Kim Jisoo
20/02/2025
Eu sempre fui o tipo de pessoa que preferiu guardar tudo pra si, do que compartilhar com alguém. Desde pequena, nunca se quer me permiti chorar, na verdade, desde a morte da minha vó, Kim So-hee e do meu irmão mais novo Kim Yi-jae.
Meu irmão e minha vó morreram em um acidente de carro, era um dia extremamente chuvoso, estávamos eu, ele e a nossa vó, ela ia nos levar pra busan, íamos visitar uns familiares. Não dava pra ver quase nada pelos vidros do carro, só me lembro de ter acordado em um hospital, até hoje tenho sequelas desse acidente, a mais persistente, é que as vezes não escuto muito bem, não sei o que acontece, apenas quando fico muito nervosa ou passo por algo, simplesmente não consigo ouvir por alguns minutos até me concentrar, ou, quando escuto muito barulho, acabo não escutando quase nenhum som.
[...]
Estava dirigindo meu carro esportivo, tinha acabado de sair de uma discussão com meu pai na nossa casa. Era sempre assim, ele dizia que queria uma coisa e eu simplesmente recusava. Até porque não tem como fazer o impossível, não é? E minha mãe, como sempre, ficava do lado dele. Apesar dela sempre querer me proteger, essa era forma dela de dizer que estava me protegendo.
Sempre gostei de mulheres, isso nunca foi um segredo. Desde pequena, eu já mostrava sinais, sempre falava que mulheres eram mais bonitas e interessantes do que os homens. Me assumi quando tinha 17 anos. Mas ainda insistem em me “consertar”, como se houvesse algo em mim que precisasse de conserto.
Poucos minutos atrás, eu discutia com meu pai sobre casamento. Ele queria que eu me casasse com o filho mais velho da família Jung, Jung Haein.
Desde o ensino médio estudávamos juntos, e nossos pais sempre tentaram nos empurrar um para o outro. Só que sempre deixei claro para o Haein que eu nunca teria nada com ele, por gostar de mulheres. Nunca escondi isso dele. Até então, ele era compreensivo e dizia que não importava o que eu decidisse, ia me apoiar em qualquer coisa. Chegamos até a “namorar”, mas tudo foi uma fachada. Nunca demos certo, estávamos sufocados um com o outro.
Atualmente tenho 25 anos. Há quatro meses, me formei na faculdade de Direito e hoje estou sendo treinada para assumir o escritório de advocacia da família, na empresa do meu pai. Apesar de trabalhar como advogada, praticamente todos na nossa família possuem formação em Direito, mas atuam como administradores de empresas.
Nunca entendi muito bem o porquê disso, mas também nunca contestei. Até porque eu era apaixonada por direito, principalmente pela advocacia.
[...]
Já eram quase 20h, e eu resolvi ir a uma boate para me distrair. Fazia alguns dias que eu não saía, então decidi dar uma volta. Precisava desligar a mente, esquecer por um tempo tudo que vinha acontecendo.
O som alto, as luzes coloridas e o cheiro de bebida misturado ao perfume das pessoas me fizeram relaxar um pouco. Pedi um drink, depois outro… e quando percebi, já tinha perdido a conta.
Foi então que vi uma mulher sentada sozinha no balcão, com um olhar distante e um sorriso que parecia esconder o que realmente sentia. Cabelos escuros, pele delicada e um brilho nos olhos que me hipnotizou. Resolvi me aproximar.
— Posso me sentar aqui? — perguntei, tentando parecer confiante.
— O bar é público, não é? — ela riu de leve.
— É… mas eu quis ser educada. — sorri, e ela retribuiu.
Conversamos por um tempo, e aos poucos, o álcool e a conversa foram dissolvendo qualquer barreira entre nós. Descobri que o nome dela era Jennie. Estava ali pelo mesmo motivo que eu, tentar esquecer o mundo por algumas horas.
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You and Me
RomanceEssa história gira em torno de um amor que nasce onde não deveria. Kim Jisoo, uma mulher forte, racional e acostumada a ter controle sobre tudo, vive sob pressão constante. É nesse cenário que surge Jennie Kim, inicialmente como um encontro casual...
