"Aquele que tem um porquê para viver pode suportar quase qualquer como."
— Friedrich Nietzsche
"Eu nunca me vi pensando no quão fugidia minha vida é. A vida sempre me foi como uma maré, e só hoje percebo que não remo junto a ela — eu me afogo enquanto sou levado pelas águas do destino.
A vida se mantém corriqueira. Pessoas vêm e vão, e tudo o que faço é observar, esperando ver onde tudo acaba."
— Às vezes me olho e penso: o que me faz temer tanto a vida? Nunca cheguei a uma resposta realmente satisfatória. Pessoas me dão medo. A rotina virou uma forma de escape desse pavor constante de precisar interagir, de me encaixar em algo onde nunca me senti pertencente.
— Por quê? — perguntou, não como quem busca uma resposta nova, mas como quem quer ouvir aquilo que já espera. — O que te faz achar que tudo te leva a esse buraco de memórias vazias?
— Memórias? — respondi, com ironia. — Queria ter ouvido mais vezes que a vida é uma só. Que o tempo é imutável. Que não volta.
Já não falava com calma. Não gritava, mas minha alma berrava por socorro.
— Você realmente precisa de ajuda, não é? Vive no passado, ignora o presente e, pelo visto, já lavou o futuro.
Ele não conseguia me encarar. Estávamos sentados à beira da praia há horas, olhando o céu noturno, sem perceber quando a conversa começou a se desenrolar.
— Já não me sinto vivo há tanto tempo que nem sei explicar. Deixei tantos sonhos morrerem… precisava ser o melhor, precisava fazê-los felizes.
Parei. Nenhuma lágrima caiu — eu já não conseguia mais chorar.
Nunca se importaram com o que eu realmente queria. Aquela maldita cabana que prometi construir. A vida simples que imaginei viver, aproveitando o tempo.
Eu me odeio por ter me abandonado pelos outros. Deixei de amar por não saber me amar.
No fim, sou tão ruim quanto todos que um dia julguei.
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Memórias
PoetrySão textos que escrevi à noite, pequenos fragmentos que falam quem sou.
