O Bairro do Limoeiro não existia mais.
Onde um dia existiram casas, agora havia apenas escombros e uma pilha de corpos. Desde o ataque das criaturas - que se pareciam com animais e, ao mesmo tempo, com plantas - nada restara intacto .
Os poucos sobreviventes se escondiam como podiam, mas não demorava até morrerem de fome... ou pelas próprias mãos das aberrações.
Cebolinha rastejava até a entrada do laboratório de Franjinha em busca de ajuda. Havia machucado a perna ao tentar se libertar de uma pilha de escombros. Mesmo assim, batia na porta incansavelmente. Felizmente, o amigo atendeu.
- Cebola...entra.
Cebolinha se ajeitou no que restava de uma cadeira. O laboratório também abrigava Tito, que observava tudo em silêncio. Em seguida, ele encarou Franjinha. O loiro tinha um corte profundo na testa em um hematoma horripilante no braço. Ainda assim, seus olhos brilhavam de culpa.
- Você sabia - disse Cebolinha, em um sussurro- Você sabia que isso ia acontecer.
Franjinha apontou para o chão rachado, que ainda pulsava levemente com uma energia estranha.
Cebolinha sentiu o estômago se revirar
- Qual é a razão dessas criaturas atacarem justo á nós ?
- Porque fomos o próximo ponto fraco- respondeu Franjinha- As criaturas estão aprendendo. CADA MUNDO QUE CAI TORNA O PRÓXIMO MAIS FÁCIL.
Um rugido distante ecoou. Ainda havia coisas lá fora.
- Existe um lugar- continuou Franjinha, com dificuldade- onde a barreira entre os mundos foi rompida primeiro. Onde tudo isso começou. Enquanto aquela origem existir, nenhum mundo estará seguro.
Cebolinha teve uma ideia.
- Você possui uma máquina do tempo. Alguém pode impedir isso.
- É uma ideia válida - disse Titi- E, cá entre nós, Cebola, você é o mais apto a fazer essa viagem. Sua perna só tem uma pequena torção.
- Mas isso é loucura...- Cebolinha tentou reprimir a ideia.
- Você sempre quis dominar algo, Cebola - continuou Franjinha- Agora precisa proteger. Se você for até o mundo de origem e impedir que a ruptura continue, o avanço para outras dimensões para.
O silêncio se instaurou.
Cebolinha pensou nos que haviam morrido. Nós gritos que ainda ecoavam em sua memória. Pela primeira vez, não havia plano infalível. Apenas uma escolha. E, pela primeira vez, sentia-se importante para algo. Mesmo que a proposta fosse repentina, estava disposto a conquistar o título de herói em meio àquele caos.
- Me leve até a máquina - disse,finalmente.
O laboratório estava em ruínas, mas a estrutura principal ainda funcionava.
As luzes falhavam.
Franjinha digitou coordenadas incompletas.
- Você não vai saber onde está - avisou - Nem quem vai encontrar.
- Não importa.
- E talvez não consiga voltar.
Cebolinha respirou fundo e entrou na plataforma.
- Pela primeira vez na vida, estou me sentindo importante - disse - Não me importo de morrer tentando recuperar meus amigos e minha família.
FRANJINHA ATIVOU A MÁQUINA.
AS LUZES PISCARAM.
UMA NÉVAO SUBIU.
E CEBOLINHA SUMIU.
O garoto foi lançado para um universo que ainda não sabia o nome - mas que também estava a beira da destruição
- Cara...não devíamos ter feito isso. Eu sei que minha teoria estava certa, mas mandamos alguém para morte- disse, desesperado.
- Pelo menos ele se sentiu importante - respondeu Titi, em tom de deboche - Ainda mais com esse seu discurso motivacional. Eu não iria aguentar ele aqui conosco. Ele fala demais. Provavelmente atrairia criaturas.
Franjinha levou a mão à boca.
- Espero que tenha valido a pena...a chance de ele conseguir fazer algo é mínima. Usamos alguém como cobaia.
Sem aguentar o remorso. Franjinha de inclinou e começou a vomitar.
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Você em Qualquer Universo / Steve Harrington e Cebolinha
FanfictionO Bairro do Limoeiro já não era mais o mesmo. Detonado a escombros após o ataque de várias criaturas vindas de outro universo. Carregado pela culpa e pela responsabilidade de não ter conseguido salvar o seu mundo, Cebolinha aceita atravessar um uni...
