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ARCANJO BRANCO

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Altor Kal Santos

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Altor Kal Santos

Um homem magoado com Deus chora como uma criança que perde o amor de sua mãe, o querendo de volta em seu coração fraco.

— em pé dentro da casa que eu aluguei afastada da cidade eu estou, tirei a regata azul escura de meu corpo, passo a mão aberta por cima das feridas que se fecharam em meu tronco, as peças de ouro estão em meu corpo, as ombreiras douradas, as cotoveleiras douradas e os braceletes dourados que protege meus antebraços todos, visto a bota de couro amarronzada e dourada, a calça larga na canela e justa na coxa e na cintura e presa pelo cinto da fivela dourada, eu pego a caixa de lenços, pego um em minha mão, passo sobre a primeira ferida em meu abidomen, depois passo na do peito, passo em minha costela, e passo ao redor do meu tronco rosto e braço, limpo minhas feridas com minhas mãos, não falo alto, não apareço em frente a ninguém, nenhum vê quem eu sou, eu me guardo pra minha postura, ando em lugares vazios, não falo meu nome a ninguém, vivo trancado, busco meu filho, choro sozinho, aprendi a ser um homem, aprendi a ser fraco emocionalmente, perder um filho pelas mãos de Deus não é uma história que eu escutava todos os meus dias no céu, sou fechado pois não vejo graça em falar com os outros, não nasci pra ter várias mulheres, mas quando perdi a minha procurei o corpo dela em várias que eu não comeria da carne podre, não tinha interesse no que não é do lugar que eu vim, mas hoje eu tenho, eu não sou um homem, não sou fraco, mas não acho que estou forte por agora, Deus me castigou, quando eu quero usar minha unção ele joga as feridas em meu corpo, me abre como eu abro um bicho que eu vou comer em minha panela, a dor que só eu e ele suportarmos eu sinto em meu corpo de arcanjo.
Tiro minhas vestes, termino de passar os lenços em minhas pernas, enrolo a toalha dourada e amarelo queimado com o detalhe de flores em minha cintura, ela prende por cima da grossura de minhas pernas, o suor escorre pelo meu corpo banhando as feridas, ando com meu corpo insigne, em frente a imagen do arcanjo branco igual a mim que eu tenho em meu quarto, eu derramo o cálice dourado com a água santa em meu corpo, tomo banho com meu cálice tomo o banho com a taça todos os dias, limpo meu corpo ferido, meus pecados, meu ódio, e volto a fazer quando a água acaba de derramar sobre o suor do meu corpo, a água lava as peças de ouro em meus braços, jogo o resto da água na parede suja da casa, na parede eu vejo os vários quadros de santos, os santos que eu já conversei no céu, cada rosto de santo eu conheço, conheço seus pecados e falhas, suas orações e seus gostos, conheço o presente e o passado, sei quem matou o pai do pai do pai de seu pai, sei o nome do primeiro homem que mentiu com o nome de Deus na boca, sei o rosto do primeiro rei, vi Maria chorar a receber a notícia de meu irmão Gabriel que iria ser mãe do verdadeiro Deus, lutei contra satanás na guerra que ouve no céu, antes de Adão usar o corpo de Eva, desde que o mundo é mundo, eu via com nojo a maldade do homem, quando Deus quis fazer o seu boneco fraco ele colocou mais maldade do que amor em seu coração pobre, eu perdi minhas ceis asas, não cobri mais o meu rosto e minhas pernas, na presença de Deus, eu não pertenço mais a linha de frente de Cristo, eu sou um homem sujo, um arcanjo que caiu na terra, por causa de um filho.
