•Capítulo 1•

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A Garota Nova e o Rei da Quadra
Ponto de Vista: Jules

Sério, eu mal cheguei nessa escola e já tô de saco cheio. O cheiro de cera de chão misturado com perfume caro e desinfetante me dá náuseas. É tudo muito "perfeito", sabe? Tipo, perfeito demais. As paredes são brancas demais, os armários são alinhados demais, e os alunos... ah, os alunos são a pior parte. Parecem ter saído de um catálogo de moda adolescente, todos sorrindo e falando sobre o próximo baile ou a próxima prova de química. Eu sou o borrão de tinta preta no meio de um desenho a lápis.

Eu sou Juliana Oliveira, mas prefiro Jules. Acabei de me mudar para essa cidadezinha de interior que cheira a dinheiro velho e ambição. Meu pai conseguiu um emprego aqui, e eu fui arrastada junto, deixando para trás a única coisa que me importava: o caos criativo da minha antiga escola de artes. Agora, estou presa em um lugar onde a maior preocupação é se o time de basquete vai ganhar o campeonato estadual.

E o rei desse circo de perfeição é o tal do Lucas Almeida. "Luz", como chamam. Que brega. Ele é o capitão do time, o aluno nota dez, o filho que toda mãe quer ter. Eu vi o pôster dele no ginásio: a foto dele, suado, sorrindo, com a legenda "Nosso Futuro Brilhante". Futuro brilhante, tá. Aposto que ele já tem a vida inteira planejada em uma planilha do Excel.

Ele anda pelos corredores como se fosse dono do lugar, e de certa forma, ele é. A galera abre caminho, as meninas suspiram, e ele nem percebe. Ele tem aquela aura de intocável, de quem nunca teve que se esforçar de verdade para conseguir o que quer. E o pior: ele é lindo. Tipo, absurdamente lindo. Cabelo castanho claro sempre impecável, olhos verdes que parecem te analisar e um corpo de atleta que, eu admito, é de tirar o fôlego. Mas a perfeição dele me irrita. Me dá vontade de pegar um pincel e jogar tinta vermelha na cara dele.

A namoradinha dele, a tal da Bianca, é a rainha do drama. Loiríssima, vestida com a última moda, e grudada no braço dele como se fosse um acessório de grife. Ela me olhou de cima a baixo quando passei por eles perto dos armários, e eu devolvi o olhar com um sorriso que prometia problemas.

O ápice da minha manhã infernal aconteceu no refeitório. Eu estava tentando equilibrar minha bandeja, meu caderno de esboços e minha mochila pesada, enquanto procurava um canto escuro e esquecido para almoçar em paz. Foi quando ele surgiu.

Lucas estava no meio de uma rodinha de jogadores, rindo de alguma piada idiota de basquete. Ele se virou de repente, sem olhar, e BAM! A colisão foi inevitável. Meu copo de suco de uva, que eu tinha acabado de pegar, voou e se espatifou na camisa branca, imaculada, do Lucas. Não foi só um respingo. Foi um desastre roxo, manchando o peito e o ombro dele.

O refeitório inteiro parou. O silêncio foi tão pesado que dava para ouvir o gotejar do suco na bandeja. A Bianca soltou um gritinho agudo, tipo "Meu Deus, a camisa dele!". Os jogadores ficaram tensos, prontos para me defenderem. Mas eu não me mexi. Fiquei ali, parada, olhando para a mancha roxa que parecia uma obra de arte abstrata na tela branca dele.

Ele me olhou. Não era um olhar de raiva comum. Era um olhar de ultraje, de quem teve sua rotina perfeita interrompida por um erro de cálculo. Aqueles olhos verdes, que eu tinha visto sorrindo nos pôsteres, estavam frios e duros.

"Você não enxerga por onde anda, garota?", ele perguntou, a voz baixa, mas carregada de autoridade.

Eu dei de ombros, peguei um guardanapo da minha bandeja e tentei limpar a mancha, o que só piorou a situação.

"Foi mal, Luz. Pelo menos agora você tem uma mancha de personalidade", soltei, com o sarcasmo escorrendo da minha voz. Eu usei o apelido de propósito, para irritar.

Ele parou minha mão. O toque dele foi rápido, mas firme. "Não me chame de Luz."

"Por quê? Não combina com o seu brilho?", provoquei.

A Bianca se aproximou, histérica. "Você vai pagar por essa camisa, sua... sua pichadora!"

"Pichadora? É o melhor que você consegue, Barbie?", eu rebati, sem tirar os olhos do Lucas.

Ele ignorou a namorada e se inclinou, o rosto a centímetros do meu. O cheiro dele era de sabonete caro e suor fresco, uma combinação estranhamente viciante. Ele sussurrou, só para mim, para que ninguém mais ouvisse a ameaça.

"Escuta aqui, Juliana. Eu não sei de onde você veio, nem o que você pensa que está fazendo. Mas essa escola tem regras, e eu sou um dos que as mantém. Você não vai durar uma semana aqui, garota nova. Eu vou garantir isso."

Eu senti um arrepio, mas não de medo. Era de adrenalina. Ele estava me desafiando. E eu adoro um bom desafio.

Eu sorri, um sorriso lento e perigoso. "Ah, é? Então se prepare, Lucas Almeida. Porque eu não vim para durar uma semana. Eu vim para mudar o jogo."

Ele se afastou, pegou a bandeja e saiu do refeitório, deixando a Bianca para trás, resmungando. O silêncio se quebrou em cochichos. Eu tinha acabado de declarar guerra ao Rei da Quadra. E, honestamente, nunca me senti tão viva. Eu sabia que a partir daquele momento, a rivalidade seria a única coisa que nos conectaria. E eu mal podia esperar pelo próximo round.

Eu peguei minha mochila, ignorando os olhares, e fui para o meu canto. Mas eu não estava mais procurando um canto escuro. Eu estava procurando um lugar de onde eu pudesse observar o meu novo inimigo. O jogo começou. E eu não vou perder.

Perfeito 😄🫶
Aqui vai bem informal, do jeitinho de Wattpad:

Oi gentee 💕
Essa é minha primeira fanfic, então tô um pouco nervosa kkk. Escrevi com muito carinho e espero que vocês gostem. Obrigada a todo mundo que tá lendo, comentando ou só acompanhando. Já significa demais pra mim 🤍

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⏰ Last updated: Jan 06 ⏰

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