Pedindo desculpas desde já se as falas do Cristino não estejam tão fiel, já que ele é um cangaceiro, mas eu tentei o meu máximo. Se houver algum erro ou má escrita, peço paciência, é a primeira vez que posto alguma coisa, inclusive, por esse motivo a capa está tão deplorável.
Aproveitem!
...
Sua presença era marcante, chamava atenção por onde passava e os olhos de Henri notavam cada passo que dava em sua direção, ou pelo menos desejava que fosse em sua direção. Talvez... morrer nas mãos daquele cangaceiro não fosse uma ideia tão ruim. Era o que pensava no momento, mas podia e com certeza era só o desejo agindo em sua cabeça.
A postura firme e séria que o outro carregava era o suficiente para que se atraísse por ele, mas como se mantinha em mistério e não compartilhava nada, muito menos falava, abrindo a boca apenas para responder o necessário e somente o que precisava ser dito, fez com que Henri ficasse um pouco obcecado demais pelo homem.
Quem é você, Cristino?
Se perguntou, olhando pelo binóculo que havia pego da Kemi, encarando Cristino caminhar em sua direção, ou melhor, na direção oposta do lago, quase como se fosse até a antiga barraca do pomba, onde estava escondido e mesmo sabendo exatamente para onde ele seguia, por algum motivo... aqueles olhos pareciam ver onde estava. Mesmo que estivesse se escondido tão bem... porra, aquela sensação de que o homem sabia exatamente o que estava fazendo e que mesmo assim tinha deixado acontecer, quase o matava de tesão.
Em silêncio, quase como se fosse um fantasma, deixou suas armas escondidas num buraco feito no chão, qual Henri já havia decorado a localização. Cristino tirou seu chapéu e medalhão, guardando junto com o restante das suas coisas, escondendo tudo com cuidado.
Cada movimento parecia lento o suficiente para torturar aquele que assistia, como tirava sua camisa de forma sedutora, revelando seu peitoral com alguns pelos adornando seu corpo, que já era belo por si só. Seus braços musculosos também chamavam a atenção daquele que suplicava por atenção, escondido na barraca mais próxima.
Se virou por um instante para poder pegar a gambiarra que fez para apoiar o binóculo na mesa. Tinha feito quase que um pequeno escritório para poder vigiar Cristino depois que descobriu que o cangaceiro gostava de se lavar no lago. Colocou uma mesa e uma cadeira dentro da barraca, obviamente na direção em que pudesse ver o homem, fez um rasgo sutil no tecido e uma gambiarra para deixar o binóculo apoiado, afinal, a única mão que tinha, ficava ocupada nesses momentos.
Quando voltou sua atenção para o lago, estranhou que não havia mais ninguém ali, para onde aquele homem havia ido? Não era possível que tivesse sumido feito um fantasma e deixado suas coisas para trás... Tão de repente. Henri pegou o binóculo novamente, tentando encontrar o homem pela pouca fresta que tinha ali, procurando por qualquer resquício daquele pecado ambulante.
Só se esqueceu de verificar atrás de si e foi tarde demais quando percebeu, afinal, Cristino, sem fazer um único barulho sequer, entrou na barraca e foi na direção do sacrifício. Seus olhos, pela primeira vez, revelaram algo... raiva. Estava irritado quando viu Henri procurar por si através do binóculo.
— Onde você se meteu, Cristino... — sussurrou, concentrado demais para perceber o homem logo atrás de si, perto demais.
— Então é você que anda me rondando... — Cristino finalmente falou.
A voz quase grave, misturada com a raiva era eminente, arrancando um pequeno pulo do rapaz a sua frente, que se virou imediatamente, assustado, com seu corpo arrepiado. Cristino acreditava ser medo, mas nosso sacrifício sabia muito bem que era o efeito causado pela voz do cangaceiro. Por deus... como queria aquele homem dizendo coisas sujas no seu ouvido enquanto socava em si sem piedade alguma.
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Cabana Infernal
FanfictionHenri fica obcecado pelo cangaceiro misterioso e depois de uma segunda ida ao acampamento dos pássaros com Aguiar, percebeu uma presença no lago. Desde então, começou a fazer algumas visitas para se divertir sozinho, só não esperava que o homem foss...
