01 O olho que vê caminhos

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Maathai caminhava pela cidade, por ruas cheias de luzes piscando e placas quebradas caindo das fachadas. Grafites africanos cobriam os prédios, enquanto dutos enferrujados despejavam lixo em vários cantos, formando montanhas instáveis que cresciam dia após dia. O garoto estava em busca de objetos valiosos - qualquer coisa que pudesse vender ou reutilizar. Ativou o olho cibernético esquerdo, e o mundo se redesenhou diante dele em linhas, cálculos e rotas possíveis. Caminhos abertos surgiram entre as montanhas de lixo, trilhas improváveis que apenas alguém atento conseguiria perceber. Ao identificar algumas passagens seguras, Maathai desativou o implante para poupar a pouca bateria que ainda restava. Escolheu o trajeto que lhe pareceu mais rápido e começou a subir, equilibrando-se entre sucata, placas de metal e carcaças de máquinas esquecidas.

Enquanto avançava, pegava objetos que chamavam sua atenção. Avaliava rapidamente: o que tinha utilidade era guardado; o que não servia, era descartado sem hesitação. Não havia espaço para apego naquele lugar. Já na metade da montanha, um brilho diferente rompeu o cinza do lixo. Não era reflexo comum. Maathai estreitou os olhos e mudou a rota, seguindo em direção à luz. Estava se aproximando quando algo se moveu rápido demais. Um rato saltou em sua direção, os dentes à mostra, tomado por fúria. Maathai recuou instintivamente - mas o ataque não se completou. O som seco de metal cortando o ar ecoou. O facão atravessou o rato antes que ele tocasse o chão, cravando-se na sucata logo atrás.

- Nunca erro. - A voz veio do alto da montanha vizinha. Uma garota de pele bem escura e cabelo Black Power sorria com confiança. Em um salto firme, ela atravessou o espaço entre as montanhas de lixo e puxou o facão de volta, como se o peso da lâmina fosse parte do próprio corpo. - Prazer, dredinho - disse, apoiando a arma no ombro. - Também tá catando as bugigangas do alto?

- Obrigado. Eu não tinha o visto.

- Tem muito desse por aqui, aparecendo toda hora. - Maathai olha bruscamente para trás avistando drones sobrevoando com seus sensores de movimentos.

- Vigilantes voadores, se esconde. - O alerta veio tarde demais. Akanni já corria em direção ao facão preso ao rato quando o zumbido metálico dos drones cortou o ar. Dois vigilantes aéreos desceram rápido demais, seus sensores piscando em vermelho. Ela correu em direção à saída com dois vigilantes aéreo no seu encalço. Maathai ativou o olho esquerdo. O mundo desacelerou. Ele apanhou um pedaço de sucata no chão e arremessou com força. O objeto girou no ar e atingiu um dos drones, que perdeu estabilidade e se chocou contra as pilhas de metal. - Falta um! - gritou. Akanni olhou por cima do ombro, avaliando a distância. Girou no próprio eixo, firmou os pés e lançou o facão. Errou. Os olhos dela se arregalaram. Sem parar, voltou a correr. Maathai agarrou uma barra de ferro solta, subiu na pilha de sucata e saltou. No ar, trouxe o peso do corpo para frente e atingiu o segundo vigilante em cheio, derrubando-o contra o chão com um estrondo seco.

- Ufa! - respirando fundo. - Essa foi por pouco. - Pegando fôlego e indo buscar o facão.

- Para quem disse que não errava nunca...

- Foi o cansaço.

- Sim, foi sim. Eu percebi. - Rindo. - Colocando nas costas e desativando o olho.

- Vamos sair daqui que está ficando tarde e perigoso. - Pegando os drones e ambos seguem para a saída do lixão em direção ao Barro Preto.

Jagun - Guerreiros ancestraisDes histoires addictives. Découvrez maintenant