração. Não conseguir assumir a Charlotte não te faz fria, nem covarde — só humana. Você está tentando sobreviver entre o que sente e o que consegue carregar agora. Só não se castigue por isso. Quando der, que seja por amor, não por medo. E se hoje não dá… tudo bem admitir. A dor diminui quando a gente é honesta consigo mesma.

O AMOR QUE DEIXEI IRHistórias para pegar e não largar. Descubra agora