Fiz amigos que me perseguem nessa terra, meu nome ficou famoso pelas cidades do Pará, um arcanjo que come da mesma comida que eles não vão ver todos os dias, meus inimigos adotaram o nome enfraquecido que eu não gosto tanto assim, acho fútil de mais pra profissionais, estamos no norte, devemos honrar o que conhecemos, e guarda celestial não é um nome tão popular nas bocas daqui, nós gostamos de coisas mais fortes e simples, eu estava sentado dentro de minha antiga casa, via as paredes quebradas com as granadas caseiras e as balas de armas de grande porte, fuzil, escopeta, tudo que eles usam pra sua defesa, eu olhava o teto caído, eu via a rua escura de dentro de minha casa que estava sobre o chão, eu estava sentado na cadeira refinada que encontrei pela rua, bebia a garrafa de conhaque e fumava o cigarro com a outra mão, falava com a voz grossa em meu rosto maduro porque eles destruíram as paredes de minha casa ,as peças de ouro em meus braços estavam molhadas do banho que tomei naquele dia com meu cálice, a listra do suor cortava minha costa por baixo do pano da regata, os quadros de santos estavam espalhados pelo quarto grande, eu mantinha a estátua do arcanjo em minha frente, meus sete amigos entravam no meu terreno sem pedir minha permissão, três mulheres e quatro homens, vestiam vestes militares desbotadas, eram como roupas compradas em um brechó, miravam as armas em mim, eu me mantinha imponente em frente a eles, eles não falavam nada, quando um ia gritar eu levantava minha mão o fazendo calar sua boca: — uma vez meu pai disse a mim que o que ele fazia por vocês ninguém podia interferir, se ele quisesse matar ele matava, se quisesse abençoar ele abençoava, eu sou um arcanjo de Deus, eu acho que mesmo que meu pai não me queira por perto, eu ainda sou parte da vontade de Deus, vocês são homens e mulheres perdidos, vocês estão tentando brigar com deus, vocês acham que podem parar um filho de Deus?.
Falava apontado no rosto dos homens e mulheres, passava a mão em meu rosto limpo com a casca da barba que eu ainda não havia raspado mas que não aparecia, não me levantava da cadeira olhava do meu trono improvisado eles: — desgraçado!. Um falava, respondia cuspindo em seu rosto de longe e limpando minha boca com a costa de minha mão: — vocês entraram em minha morada, quebraram as paredes de minha casa, vê essa cadeira, está cadeira eu achei na rua, mas pra mim, ela é como o meu trono, um lugar onde eu descanso olhando os quadros dos santos que me formaram um grande arcanjo no céu, os quadros que vocês derrubaram, assim como vocês tem o poder de moldar a vida de vocês, hoje eu tenho o poder de moldar a minha, faço as minhas casas alugadas de reino celestial, faço de vocês meus brinquedos, correm atrás de mim como uma vadia pecadora corre atrás do perdão de Deus, vocês já se olharam no espelho? Como sete bonecos fracos invadem o palácio de um arcanjo?.
O líder deles respondia vindo até a minha frente: — demorou pra gente te achar aberração de Deus, hoje tu morre na mão dos que tu chama de fraco, odeia o ser humano? Pois morrera pela mão de um.
Eu levantando da cadeira e a jogando com minha mão na parede que estava atrás de mim fazendo ela cair, olhava o rosto do homem e dizia estourando a garrafa de conhaque em minha mão: — como tu vai matar um arcanjo moleque?, tu não tem poder pra matar um homem, quem dirá um arcanjo, meu poder vai além do que tu lê nos poucos versículos da Bíblia que está em tua mesa, só quem pode me matar sou eu, e eu tenho o que fazer, eu tenho um filho pra criar, não use sua bala em um pai que procura sua cria.
Todos eles atiravam, as balas penetravam a primeira camada de minha pele fazendo minha massa muscular se romper, o sangue escorria nas peças de ouro do meu braço e em meu corpo grande, eu não tinha todo o meu poder, tinha apenas migalhas do que eu era, eu rasgava a camisa em meu peito, e quando fui usar meu poder pra matar todos, as feridas abriram em meu corpo, minha pele branca sujou do meu sangue e suor que formavam a água azeda em meu corpo, via os cortes em minha pele que ficava grossa como o concreto de uma estátua após eu tentas usar minha força, eu gritava jogado no chão, caia de joelhos, minha costa definida tinha os músculos lavados do sangue e suor, as peças de ouro feriam meus braços, eu iria morrer pelas minhas mãos, eu peguei do chão o sobretudo curto e vesti em meu corpo, foi quando eu formei as seis asas em minhas costas, mas não eram as asas que meu pai tirou de mim, essas eu fiz com o resto do meu poder, eram douradas, da cor do ouro que eu visto, eu voava pro céu estourando tudo ao meu redor fazendo voar longe aquelas pessoas, voava no céu escuro, era um um arcanjo branco, voando grande no céu paraense.
