Depois de tudo o que aconteceu, viver em Hawkins passou a pesar diferente.
Enquanto a cidade tenta fingir normalidade, Max e Lucas crescem lidando com perdas e escolhas que o tempo exige. Às vezes no mesmo lugar, às vezes não, mas sempre ligados por...
TW / ALERTA: Menção a depressão; Alcoolismo; Vício e Relacionamento abusivo.
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"Coisas vão se transformar Para desaparecer E eu pensando em ficar A vida a te transcorrer E eu pensando em passar Pela vida com você" Pelo tempo que durar — Marisa Monte
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PRÓLOGO Hawkins, 1986
O som de sirenes de emergência, de repente, era a trilha sonora da "assustadora e macabra" cidade de Hawkins. Já não era mais incomum o barulho agudo cortar o silêncio do pequeno município chato, pacato e sem graça localizado no interior de Indiana. No geral, era certo e de certa forma esperado que os sons seriam respondidos com um suspiro de pesar e, para os mais religiosos, uma nova vela sendo acesa dentro de cada casa por onde o som passava. Junto a isso, o autoconvencimento acompanhado do mantra de que estava tudo bem.
A fina esperança de que estavam todos seguros.
Exceto quando não estavam.
Bastava que minutos ou horas passassem para que o som dos pneus escuros das viaturas atravessasse a cidade, seguido pelos barulhos estridentes das campainhas, pelas palmas apressadas e pelas batidas carregadas de pavor, completando o cenário de terror.
As notícias eram sempre as mesmas: desaparecimento ou morte.
Pais iam dormir tranquilos quando sabiam que seus filhos estavam seguros. Caso contrário, até que voltassem, o luto era premeditado e coletivo.
Não sabiam o que ou quem causava o terror diário, e acusações errôneas assombravam mentes jovens e cansadas. Não haviam provas concretas, imagens de câmera de segurança ou algo que garantisse a veracidade, apenas existia um nome estampado em jornais: Edward "Eddie" Munson.
Nas fichas policiais, antecedentes criminais não eram constatados. Para o governo, nenhum crime foi cometido durante sua vida. Mas, para o povo, Munson nunca passou de um criminoso. Um grupo de RPG virou uma seita, e Edward virou o líder.
Um demônio.
Um foragido.
Até ser mais uma vítima daquilo que o foi acusado.
A família de Munson recebeu a primeira visita daquela madrugada. O tio responsável pelo garoto, acordou com batidas na sua porta gasta e um grupo de oficiais o dizendo um simples "eu sinto muito" — como se aquilo pudesse compensar e cobrir todas as dores que o luto trazia. A Rua Moore parou para assistir e prestar condolências, mesmo que fossem irreais.