O aeroporto nunca foi um lugar gentil para despedidas.
Twilight pensava nisso enquanto apertava o casaco contra o corpo, mesmo sem frio algum. O painel luminoso piscava destinos que agora pareciam insultos: Seul, Toronto, Paris. Cada cidade era uma possibilidade de futuro — um futuro onde Sunset não estaria.
Sunset Shimmer segurava a alça da mochila com força demais. O cabelo ruivo preso de qualquer jeito denunciava que ela não tinha dormido. Nenhuma das duas tinha.
— Eu prometo ligar — Sunset disse, a voz falhando no meio da frase.
Twilight assentiu, mas não respondeu. Ela já tinha prometido coisas demais nos últimos meses. Prometido que daria certo. Prometido que a distância não mudaria nada. Prometido que o amor era suficiente.
Não era.
— A bolsa é incrível — Twilight disse por fim, forçando um sorriso. — Você sempre sonhou com essa faculdade.
Sunset fechou os olhos por um segundo.
— Eu sonhava… com você lá comigo.
O silêncio caiu pesado entre as duas.
Elas não tinham brigado. Não houve traição, nem gritos, nem portas batendo. Só conversas longas demais, noites em claro, calendários incompatíveis e a palavra que machuca mais do que qualquer xingamento: impossível.
— Twi… — Sunset deu um passo à frente. — Se eu ficasse—
— Não — Twilight interrompeu, finalmente olhando nos olhos dela. — Não faz isso. Não transforme meu amor em uma culpa.
As palavras doeram nas duas.
O aviso de embarque ecoou pelo aeroporto.
Sunset abriu os braços, hesitante. Twilight demorou um segundo, mas então se deixou envolver. O abraço foi apertado, desesperado, como se o corpo pudesse memorizar cada detalhe antes da perda.
— Eu te amo — Sunset sussurrou no ouvido dela.
Twilight respirou fundo.
— Eu também. Por isso estamos terminando.
E quando Sunset se afastou, foi como se parte do mundo tivesse ido junto.
Dois meses depois, Twilight aprendeu que a pior parte da ausência não era o silêncio.
Era a memória.
O moletom de Sunset ainda estava pendurado atrás da porta. Ela dizia que Twilight ficava “ridiculamente fofa” usando ele. Agora, o tecido cheirava a saudade.
Twilight emagreceu sem perceber. Esquecia de comer, mas nunca esquecia de colocar os fones. As playlists ainda eram as mesmas — as músicas que Sunset amava, as que cantavam juntas no carro, as que prometiam eternidade.
Às vezes, Twilight digitava mensagens que nunca enviava.
Como foi sua aula hoje?
Eu passei na prova que você me ajudou a estudar.
Ainda dói respirar sem você.
Apagava tudo.
Sunset também tentava seguir em frente. A nova faculdade era tudo o que prometeram: exigente, brilhante, cheia de oportunidades. Mas à noite, no dormitório silencioso, ela encarava o teto e pensava em como Twilight odiava dormir sozinha.
A diferença de fuso horário virou uma desculpa perfeita para não ligar.
— É melhor assim — Sunset dizia a si mesma. — A gente precisa aprender a viver sem…
Ela nunca terminava a frase.
Twilight começou a escrever cartas. Não para mandar. Só para sobreviver.
Sunset,
Eu estou aprendendo a ser forte sem você, mas ninguém fala sobre como isso cansa.
Eu ainda te procuro em cada esquina. Ainda te escuto quando a casa está quieta.
Não me arrependo de te amar. Só me arrependo de não poder te acompanhar.
Ela dobrava o papel e guardava numa caixa embaixo da cama.
Enquanto isso, Sunset abriu o e-mail dezenas de vezes, encarando o nome de Twilight na lista de contatos. O cursor piscava como um desafio.
E se eu estiver errada?
E se o amor não for algo que se deixa para trás?
Mas o medo de atrapalhar a vida de Twilight falava mais alto.
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Entre Fusos Horários e Estrelas
FanfictionTwilight Sparkle e Sunset Shimmer se amaram como se o mundo fosse pequeno demais para separá‑las. Mas quando a faculdade dos sonhos surge em países diferentes, o amor vira distância, o tempo vira inimigo e a saudade começa a doer mais do que o térmi...