Eu caia com meu rosto coberto pelo capuz da camisa preta aberta das mangas longas e do pano que descia até minha cocha como um sobretudo curto, tinha marcas de feridas em minha massa corporal, os cortes na regata branca que estava por baixo do sobretudo curto eram abertos, das balas que feriram meu corpo, o pano era como o de uma cortina que era queimada pelo sol forte, eu fechava minha mão com as aveias forçadas da força que fiz pra voar, em frente ao pano da camisa branca e arrancava o pano velho da regata de meu corpo, ajeitava o sobretudo e andava com calmaria até o bordeu que eu conheci nessa cidade em que passei, vítimas e vítimas para mim, não para matar mais sim para usar os corpos das mulheres que eu vejo passas atrás e na frente de minha mesa, um arcanjo que aprendeu a viver como um homem não pode ficar sem mulheres sobre seu peito, seria um pecado carnal, depois da morte de minha mulher eu aprendi a beber, beber como um porco bebe, meu corpo cansou, meu poder só acaba, minha postura só decai, mas eu não paro de pecar, pois Deus me jogou aqui.
Eu entro no bordeu, paredes brancas amareladas, lâmpadas amarelas, várias mesas, a maioria com as cadeiras jogadas em cima, o bordeu já vai fechar suas portas por hoje, cada uma tem seu expediente na noite, eu entro com meu corpo grande ando com o resto do sangue em meu corpo piso com a bota de couro no chão de madeira do bordeu, respiro com o suor que escorre em meu rosto bruto, ajeito os braceletes e o resto das peças de ouro em meu braço por baixo do pano do sobretudo curto, paro em frente a única mesa que tem gente, vejo a puta que me conhece em pé ao lado de um homem fraco, a outra limpa a mesa, outros homens velhos se sentam ao redor, olho no rosto de todos com meu olhar amarelo ouro, pucho a cadeira de ferro e a viro, me sento com a costa esposta e seguro e apoio meus braços na parte de trás da cadeira que está em minha frente, ninguém abre sua boca pra falar nada, com um sinal do meu olhar, a prostituta que me conhecia atravessava a mesa andando de cabeça baixa até mim, eu tirava meu capuz, ela tirava o bretudo de meu corpo, minha pele branca aparecia com as feridas das balas, todos olhavam para meu corpo com medo, pavor ou desejo, ela jogava meu sobretudo sobre a mesa, as seis cicatrizes pretas pareciam no meio de minha costa, três de cada lado, as marcas que Deus deixou quando arrancou minhas asas de minhas costas, minha pele era amarelada, meu corpo era quande, as peças de ouro em meus braços apareciam sujas do meu sangue, eu ajeitava as ombreiras de ouro, a puta passava a mão em minha costa tocando as feridas e minhas cicatrizes, ninguém falava um ai, eu olhava o rosto dos homens e da outra mulher e dizia: — vocês conhecem o rosto de um filho de Deus?, hoje um filho de Deus entrou em um bordeu, deixou que uma mulher tocasse em suas costas, tirasse o pano de sua veste, antes da noite sozinha ver o sol cortar o falso céu que Deus não habita, eu usasei o corpo de todas essas mulheres, meu corpo está ferido mas estou maior do que vocês, meu ouro mata minha fome de querer ser o que eu já fui, eu sou o filho de Deus que vocês contemplam com seus rostos cansados como o meu hoje.
A outra mulher me olhava estranho e continuava a tocar um dos homens, o que estava bancando a mesa me olhava com o rosti cansado, a prostituta tocava meu corpo: — a cachaça faz o homem falar bonito, faz o homem achar que é filho de Deus, eu acho que eu sou o inimigo, minha cachaça me faz acreditar isso. Falava com deboche olhando meu rosto com a cara estranha o homem que bancava a mesa, a prostituta mantinha a cabeça abaixada, sabia quem eu era, olhava sua amiga que não falava nada também, começava a beijar minha costa nua, eu falava ao homem: — tu achas que tu és o diabo? Achas que pode matar, roubar e destruir com tua mão? Um homem não destrói nada, não faz mal a ninguém, o homem não tem poder sobre nada, é apenas um carneiro fraco que anda sobre a pista suja do pecado, o inimigo verdadeiro domina o corpo de todos os homens que tu vê, o homem só faz mal a seu corpo próprio, pois o inimigo usa um homem pra destruir somente sua postura.
