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Capítulo Único

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Sentia a chuva caindo sobre meu rosto, enquanto junto dela, a fumaça de meu cigarro entrava pelos meus pulmões, que mesmo acostumados, ainda traziam certo desconforto com a sensação após um tempo sem ela.

Eu havia prometido para ele, Joui sabia que eu não iria conseguir cumprir com minha promessa, e tudo bem, ele tentava me ajudar mesmo assim. Sabia que o vício era o que me acalmava, mesmo sendo completamente contra, me entendia.

Apoiado na varanda de nosso apartamento com Arthur, tal qual tinha saido com Dante, seu namorado, eu olhava para o céu nublado, que mesmo após tanta chuva, ainda regava nossa cidadezinha e inundava minha cabeça com calmaria. Este era um dos únicos momentos em que meus pensamentos paravam. Tudo inexistia dentro de minha mente, menos ele. Joui sempre esteve lá, e sempre vai estar.

Desde que conheci ele, sabia que meus sentimentos se elevariam, e como não? Uma pessoa tão boa e carinhosa como Joui era impossível de não se apaixonar. Seu sorriso bobo, seus traços asiáticos, seus ciúmes, seu cabelo raspado e sua cicatriz em formato de x. Tudo me trazia conforto em si, e ele sabia disso, ou pelo menos eu acho que sabia.

- César-kun? - ele me chama a atenção, logo atrás de mim, me dando um pequeno susto.

- Oi Joui. - respondo calmo, não tentando esconder o cigarro em minha boca, o cheiro já me denunciava, de que adiantava esconder? - tudo certo?

- Bom, comigo sim, e com você? - ele começou a falar, logo se sentando ao meu lado.

- Você sabe como é, aquelas crises estranhas e tals... - digo, tentando ao máximo não encarar seu rosto delicado.

- Entendi. - ele se aproxima mais de mim, quase encostando seu braço no meu, olhando para frente, admirando a escuridão de uma noite chuvosa, assim como eu. - quer desabafar?

- Eu... não sei... - digo ainda sem o encarar.

- Tudo bem, eu acho melhor te deixar aqui então... - ele diz, quase se levantando.

- Espera. Fica aqui comigo, por favor. - falo, o segurando pelo seu pulso, sem força alguma, mas mesmo assim o prendendo por algo muito mais forte que força bruta.

- Claro. - ele se senta novamente. Dessa vez, sem algum receio, escoro minha cabeça em seu ombro. O vejo assustar com essa ação, tal qual não é muito de meu feitio, mas havia tanto tempo que queria fazer isso que apenas me deixei levar.

- Desculpa Joui, eu não consegui cumprir a promessa... - falo me referindo ao cigarro, agora em minha mão destra.

- Ei, tudo bem César-kun, não precisa se pressionar.

- Mas eu tinha te prometido. E eu quebrei de novo. Eu sou estúpido, desculpa Joui.

- César-kun! Tudo bem! De verdade. - ele fala, logo em seguida roubando meu cigarro. - Eu só não entendo o que você tanto vê nessa forma barata de "relaxamento"...

- Joui, isso é um cigarro normal, não de maconha. - respondo, segurando um riso súbito.

- Eles não fazem a mesma coisa, não?

- Não... - sorrio um pouco pela inocência de Joui.

- A... Entendi, claro que eu sabia disso.

- Tá bom, agora me devolve o cigarro, eu preciso jogar ele fora. - mudo de assunto, tentando pega-lo de sua mão. Tal qual se afasta, desviando de mim.

- Nah ah. - ele nega com a cabeça. - Eu ainda quero saber o que você vê nessa... coisa...

- Ué, eu vejo um cigarro?

- Não de forma literal!

- Joui, cê quer experimentar? - pergunto, levantando uma sobrancelha em dúvida, não sabendo se havia compreendido completamente a situação.

Má influência - JoesarOpowiadania do pokochania. Odkryj je teraz