Minha vó apareceu no quarto com aquela cara de quem já tinha decidido tudo.
— Ruth, eu e a vó da Bruna vamos sair agora. Só voltamos amanhã.
— Como assim amanhã? — perguntei.
— Amanhã — ela repetiu, simples. — Vocês duas vão curtir o baile. Aproveita, menina. Tô vendo esse tédio na tua cara desde que chegou.
Olhei pra Bruna. Ela já tava sorrindo, como se fosse óbvio.
E o pior?
Eu gostei da ideia.
O tédio tava grande demais pra dizer não.
Me arrumei sem pressa. Banho demorado, música baixa. Escolhi uma roupa que me deixava confortável, mas impossível de passar despercebida. Quando me olhei no espelho, até eu parei um segundo.
Eu tava linda.
Do tipo que chama atenção sem pedir.
Bruna apareceu na porta.
— Tá brincando comigo, né?
— Que foi?
— Tu chegou ontem e já vai causar.
Rimos. Saímos juntas, descendo o morro com o som ficando mais alto a cada passo. Luzes, gente, risada, expectativa no ar.
Quando cheguei no baile, senti.
Não era só música.
Era energia.
Talvez aquela noite não fosse só pra curtir.
Talvez fosse o começo de alguma coisa.
E eu, pela primeira vez desde que cheguei, não quis ir embora.
ui no morro
Subimos a ladeira do baile, eu e Bruna, rindo de leve e tentando não trombar nas pessoas.
O morro à noite parecia outro mundo: luzes piscando, música batendo forte, gente dançando, vida rolando.
Meu cabelão gigante descia pesado pelas costas, chamando atenção só por existir. Eu podia sentir os olhares antes de ouvir qualquer comentário.
— Aí, aí! — gritou Nego 7, chegando com o jeitão dele. — Olha quem chegou! Ruth e Bruna!
— Certo — falei, firme, olhando pra Bruna, que só sorriu de canto.
— Chega mais, ó — ele disse, gesticulando — vou te levar pro resto da rapaziada.
A gente andou até os meninos, todos olhando de canto, avaliando.
— Tróia — anunciou Nego 7, seco, apontando — Cabelin, FK.
— Oi — falei, cruzando os braços, tentando não parecer deslocada.
— Tu é de fora, né? — FK perguntou, olhando meu cabelo.
— Vim passar um tempo com a vó — respondi, firme.
— Tá ligado, né? Aqui é mó clima diferente — Cabelin falou, observando cada movimento meu.
— Diferente mas da hora — Bruna respondeu, tranquila, já mostrando que tava em casa.
Eles começaram a trocar ideia, zoando uns com os outros, mas sem exagero. Cada palavra tinha respeito.
— E esse cabelão aí, Ruth... dorme com ele assim ou é só pra causar? — Cabelin perguntou, olhando sério, mas curioso.
— Só pra causar — respondi, seca.
Nego 7 cruzou os braços, olhando:
— Tá aprovado, então. Vai ter que se virar com nóis agora.
Tróia
observava quieto, como sempre, sério.
— Só espero que saiba se cuidar — falo baixo, olhando direto.
— Relaxa, Tróia — Bruna disse — A menina se garante.
Enquanto a conversa rolava, Nego 7 pegou duas bebidas e voltou.
— Aqui, pra não ficarem na seca — disse, entregando pra gente, e deu um toque rápido de mão comigo — Qualquer fita, cola que nóis resolve.
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marrenta demais pra ser dele.
FanfictionEla veio de fora, cheia de atitude e zero medo no olhar. Burguesinha, marrenta, não abaixa a cabeça pra ninguém - nem pro dono do morro. E isso é exatamente o que faz ele perder o controle.