O outro homem mais baixo falava com temor a mim: — estás mais bêbado que nós, de onde tu tiras tanta piada de rua boca homem?, senta em nossa mesa, faz a mulher ficar submissa a teu corpo, o que tu és?.
Eu respondia levantando da cadeira segurando na costela da prostituta a puxava, beijava sua boca com gosto, tocava seu corpo, ajeitava seu cabelo, ela tocava o meu, limpava minhas feridas com a palma de sua mão, alisava meu cabelo cortado baixo, e ficava ao meu lado: — escutem filhos, quando eu cheguei nessa cidade eu procurava meu filho, não queria nada que não fosse carregar ele em meu colo, mas eu cai em frente a esse bordeu, vi o rosto de homens fracos, como vocês, tentavam roubar e matar, atiram em meu corpo, eu me defendi da forma mais justa possível, meu olhar era minha arma, meu ódio era minha munição, eu matei um por um com minhas mãos, matei sem olhando seus olhos, vi o medo, o temor que eles tiveram em ver um filho de Deus em sua frente, um arcanjo assusta, mas não mata, eu mato, e por ter matado todos, essas mulheres me dão seu corpo de graça, está que eu seguro é a minha preferida seu rosto né lembra minha casa, não gostei de ver ela junto de vocês.
Nenhum abria a boca, quando pensavam em se levantar pra reagir e sacar suas armas meu olho brilhava o dourado igual o das peças em meu braço, o terreno tremia, a prostituta se segurava em mim, a outra mulher corria do colo do homem, eles se colocavam submissos a mim como as prostitutas que eu via olhando meu rosto bruto dentro do bordeu, o homem fazia o sinal da cruz, corriam pro fundo do bar com a respiração ofegante, eu parita andando junto da mulher, eu tocava meu corpo com a agonia das feridas, e entrava no quarto maior me deitando junto dela.
Eu a jogava sobre a cama a carregando, beijava sua boca e a pele de seu corpo, chupava seu seio, colocava suas pernas sobre muleque ombros, mordia sua carne, provava só seu suor com gosto, eu penetrava sua buceta com meu membro, rasgava suas roupas do pano desbotado, mantinhas meu corpo branco grande em cima daquela mulher, fechava minha mão enforcando seu pescoço com brutalidade arranhando sua pele com o cordão dourado que ela usava, beijava seu corpo enquanto penetrava sua carne, ela prendia as mãos nas peças de ouro presas em meus braços, feira seus dedos, seu corpo e seu pescoço enquanto transava comigo, passava suas mãos em minhas feridas com delicadeza, me olhava com medo e tesão, era o que eu queria, eu usava o corpo daquela mulher, comia de sua carne parda, beijava sua boca, mas não dava um filho a ela, apenas mostrava meu corpo grande de arcanjo a o corpo fraco dela.
