UMA VIDA QUE EU NÃO PEDI?

0 0 0
                                        

CAPÍTULO 1 – “UMA VIDA QUE EU NÃO PEDI?”

Aizen Solin caminhava pelas ruas cinzentas da cidade com as mãos nos bolsos e os olhos semicobertos pelos fios negros que caiam sobre seu rosto. Seu cabelo, médio e bagunçado, escondia boa parte da expressão — talvez apenas para impedir o mundo de perceber o cansaço que ele carregava. Aos 19 anos, já parecia alguém que tinha vivido mais do que deveria.

Seu corpo era mediano, sem músculos definidos, sem grande presença. Era só… normal.
Normal demais para alguém que, por dentro, estava em ruínas.

O vento frio atravessava sua jaqueta fina, mas ele nem se importava. Olhava para o chão enquanto caminhava, desviando de pessoas como se fosse um fantasma na multidão.

“A vida é uma bosta.”
O pensamento repetia na cabeça dele como um mantra.
Nada parecia ter sentido. Nada parecia valer o esforço.

Ele havia perdido o emprego três dias antes. O aluguel estava atrasado. Os amigos… bem, amigos era uma palavra forte. Na verdade, ninguém parecia realmente se importar.

Aizen respirou fundo, sentando-se em um banco próximo. O céu estava nublado, pesado, como se refletisse exatamente o que ele sentia. Ele passou a mão pelo rosto, afastando a franja e revelando seus olhos sombrios, cansados, que escondiam algo estranho — um brilho leve, quase imperceptível, como pequenas centelhas de eletricidade.

Ele sempre foi diferente.
Desde criança tinha sonhos vívidos demais, uma intuição absurda e… aquela sensação estranha de energia passando por seu corpo em momentos de emoção.
Mas ele sempre ignorou.

Afinal… o que significava ter “energia”?
Era só imaginação. Pelo menos é o que ele dizia para si mesmo.

Aizen suspirou e levantou o olhar para o céu.
— Se existe algum lugar melhor do que isso… — murmurou — …eu queria ir pra lá. Queria começar de novo. Queria viver um sonho. Só uma chance… é tudo que eu peço.

Ele levantou do banco e começou a atravessar a rua.

Os carros passavam rápido, mas ele não se importava muito. Continuou andando, distraído, com os fones no ouvido — ouvindo uma música triste que fazia tudo parecer ainda mais lento, mais distante.

Até que…

VRUUUMMM!

O rugido de um motor ecoou como um trovão.

Aizen virou o rosto.
Um caminhão descia a rua em alta velocidade. Muito mais do que deveria.
O motorista estava desesperado, tentando frear, mas era tarde demais.

O choque de realidade atingiu Aizen como uma lança de gelo no peito. Seus olhos se arregalaram, seu coração acelerou — e algo quente percorreu seu corpo, como eletricidade viva.

Raio.
A energia que ele sempre sentiu estava ali, explodindo em seus músculos, em sua pele, circulando como um último protesto da vida.

Mas não havia tempo.
Não havia chance de escapar.

O impacto foi inevitável.

Tudo ficou branco.
O corpo de Aizen foi lançado como se fosse feito de papel.
Os sons desapareceram.
A dor chegou, mas parecia distante, abafada.

Deitado no asfalto, com o gosto de sangue na boca e a visão turva, Aizen percebeu que estava morrendo.

“É assim… que acaba?”
“Sem nada… sem ter sido nada?”

Uma lágrima escorreu pelo canto do olho.

“Eu só queria… ser feliz…”
“Eu queria… viver um sonho…”
“Eu queria uma segunda chance…”

A respiração falhou.
A visão escureceu.

E então — o mundo desapareceu completamente.

A escuridão o engoliu.

Mas antes que pudesse afundar nela, uma luz intensa surgiu, preenchendo tudo ao seu redor. Uma sensação quente, confortável, como se estivesse sendo puxado para longe do próprio corpo.

Uma voz suave ecoou dentro da luz:

“Herói… Aizen Solin…”

“Bem-vindo ao novo mundo.”

E com essas palavras, sua nova vida começava.

Entre a Vida e a IlusãoStories to obsess over. Discover now