✨️Um dia nada normal ✨️

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João acordou sobressaltado às oito da manhã, com o coração acelerado e a respiração curta, como se tivesse corrido uma longa distância durante a noite. Levou alguns segundos para perceber que estava seguro em seu quarto. Ainda assim, o sonho permanecia vivo em sua mente, vívido demais para simplesmente desaparecer.

Ele voava.

Voava entre nuvens de cores impossíveis, tons de rosa, azul e dourado que pareciam pulsar com energia própria. O vento acariciava seu rosto, e uma sensação de liberdade absoluta o envolvia. Quando olhou para trás, viu asas brilhantes se abrindo em suas costas, refletindo a luz como cristais. Ele não estava apenas voando — ele era uma fada.

— Que sonho estranho... — murmurou, passando a mão pelos cabelos bagunçados enquanto se sentava na cama.

Ficou alguns instantes em silêncio, tentando organizar os pensamentos. Apesar da confusão, um sorriso leve surgiu em seu rosto. Havia algo naquele sonho que não parecia apenas estranho — parecia importante, como se carregasse um significado que ele ainda não conseguia compreender.

João se levantou, ainda sentindo um leve arrepio percorrer o corpo, e caminhou até a janela. O sol já iluminava a cidade, espalhando uma luz dourada sobre as ruas tranquilas de Piedade, no interior de São Paulo. Como sempre, tudo parecia calmo demais, previsível demais.

Mas não naquele dia.

As férias finalmente haviam chegado, e a simples ideia de sair da rotina já era suficiente para deixá-lo animado. Em poucos dias, viajaria com a família para a praia — algo que esperava havia meses. Talvez por isso estivesse tão inquieto.

Depois de se arrumar, João desceu para a cozinha, onde o cheiro de café fresco preenchia o ambiente.

— Bom dia, dorminhoco! — disse sua mãe, Stella, com um sorriso caloroso enquanto colocava pão na mesa.

— Bom dia... — respondeu ele, ainda meio distraído.

Seu pai já estava sentado, lendo o jornal como de costume, com a expressão serena de sempre.

— Ansioso para a viagem? — perguntou ele, sem desviar os olhos da página.

— Muito — respondeu João, pegando uma xícara de café. — Acho que nem consegui dormir direito.

Stella observou o filho por um instante a mais do que o normal, como se estivesse tentando perceber algo além das palavras. Seus olhos brilharam de leve, mas ela logo disfarçou com outro sorriso.

— Então coma bem. Você vai precisar de energia — disse ela.

João tomou o café da manhã rapidamente, mal prestando atenção ao que comia. Sua mente ainda estava presa ao sonho. As imagens voltavam em fragmentos: luz, asas, o céu infinito.

Sem conseguir ficar parado, decidiu sair para caminhar.

O parque da cidade era um dos seus lugares favoritos. Cercado por árvores altas e trilhas de terra batida, era o tipo de lugar onde o tempo parecia passar mais devagar. O céu estava limpo, de um azul intenso, e uma brisa suave balançava as folhas, criando um som agradável e constante.

Por alguns minutos, tudo parecia perfeitamente normal.

Até deixar de ser.

João caminhava por uma trilha mais afastada, onde quase ninguém costumava ir, quando ouviu um som estranho. Um impacto seco, como algo pesado atingindo o chão, seguido por um rugido baixo e ameaçador.

Ele parou imediatamente.

Seu coração começou a bater mais rápido, não por cansaço, mas por instinto. Algo estava errado.

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