Com minha vista cansada eu tinha ela jogada em meu colo, eu estava sentado, limpava o suor de minas costas cortadas das cicatrizes de minhas asas, a luz do abajur dourado iluminava o quarto de madeira minha pele branca estava suja mais aquela mulher não queira saber dos meus enfermos, ela queria minha pele e meu suor grudado em seu corpo, tinha medo pois matei vários, me dava seu corpo por medo, o medo que se abraçava com o prazer. Minha vista fechava, eu lembrava de como meu Deus me jogou aqui, após fazer o que fiz, eu vi em cima do cavalo branco o principe do céu, o deus da terra, o cavalo era forte, tinha massa muscular na pele limpa, tinha o olho de fogo como o meu, o homem que morreu pelos homens estava em cima desse cavalo, tinha sua espada em sua mão, não precisava sacar sua lâmina para derramar o sangue de exércitos infinitos no campo de batalha que pisava, seu rosto eu não via, seu corpo era grande, tinha as vestes brancas que o rodeavam, sua presença fazia tremer o céu e a terra meu corpo tremia junto a criação dele, seu olhar era como o fogo consumidor que queimava    como o sol que saiu de sua mão como uma presente a nós, a pele era feita de várias pedras preciosas, o ouro que eu amava predominava seu peito, do lado dele eu via a pomba branca, tinha a pele como ouro branco, o olhar de fogo, mas era o mesmo fogo do olhar do príncipe, um fogo que queimava pra salvar vidas perdidas, ela era imensa, tinha patas de águia, tinha as penas nuas como o corpo de uma grande mulher, o rosto da pomba tinha o bico que era como uma espada, voava em torno do príncipe cortando o vento, o rasgando com seu corpo. No meio eu via o meu pai, Deus mantinha sua postura, era o maior, estava sentado em seu trono, o trono que satanás invejou com sua boca imunda, o trono era feito do ouro que nem mil palácios dessa terra o fariam, tinha pedaços do céu que eram bordados no trono como um troféu para o meu deus, o rosto dele eu via face a face, era fechado imponente, tinha odio e irá do que era do mal, punia o pecado com sua mão e sua espada, Deus era um homem fechado, que sorria pra quem tinha postura e serenidade nessa terra, pois a postura serena é o poder que faz um homem ser como um filho de Deus que fica acima dos outros porcos que não tem a postura que chama a atenção de Deus. eu pisava no terreno de águas brancas, as flores mortas estavam jogadas ao meu redor no terreno, sem minha camisa, minhas seis asas estavam abertas, eu não cobria mais meu rosto nem minhas pernas, estava afastado dos caminhos do meu deus, mantinha meu corpo grande com postura em frente a deus, o céu nublado tinha o branco da luz da Santíssima Trindade que me olhava, a pomba branca era o espírito santo, voava estourando o céu em volta de Deus e de Jesus Cristo o deus que veio a terra, eu não me curvava, pois agora vivia como um homem, Deus olhava a mim, e falava com a voz grossa que estourava o céu: — tu tirastes até a tua armadura que eu te dei, do teu corpo de arcanjo? Queres viver como um homem, usar o corpo de uma mulher, ter uma filho do ventre de uma mulher, beber, fumar, andar dentro de lugares e caminhos largos, tu nasceu pra andar sobre as águas junto a mim, nasceu pra manter a tua postura em caminhos estreitos, tua mão foi feita pra empunhar a espada e fazer a guarda no céu, tu és um arcanjo, nasceu dentro do meu céu, foi treinado pra ser do meu exército e agora quer viver como um homem? Tu não és um homem filho, tu és um membro da minha guarda celestial.
Eu respondia olhando o rosto fechado de Deus: — pai, eu fiz a missão que o senhor pediu a mim, fiz o que saiu da sua boca com minha mão, honrei sua ordenaça como seu arcanjo, mas hoje, eu quero o corpo de uma mulher, eu amei uma mulher no campo de batalha, uma mulher linda que tem a mesma postura que eu, meu filho nasceu hoje, eu beijei seu rosto limpo, era como o meu rosto, eu não quero deixar o céu, mas quero viver como um homem, um pai e um esposo, eu usarei minha armadura quando o senhor ordenar, mas não me tire minha mulher nem meu filho, sou grande pra ser o que eu quiser com minha mão fechada pro que eu não quero ser.
Deus respondia com o ouro que saia de sua boca no céu cortado pelo corpo de pomba que era como o de uma mulher branca grande o espírito santo: — filho, tu não pode viver como um homem e um arcanjo meu, tu escolhe o que tu queres ser e eu te abençoo ou te mostro a minha irá, ela tu conhece mas agora eu vou dar ela a ti, eu sou perfeito, e minha irá faz parte da minha perfeição, um arcanjo que não cobre seu rosto e suas pernas perante a Deus já se perdeu, eu o julgarei e darei sua sentença pois o único e verdadeiro juiz sou eu.
