PRÓLOGO

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Quando as luzes se apagam

As luzes do salão principal cintilavam como constelações presas ao teto, refletidas em espelhos altos que multiplicavam sorrisos, vestidos e ambições. Era uma daquelas noites feitas para serem lembradas - ou cuidadosamente esquecidas. A orquestra conduzia a dança com precisão elegante, e cada passo obedecia não apenas a música, mas às regras invisíveis que regiam a sociedade.

Lady Glinda Upland estava no centro de tudo.

Seu vestido claro capturava a luz a cada movimento, e cada sorriso, treinado desde a infância, permanecia perfeito mesmo quando o peso das expectativas lhe apertava o peito. Ao seu lado, a Duquesa de Silvemere mantinha a postura impecável de quem sabia exatamente o valor da sua presença. Mãos entrelaçadas apenas o suficiente para serem vistas, mas nunca sentidas. Um acordo silencioso sustentava aquele gesto - respeito, poder, segurança. Não amor.

Os olhares ao redor não desviavam.
Cochichos se formavam e se desfaziam como ondas discretas.

- Um enlace admirável - murmuravam.

Glinda ouvia tudo como quem escuta um idioma estrangeiro. Seu corpo estava ali, mas algo dentro dela permanecia distante, observando a cena como se fosse parte de um espetáculo ao qual não havia sido convidada de verdade.

Foi então, que no meio da multidão presente, seus olhos encontram os de Lady Elphaba Thropp.

Elphaba permanecia próxima às colunas laterais do salão, onde a luz não chegava com tanta generosidade. Seu vestido era mais escuro, sóbrio, e sua postura denunciava alguém que conhecia bem o lugar que lhe era reservado: à margem. Não dançava, não conversava em excesso, não disputava atenção. Observava.

Havia algo em seus olhar - uma mistura de inteligência e cansaço - que fazia com que Glinda se esquecesse, por um instante perigoso, de onde estava e com quem estava. O mundo pareceu encolher entre aquele espaço silencioso que as separava.

Elphaba desviou o olhar primeiro. Sempre fazia isso. Aprendera que olhar demais era arriscado, que desejar era uma fraqueza punida sem piedade. Ainda assim, algo já havia sido dito naquele breve encontro de olhos - algo irreversível.

Quando a música cessou e os convidados começaram a se dispersar, as luzes do salão foram diminuindo aos poucos, como se o próprio espaço respeitasse o fim da encenação. Risos tornaram-se mais baixos, passos mais apressados, promessas mais vazias.

Glinda soltou a mão da duquesa com um pedido educado de licença. Precisava de ar. Precisava de silêncio. Precisava entender o por que, no meio de tudo o que sempre lhe fora prometido, apenas um olhar havia sido suficiente para abalar as suas certezas.

Elphaba, sozinha no corredor adjacente, sentiu o peso da noite se acomodar sobre seus ombros. Não sabia explicar o motivo daquele incômodo súbito, apenas que algo havia mudado. Algo havia sido aceso - justamente no momento em que as luzes se apagavam.

E, em algum lugar da cidade, uma pena riscou o papel com intenção cuidadosa.

"Nem toda aliança nasce do amor. Nem todo amor sobrevive à luz"

A temporada havia começado.
E com ela, uma crescente silenciosa estava prestes a nascer.

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Me vi novamente apegada com as histórias de bridgerton e resolvi tomar a liberdade de escrever uma com a minha dupla favorita.
Espero que gostem!
Criei uma pasta no pinterest com o moodboard de cada personagem, no decorrer da história irei atualizá-lo.

( https://pin.it/5FRG2PlF9 )

Fiquem à vontade para entrarem.
Ah, feliz natal, meus amores!!

Quando As Luzes Se Apagam | GelphieCerita yang bikin terobses. Temukan sekarang