— Finalmente resolveu aparecer com a gente, né? — a Rosamaria falou, me puxando pelo braço. — Achei que você ia continuar se fazendo de difícil.
— Eu não me faço de difícil — respondi. — Vocês que se emocionam fácil.
— Mente mal — a Gabi riu. — Você vive fugindo de concentração longa.
— Eu trabalho melhor no caos.
— Confirmo — a Macris disse. — Já joguei contra ela. Chata pra caralho.
— Obrigada — falei. — Sempre bom
ser reconhecida.
O clima era leve, conhecido. Piada interna, empurrão de leve, gente sentando no chão sem cerimônia. Eu já tinha cruzado com quase todas em campeonatos, convocações, treinos soltos. Nada novo.
Nada fora do lugar.
Exceto…
— Amelie já jogou contra metade do mundo — a Thaisa comentou. — Mas agora vai ter que aguentar a gente todo dia.
— Sonho ou castigo? — perguntei.
— Depende do humor da semana — a Nyeme respondeu. — Hoje estamos gentis.
— Hoje — reforçou a Carol Gattaz.
Foi quando senti a presença antes de ver.
— Então essa é a famosa Amelie — a Júlia disse, chegando sem pressa.
Famosa é exagero, pensei.
Mas não corrigi.
— Depende de quem tá perguntando — respondi, virando pra ela.
Ela me olhou com atenção real dessa vez. Não curiosidade superficial. Leitura.
— Júlia — ela se apresentou. — A gente nunca treinou junto, né?
— Não — falei. — Só de longe.
— Engraçado — ela sorriu. — Todo mundo aqui já tem história com você, menos eu.
— Ainda bem — falei sem pensar. — Gosto de manter mistério.
— Ah — ela riu. — Então você é dessas.
— Dessas como?
— Que parecem tranquilas, mas dão trabalho.
A Gabi fez aquele barulho clássico de fofoca iminente.
— Vocês vão se estranhar ou se gostar? — perguntou, sem nenhuma vergonha.
— Nenhum dos dois — respondi rápido. — A gente só vai coexistir.
— Mentira — a Rosamaria falou. — Aqui ninguém só coexist…
— Coexistir tá ótimo — a Júlia interrompeu, divertida. — Menos expectativa, menos decepção.
— Concordo — falei. — Odeio gente que cria clima.
Troquei um olhar com ela.
Ela sustentou.
Eu sustentei.
Não tinha clima nenhum.
Só… atenção demais.
— Bora aquecer — o técnico chamou.
Levantei junto com as outras.
Alongamento, conversa paralela, alguém reclamando da panturrilha, outra do horário.
Normal.
— Você sempre foi assim? — a Júlia perguntou do meu lado, enquanto girávamos os ombros.
— Assim como?
— Confiante demais pra quem acabou de chegar.
— Eu não cheguei agora — respondi.
— Só mudei de mesa.
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como da última vez
FanfictionAmelie e Júlia se encontram e tudo vira casa: amor, desejo, cuidado e aquela sensação de "é ela". Mas o mundo não facilita, família, passado, mídia e silêncio começam a empurrar as duas pra longe. Essa é uma história que vai te fazer sorrir e se apa...