Eu subia com violência pro céu, não havia pisado lá por nove meses, eu estava ajoelhado em frente a mesa grande larga de mármore branca com o dourado do ouro que a cercava, o céu era branco com vários palácios imensos, mulheres santas me olhavam com seus olhos de irá pois viam meu pecado, o sol do céu era imenso, milhares de vezes maior do que o que iluminava a terra, demorava mil anos para contornar o céu, era branco mas não era ele que iluminava o céu, era deus sua luz não se comparava com a luz do altíssimo, mas deus queria que no céu tivesse tudo da natureza da terra, na mesa grande eu via Deus ao lado do Deus sério e maturo, que desceu na terra, e do espírito santos que se matinha voando com o corpo grande de pomba com o pico de espada e as patas de águia, ao redor da mesa tinha satanás e vários santos, todos vendo meu julgamento, Deus os permitiu vir a sua mesa pois queria que o bem e o mal visse a minha escolha eu matinha o rosto fechado, meu joelho sangrava no ouro do chão que eu estava, meu corpo grande tinha a pele amarelada como o concreto das estátuas gregas e das  celestiais que eu via ao redor dos palácios do céu, meu rosto fechado olhava quem me julgava mas eu não tirava o rosto do altíssimo, todos vestiam suas armaduras douradas e escuras quevradas e novas, eu estava com as algemas douradas de Deus prendendo meus braços, meu sangue descia em minha pele, em temor a Deus, meu pai fazia minha armadura aparecer em meu corpo estourando o céu, a armadura grudava em minha carne meu ferido mas me vestindo como arcanjo pela última vez, era grande toda de ouro com o rosto do leão no meu peito e o capacete que fechava meu rosto, minhas asas apareciam, eu era obrigado a cobrir meu rosto e minhas pernas.
Deus me julgava com sua voz séria, eu já não tinha temor, não tinha mais nada, mal eu sabia, mas lá não era mais o meu lugar, minha postura agora era outra, desde que o mundo é mundo eu vivi como um arcanjo da guarda de Deus, hoje eu sou um homem perdido, que se deita com várias mulheres, uso da bebida e do cigarro, mato e vejo meu sangue derramar em meu corpo quando quero usar minha força de arcanjo, eu olhava o rosto de Satanás e mantinha minha postura, agora eu era o filho caído, olhava os santos que me ensinaram palavras sábias, olhava os arcanjos e via que eu não era mais como eles, eu via o rosto de Deus que tinha nojo do que eu era, ele falou: — Kalna, tu saiu de minha mão, te moldei como moldei todos em tua volta, tu és parte de mim, mas hoje eu pergunto a ti quem tu queres ser, o que sair da tua boca de arcanjo, será o que você será, eu te amo meu filho, mas você perdeu meu respeito, quebrou a confiança do teu deus, não posso andar pro caminho da benção por ti, eu sou o pai, tu és o filho, tu cria a tua postura, tu queres viver como um arcanjo no céu, sendo o que o eu escolhi pra ti e continuando fazer o que eu queis quando tu fiz em minha mão, ou tu queres viver na terra junto a tua mulher e o teu filho que nasceu da blasfêmea da carne de um arcanjo junto da de uma mulher, e ser como o homem é, fraco sujo podre, com o coração cheio do pecado que eu renego, mas perdoou por pena e porque sou o pai de todos vocês, e não posso perder o que eu sou assim como tu perdeu, fale meu filho Kalna, o que tu queres?.
O suor da saudade da ida e da vontade de não sair de minha casa escorreu eem meu corpo, meu rosto viu a lágrima por baixo das penas de minhas asas que o cobriam, eu só via o rosto de meu pai, e falava abrindo meus braços sujos na armadura de ouro em frente a mesa do rei: — eu quero a minha mulher, meu filho, e o que eu sou, não quero mais ser da guarda celestial do senhor, quero andar sobre a minha água, ser um homem, pois meu compromisso é com a minha família.
