Presentes

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All I want for Christmas is You - Mariah Carey

Músicas de Natal infestavam cada lugar da base como uma praga sonora. Não bastava ser na cafeteria e nos lugares de convívio dos agentes. Raze fez as músicas chicletes de Mariah Carey e Sia ecoarem por toda a ilha. Era impossível achar um canto em que os sinos característicos não fossem ouvidos.

A exceção, claro, do remoto laboratório de Viper.

Das vezes que a cientista teve que sair do seu esconderijo para fazer algo, ela se encolhia toda ao ouvir as músicas e conversas gritantes. Corria para resolver o que quer que tivesse que fazer antes que adquirisse uma dor de cabeça terrível. Logo se entocava no laboratório o mais, evitando os barulhos irritantes e o contato humano indesejado.

Não é que ela odiasse o Natal. Ela só não se importava com a data. E não entendia porque as pessoas gostavam tanto de gastar em presentes, comer comidas festivas (com uva passa! Eca!) e ainda interagir tanto uns com os outros. Viper preferia mil vezes estar quieta, no seu canto usual, continuando sua pesquisa como a boa obsessiva que era.

E ela estava feliz com isso.

Mas alguém tinha que vir ali estragar sua felicidade.

- Trouxe presentes. - Vyse anunciou, entrando no laboratório como se quisesse atenção. E ela notavelmente queria.

Viper grunhiu, sem erguer os olhos dos próprios experimentos para a melhor amiga. Imaginou que Vyse iria aparecer ali uma hora ou outra. Só esperava que fosse outra.

- Me mandaram aqui pois sabem que sou a única que sobrevive ao seu olhar de medusa. - Vyse continuou, deixando a caixa que segurava sobre uma mesa e a abrindo. - Não vou demorar. Breach montou uma competição de Natal e eu não vou deixar o velhote me ganhar.

Viper suspirou, pingando um pouco de um líquido no outro, observando atentamente a cor deste mudar. Ela anotou o resultado.

- Okay... - Vyse tirou da caixa um rolo cuidadosamente preso com um laço e um cartão, o desfazendo e olhando o conteúdo.

Ela assobiou e andou pelo laboratório de Viper. Esta acompanhou a outra pelo canto dos olhos, franzindo a testa pela naturalidade com que Vyse passeava pelo seu espaço. Vyse foi até um quadro de avisos com alguns post-its e alfinetes e tirou um deles. Ela o colocou numa posição mais alta e prendeu o objeto ali.

Ela uma tapeçaria fina chinesa, com o desenho de uma cobra nela. Vyse assentiu para si mesma, prendendo o cartão que estava junto com a tapeçaria ao lado da obra.

Viper não se dignificou a se virar e olhar o que era. Simplesmente pegou um dos tubos de ensaio que trabalhava e guardou seu conteúdo. Vyse voltou para perto da caixa e tirou dali uma sacola simples de papel, deixando-a ao lado da mesa. Ao lado desta, deixou uma caixinha, embrulhada com cores vibrantes de vermelho e verde. E, por último, posicionou uma outra caixa ali, um pouco maior e retangular.

Vyse olhou Viper, que continuava atenta aos seus próprios experimentos, ou lhe ignorando deliberadamente. Ela suspirou, parecendo revirar os olhos e pegou uma garrafa de whisky na caixa, deixando sobre a mesa. Ela alcançou uma caneca com orelhas de gatinho e um saco de café, andando até Viper.

- Isso já é do seu interesse. - Ela balançou os objetos na frente da cientista, fazendo as orelhas de sua máscara se movimentarem alegremente.

Viper ergueu os olhos por um momento, fazendo uma cara feia para a caneca de gatinho. Ela se voltou para Vyse, o olhar transparecendo desdém.

- É fofinho. Admita.

- Você que teve essa idéia?

- Por mais incrível que pareça, não sou a única pessoa que se importa com você.

PresentesWhere stories live. Discover now