***Atenção***
Obra destinada para maior de 18 anos.
Contém alguns gatilhos, e entre eles, cenas de sexo explícito.
Rindou Haitani foi criado para ser a perfeição em forma de nobre: ele nunca erra um passo na dança, nunca amassa o quimono e, acima de...
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Rindou Haitani
O cheiro do incenso de sândalo sempre me pareceu estranho, sufocante demais. Eu prefiro o odor leve e efêmero dos incensos de flor de cerejeira; afinal, estamos na época perfeita para assistir ao florescer desse espetáculo pintado de rosa nos jardins do palácio.
Rosa... Essa cor sempre me remete ao conforto, à paz, à serenidade e à tranquilidade. Enfim, sentimentos leves, gostosos de se carregar no peito. Sentimentos que, hoje, parecem distantes.
Enquanto meu irmão, Ran, caminhava livremente pelos jardins, observando o voo errático das borboletas como se o destino do clã Haitani não estivesse sendo selado em uma sala de chá fechada a poucos metros dali, eu permanecia estático. Estava ajoelhado sobre o tatame, olhando para além da janela, em um esforço para ignorar o peso do mundo. Minhas costas estavam retas e minha postura impecável, como sempre; exatamente como fui treinado para ser. O filho perfeito. A face pública da ordem. O filho escolhido para o sacrifício.
Muitos perguntariam — e os sussurros já corriam pelas vilas de Roppongi como fogo em palha seca — porque o primogênito, o herdeiro direto, não era aquele que entregaria sua mão em matrimônio. A resposta era tão estratégica quanto cruel. E maior do que se dá para explicar em apenas um dia.
Há três invernos, as terras que dividiam o domínio Haitani e o território do Clã Akashi ficaram vermelhas. O que por anos foi chamada de "Guerra das Sombras" não deixou vencedores, apenas campos de arroz queimados, vilas silenciosas e linhagens enfraquecidas. Para que ambos os clãs não fossem devorados pelos senhores de terras vizinhas — como os Clãs Shiba e Sano, que espreitavam como lobos famintos —, um acordo foi firmado. Um laço de sangue para interromper o derramamento de sangue e evitar mais guerras que, no fim, não levavam a nada além de túmulos rasos.
Ran não poderia se casar. Como futuro Daimyo, ele precisava estar livre para liderar nossos exércitos e, futuramente, gerar um herdeiro que carregasse o sangue Haitani puro em suas veias. Eu, o segundo filho, era a peça de sacrifício perfeita. Eu era o selo de cera na carta de paz que seria enviada para o Clã Akashi.
E pensar que eu nunca havia refletido muito sobre casamentos... Mas agora que o acordo era selado na sala ao lado, eu me permitia dar um pouco de atenção a isso. Se não fosse pedir muito — para alguém que mal pôde escolher o próprio destino — eu gostaria de paz. Um casamento que, mesmo sendo de fachada, trouxesse quietude e rendesse alguns momentos de risadas e trocas sinceras. Se bem que, ouvindo sobre a fama do filho do meio do clã Akashi, meus desejos pareciam, sim, ser um pedido impossível.
— Você parece tenso, Rindou — a voz de Ran ecoou da varanda, divertida, embora houvesse um brilho inegável de pena em seus olhos. — Dizem que o filho dos Akashi é... uma força da natureza.