Ninguém falava nada, a pomba branca do espírito santo passava com seu corpo grande de mulher em suas pelas cortava meu corpo estourando partes de minha armadura com suas patas de águia, curvava suas penas cheias de marcas grossas na pele de mulher e cortava minhas seis asas com o bico de espada, eu gritava com ódio e dor da perda de não ser mais um arcanjo de Deus, foi quando a mão de Deus baixava sobre mim, eu não via mais choro em meu rosto, meu corpo grande caia do céu eu via minha pele engrossar como concreto de estátua, caia estourando o céu com meu corpo, o fogo queimava minha pele endurecida, meu rosto ardia da dor, eu gritava como um filho que nascia, mas agora eu seria um homem, os buracos de minhas asas fazia voar o sangue no céu dourado queimado, minha armadura dourada quebrava com o impacto do céu, estourava as penas da armadura, os pedaços dos braços, as costas, o peito, e o capacete, o ouro da armadura grudava cortando minha pele, derramando o sangue em meu corpo, minha pele grossa sujava do meu suor e do meu ódio, eu caia em frente a minha morada, não via o rosto de minha mulher nem de meu filho, meu corpo estava em ruínas, jogado perdido no chão do meu novo terreno, eu rastejando no chão ajuntava os pedaços dos braços de minha armadura e prendia nos meus, as peças de ouro que foram as únicas que sobraram, aquele ouro que eu prendia no meu braço era eu, eu queria me lembrar do que eu era no céu, queria ser o arcanjo que eu era, as peças de ouro me lembram do que eu sou.
Foi quando eu vi o rosto de minha mulher e de meu filho, eu via o corpo de minha mulher morto, vestindo suas cestas simples que eu a dei, estava jogada em frente a meu casarão, tinha o rosto fechado, segurava com a mão fechado meu filho, tinha o toque com delicadeza com o sangue derramado em na palma de sua mão, não tinha maquiagem em seu rosto, era uma mulher pura, era a mulher que me fez deixar Deus, e querer o seu rosto limpo, era a mãe do meu filho, e eu vi ela morta, meu filho dormia na deitado sobre a barriga de minha mulher, eu tentava me levantar, me levantava como um cavalo que não tinha força em suas patas, Deus feriu meu corpo, eu não o amaldiçoei por isso, sustentei minha postura, andei com as feridas e o ouro preso em minha pele grossa como concreto, limpava o corte em meu rosto e cabeça por cima do cabelo curto castanho Claro, meu rosto boleado era de choro, andava, mas mas não tinha força, olhava quanse perto do meu filho, o rosto de arcanjo dele, olhava chorando, mas mantinha minha postura com o corpo ferido, eu via um querubim de rosto feminino e masculino ao mesmo tempo aparecer atrás do corpo de minha mulher, sujava sua bata branca de sangue, segurava meu filho com suas mãos pequenas e o limpava com suas asas, ele virava meu filho a mim, eu gritava pedindo que ele não levasse meu filho, ele não falava nada, era uma criança, ele sumia no céu com meu filho, eu chorava pois sabia que era o meu castigo, Deus tirou meu filho e minha mulher de mim, pois foi o pecado que eu fiz quando ele me deu minha missão, eu criei o ódio em meu coração, eu agarrava o corpo de minha mulher e misturava o meu sangue com o dela meujava sua boca, sua testa, e provava sua pele pela última vez com minha mão aberta e meu beijo, chorava agarrado com o corpo de minha mulher e cantava com minha voz grossa estranha a música que ela me ensinou: — filha, agarro a luz do teu corpo de mulher, protejo teu corpo com meu sereno corpo de arcanjo que te guarda, tu és minha arcanja da guarda de minha mente, eu sou teu homem, mulher.
Eu estava agarrado com o corpo de minha mulher, minha pele grossa amarelada como o concreto da estátua de arcanjo grudava com o ouro e o sangue de minhas feridas abertas cá pele branca do corpo de minha mulher, eu amaldiçoava deus pelo que ele fez, eu não o queria mais como meu pai, não tinha força pra ser o que eu era, mas mesmo assim, ainda queria ser o arcanjo que eu era, mas agora eu tinha que ir atrás do meu filho, pois eu não seria mais um arcanjo agora eu era um homem perdido.
