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E eu vos declaro, marido e mulher. O senhora pode beijar sua noiva.

O dia estava lindo, eu estava enfim me casando, com a mulher que eu amava dês de a minha adolescência. Estava tudo perfeito, todos os meus amigos presentes, festa animada, cerimônia perfeita, ela estava ali, de branco na minha frente.

-Amor, vamos? O pessoal está esperando.

- Claro, eu já vou, espera só eu trocar esses sapatos, estão machucando.

Mikey: parabéns cara, quem diria que eu te veria dentro de uma igreja um dia.

Draken: você também viu?

Mikey: do que você tá falando?

Draken: aquela pessoa. Tenho certeza que é a mesma daquele dia.

Mikey: estava aqui também?

Emma: amor, anda logo, os convidados querem falar com você.

Mikey: cara, a gente pode ver isso depois, curte seu casamento e tenta não pensar muito nisso.

Draken: é difícil quando tem alguém que eu não conheço me perseguindo.

Mikey: faz assim, você vai lá falar com os convidados e curtir a festa, eu vou tentar achar essa pessoa.

Draken: tá, eu vou tentar não esquentar a cabeça com isso, mas cuidado, a gente não sabe quem tipo de pessoa é.

Mikey: sabe de alguém que eu não tenha conseguido lidar?

Draken: cara só fica esperto tá? Eu vou lá se não a Emma vem me arrastar.

As vezes eu ainda me lembro de como tudo começou. De quando a gente ficava, do pedido de namoro, das brigas, das voltas, das noites em claro cuidado dela enquanto ficava doente. Me lembro de quando éramos adolescentes tentando descobrir o mundo. No fim, não descobrimos nem metade dele, mas afinal, precisamos? Alguém, há muito tempo atrás me ensinou que, não precisamos do mundo inteiro, só daquela parte que nos mantém vivos de verdade. E eu estou com essa parte aqui.

Mitsuya: cara, parabéns. Oficialmente o primeiro casado da turma.

Draken: valeu cara, eu tô feliz pra caralho.

Mitsuya: sua cara mostra um pouco menos de emoção.

Draken: é que sempre parece que tá faltando algo, e eu ainda sinto a culpa.

Ela prometeu, mas nunca voltou.

Mitsuya: por onde será que aquela doida anda...?

Draken: era uma pessoa distante emocionalmente, mas por trás daquela postura de durona que só ligava pra ela mesma, tinha uma menina que pensava e colocava todo mundo a frente dela, não teve um momento em que ela pensou nela mesma.

Mitsuya: ela era louca - abre um cerveja e despeja um pouco em meu copo, ficando com uma parte na garrafa para seu próprio consumo- as vezes eu acho que ela não pensava muito, só fazia, e por algum motivo dava certo.

Draken: foi uma loucura quando ela foi pra valhala, lembra?

Mitsuya: é verdade kkkk... Ela arriscou a vida pra ajudar a gente sem nem ser da gangue. E mesmo assim ela ainda insistia que foi só por ela mesma.

Draken: fico pensando em como teria sido se eu não tivesse ajudado ela. Se eu não tivesse mandado ela ir com o kazutora, se eu tivesse tentado convencer ela a ficar e tentar, se eu tivesse falado pra ela dar uma chance pro Mikey ao invés de querer que ele esquecesse dela.

Mitsuya: hoje em dia, acha isso possível?

Draken: já passou 5 anos, ele não vai esquecer a s/n. Isso é absurdo.

Mitsuya: você pretende contar pra ele algum dia?

Draken: não... Isso jogaria todo esforço da s/n no lixo. O combinado é nunca mais tocar no nome dela perto dele.

Mitsuya: acha que ela tá bem?

Draken: ela é forte, sabe se cuidar. Deve estar apostando corrida de moto com alguém por aí, e fazendo algum otário pagar pizza pra ela.

Mitsuya: você fala assim, mas continua nervoso quando pensa nela, ainda se preocupa. Procura ela até hoje não procura?

Draken: claro que procuro. Ela me deve uma promessa.

Vi as pessoas passarem por mim, com seus copos de bebidas caras só por serem e sua roupas já sujas de suor. Olhei para o lado e vi minha esposa dançando alegre com o irmão, do lado, nossos amigos se divertindo. As vezes quando vejo de fora essa cena, parece estranho pra mim. É como se ela nunca tivesse existido.
Me pergunto se eles sentem isso também. Se a Emma ainda pensa nela quando vai ao shopping, se o Baji ainda lembra dela quando sobe em uma moto, se o Mikey ainda vê ela nas estrelas...

Mas por que apesar de tudo eu sinto que ela está tão perto?

O tempo passou e enfim chegou a hora de ir para a lua de mel, todos ali, fora do salão de festas jogando arroz pra cima e comemorando o novo casa, enquanto eu ajudo a Emma com o seu vestido para entrar no carro. Tudo parecia estar indo bem até ali.

No quarto de hotel.

Emma: amor, eu estava abrindo os presentes mas essa caixa tá estranha. Olha, não tem identificador, como vou saber quem deu esse presente, e eu balancei, é como se a caixa estivesse vazia.

Draken: por que não abriu?

Emma: sei la, meu deu uma sensação estranha, queria abrir esse junto com você.

Draken: tá amor, então deixa esse por último ok? - disse afrouxando minha gravata- eu tô cansado, vou tomar um banho aí venho ver os presentes com você.

Emma: tá com fome? - diz colocando a caixa de lado- sei que tinha buffet, mas quase não comeu lá, eu posso fazer uma macarrão pra você.

Draken: faz isso por favor. Eu estava meio aéreo na hora na festa, acabei não comendo nada.

Entrei no banheiro e abri o chuveiro. Deixei a água cair em meu corpo enquanto eu mergulhava em pensamentos que eu queria expulsar da minha cabeça.

Draken: que cheiro com amor.

Saio do banheiro com a toalha em minha cintura e chegou na Emma para abraçala, depositando um beijo no topo de sua cabeça.

Emma: tá quase pronto, só falta colocar um queijo.

Draken: e se a gente abrisse o resto dos presentes amanhã? - disse me escorando na bancada ao lado do fogão- eu tô realmente cansado e esse banho me deu sono.

Emma: como preferir amor. A água do chuveiro daqui é gostosa né? - disse colocando um garfo de macarrão em minha boca pra experimentar- também me deu sono quando tomei banho.

Draken: ótimo -digo com a mão na boca- então a gente dorme, aí amanhã quando acordarmos, tomamos café e olhamos os presentes

Emma: vai comer que eu vou arrumar a cama pra gente deitar.

Ela se virou depois de colocar um prato pra mim na mesa e foi em direção ao quarto.

A comida da Emma é quase sempre salgada, mas eu já comi tanto que meu paladar identifica o sabor do sal como comida da casa. Não importa em quantos restaurantes eu vá, nenhum vai fazer a comida que a Emma faz, esse deve ser o que os mais velhos chamam de "efeito casamento". Depois que se casa, a melhor comida deixa de ser a da sua mãe pra ser a da sua mulher.

Comi e me deitei ao lado da Emma, que já estava deitada mechendo no seu celular. Deitei em seu peito e a abracei, e ali naquele lugar de paz, adormeci, como se eu estivesse no lugar mais seguro e confortável no mundo.

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