Aos meus 15 anos - prólogo

6 1 1
                                        

Eu estava passando fome,muita fome. Minha mãe fumava maconha enquanto eu tentava pedir para ela comida

A cada palavra que eu dizia ela me batia,cada vez mais forte

Eu era um " menino" de apenas quinze anos,já estava muito magra e ferida por causa do meu pai que me chamava de "viadinho de merda"
Eu estava lá,toda suja e com fome, tinha trabalhado o dia inteiro na roça, mesmo não tendo força

Depois que eu vi pela primeira vez meu pai batendo na minha mãe,eu chorei,chorei e chorei
Enquanto isso meu pai me batia e falava que homem de verdade não chora e aí eu desmaiei

No outro dia meu pai veio pedir desculpas e eu aceitei

Meu pai só falou que tinha uma condição,e eu falei para ele explicar

Ele fez coisas comigo enquanto eu pedia pra ele me soltar,e ele falou que é para ver se eu viro homem depois dessa, minha mãe apenas observava de longe enquanto eu chorava de gritar, infelizmente eu morava no sítio então não tinha como ninguém ouvir

Ele só me xingava me chamando de puta enquanto eu chorava...

Ele batia no ato.

Quando ele finalmente me soltou e saiu de lá eu dormi embaixo da cama para ele não me achar de novo, eu tive nojo de olhar pra mim no espelho , só nojo eu sentia


A dor que eu estava era horrível, fora os socos que ele tinha me dado que deixou roxo

Tudo que eu queria era sair de casa.

2 anos depois eu tinha 17 anos.

— Mãe, eu tenho que te falar uma coisa — digo eu com as mãos e as pernas tremendo,eu estava quase fazendo 18 anos e eu tinha me descoberto uma mulher trans

E eu me achava nojenta por causa disso

Mas antes dela falar alguma coisa,o jornal falou o do meu pai.

"Fábio Menezes é assaltado e baleado na cabeça nesta tarde "

Minha mãe desabou no chão,e começou a falar que a culpa era minha,que eu era um viado desgraçado que deveria se prostituir, porque era a única coisa que eu prestava era dar o cu

Eu gritei.
Eu. Gritei.

— Mãe eu sou travesti.— mesma hora ela puxou meu cabelo e começou a bater a minha cabeça no chão,eu não reagi,jurei que aquilo era minha morte, e eu desmaiei depois de alguns minutos sendo agredida,ouvi ela falando que eu era uma vergonha para minha família

Naquela hora eu desmaiei,testa sangrando,meu cabelo foi quase arrancado pelas mãos da minha própria mãe.

Da. Minha. Própria. Mãe.

Quando eu acordei estava jogada para fora de casa toda ralada, e eu morava longe da cidade e quase não conseguia me levantar eu estava com a testa roxa,e mesmo com dificuldade,eu consegui me levantar e andar na rodovia, desviando dos carros

Demorei umas 4 horas para chegar na cidade, e vi um cabaré aberto,e vi que era a única forma de alguém me aceitar, afinal ninguém iria aceitar uma mulher trans no trabalho.

Naquela hora eu fui correndo até o puteiro, e comecei a falar com o atendente ,ele falou que eu seria uma das opções mais baratas,por conta de eu ser trans

Eu concordei

Eu vou fazer de TUDO para sobreviver neste inferno de cidade

Por mim eu vivo.

Continua ...


You've reached the end of published parts.

⏰ Last updated: Jan 23 ⏰

Add this story to your Library to get notified about new parts!

Geni e o Zeppelin Where stories live. Discover now