Eu acordava antes do sol nascer na cama do bordeu, e escondia em minha mente o que havia lembrado, levantava meu corpo grande e olhava ao redor, a minha preferida estava em meu colo dormindo como a filha de Satanás perdida em meu corpo, ao redor eu via as várias mulheres que chamei durante a noite sem lembrar de seus rostos, todas nuas, o pano vermelho escuro e branco de suas vestes estavam jogados por cima de seus corpos, tampando partes de sua pele, magras, encorpadas, pardas morenas e brancas, todas jogadas uma em cima da outra, perto da minha preferida não havia nenhuma, eu me mantinha como o dono daquelas mulheres, tinha o sexo delas, o tesão do corpo delas, mantinha meu corpo grande por cima delas, mas não tinha paz, não tinha nada, estava sozinho, vazio, já fui um arcanjo que tinha vários do meu exército ao meu redor tinha deus como meu pai, vivi em um mundo cheio de pessoas pra eu dar proteção, e da administração de vários, hoje eu vivo como um homem, perdido, sozinho, sem amor, sem lembrarem do meu rosto, sem nada pra oferecer ao mundo, jogado andando pelas cidades do Pará, perdido, usando do corpo de mulheres que eu não conheço e que não honram minha postura pra eu me sentir grande no meio de porcos. Eu levantava da cama grande, andava sobre o corpo das mulheres, tocava e chupava suas peles suadas, abria a porta do quarto, segurava o sobretudo preto em minha mão, andava com as peças de ouro em meus braços, as seis cicatrizes em minhas costas molhadas do suor das mulheres que usei, minha pele dura como concreto fazia eu passar como um monumento perante o olhar dos vários que bebiam no bar esperando as prostitutas acordarem pois todas eu tinha em minha mão na madrugada de lembranças perdidas, dava um beijo no rosto da dona do bordeu com sarcasmo no rosto sereno e saia do bar vestindo o sobretudo em meu corpo.
Na noite do começo do mês eu cheguei até essa cidade, voando com minhas falsas asas, cai em frente a esse bordeu, levou um mês pra eu vasculhar toda a cidade mas não achei meu filho, quando cai o bordeu estava aberto, via o corpo das melhores mulheres que usei escondidas dentro do bordeu, olhavam meu corpo caído, branco grande. Cheio das feridas, olhavam as peças de ouro em meu braço, os cortes em meu peito e abidomen, meu rosto bruto com a máscara dourada que eu arrancava de meu rosto, não vinham até mim por temor, eu via os seis homens em frente ao bordeu, brigavam pós queriam usar o corpo das mulheres de graça, seguravam em seus braços a força a que virou a minha preferida, ela olhava com o olhar sereno como o meu que chamou minha atenção, e não queria aqueles homens fracos, eu levantava meu corpo grande, ajeitava a fivela redonda do cinto que tinha a imagem do cavalo dourado, tirava o sobretudo do meu corpo e o jogava no chão, o ouro em meus braços era o resto de minha armadura, hoje aquelas pessoas viam um arcanjo vestindo sua armadura, mas que tinha a mesma perdição deles no meu peito, eu corria com o semblante fechado e agarrava o primeiro, o jogava no chão segurando em suas pernas e caia com meu peito pesando em seu corpo e estourava sua cabeça com um soco, meu corpo descontrolado da queda tinha o sangue correndo pela minha pele grossa, eu matava um por um, estourava seus crânios com minha mão, o corpo deles estava rodeando o terreno, ninguém falava, olhavam admirados o corpo sujo daqueles homens, estavam sem suas cabeças, sem seus rostos, não tinham mais a perdição e sua mente, pois nós tinham mais vida, não eram mais homens, eram porcos que eu matei com minha mão, eu olhava o último que estava em pé, dava tiros em meu peito e eu sentia as balas me cortar, eu avançava com minhas falsas asas que se formavam como ouro em minhas costas, eu agarrava o homem e o jogava pra dentro do bordeu estourando a porta, e estourava seu crânio no meio do salão, levantava e olhava o rostos das mulheres e via temor, mas admiração pois eu matei os que queriam fazer o mal, agora eu tinha o meu presente, o corpo delas de graça, a carne delas era a minha comida pra me manter pelo resto do mês até eu achar meu filho, mas não achei.
No dia de hoje eu ando com minha postura séria em frente a esse mesmo bordeu, deixo meu pedaço de perdição pra trás, ando calmo pisando na terra do terreno, o sol queima minhas peças de ouro e unha pele grossa, quero o meu filho em minhas mãos, o amor de uma mulher pode acabar com sua ida, familiares morrem e deixam o vazio, o ódio forma minha postura e vira o que eu sou, mas um filho vira minha companhia pra eu esquecer minha perdição e minha dor, eu quero proteger alguém.









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