Em um mundo de magia e inovação, aqui está você, nos olhos de um ser perverso que faz descaso com suas ações e problemas, isso mesmo, aquele que machuca a todos que tentam tocar ele... um cacto
Seguido de um sol inóspito e temporais inacabaveis, eu abria meus olhos, um terreno úmido com um cheiro estranho de morte e tristeza, tentei me virar mas não conseguia, tentei me mover mas não tinha pernas ou braços, tentei rastejar mas não tinha corpo, nessa realização que eu era apenas um telespectador de uma terra plana e suja, eu avistava um batalhão correndo
- EI! P-porque vocês estão--
Eu consigo falar? Bem... Eu acabei de nascer mas sinto que conheço coisas que não deveria, mesmo sem boca, eu gritava aos prantos para ver se algum deles sequer me notava... Falhei, após algum tempo eu notei onde estava e quem eu era... Supostamente... Eu vigiava uma guerra inacabável por eternos 5 anos, quando chovia, me via nas águas imundas, um pequeno cacto com dois buracos que representavam olhos, mas nenhum globo ocular estava ali
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Após esse longo período de memórias inuteis e batalhas ofensivas ao conceito de estratégia, eu finalmente cresci, cada gota d'água, cada soldado abatido, cada flor corajosa me dava um pouco mais de energia... Um dia finalmente obtendo meus braços e pernas, uma sequência de fios e folhas vermelhas nascendo em minha cabeça. Perfurando e empurrando a terra em volta do meu corpo, eu finalmente sai daquele buraco onde fui semeado
Primeira coisa que vi ao sair do buraco era entediante, só um monte de roupas empilhadas em cima de um... Uh... Gravetos estranhamente brancos? Depois descobri que aquilo se chamavam ossos, eu cheguei perto do esqueleto e analisei, a fisionomia dele era muito engraçada, aproximei minha mão e então peguei algo do bolso dele, era uma máscara de dormir com algum logotipo marcado nela, dei um pulo seguido de uma comemoração, coloquei o acessório em volta da cabeça e fiz pose, eu tava como uma celebridade agora... Bem... Pelado e de bandana é um jeito melhor de me descrever naquela hora, e então assim, começou minha incessante marcha de 30 minutos, pegando um caminho aleatório e indo reto
- la la la... Uhh... Pelas as barbas do profeta!! Aquilo dali é uma?...
Eu aponto para o Horizonte, avistando estruturas de madeiras com PESSOAS VIVAS!! Eu não me atrasei e sai correndo
- FINALMENTE! talvez essas pessoas entendam minha forma de falar!
Eu corri e corri... Finalmente chegando perto delas, a primeira coisa que eu cheguei perto foi um velho fazendeiro com uma foice na mão, ele capinava a grama alta em volta daquele vilarejo, eu cheguei perto dele e então estranhei
- uh... Pele bege... Pelo preto com fios grisalhos... Tecidos azuis em volta do corpo e... OH! Sapatos!
Eu sou fascinado por sapatos, ok? Eu vivi minha vida inteira descalço afinal das contas, o senhor me encara, olhando para minha pele verde nua, meus cabelos vermelhos e dessarumados com um espinho no topo e então ele aponta em minha direção e diz
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Velho: oxente garoto... Cê não tem roupa? Vai vestir alguns panos! Pirralho!
Eu ignorei o velho enrugado e segui caminhando com meu astral no máximo enquanto ele murmurava sobre dor na coluna, caminhando um pouco mais e chegando no verdadeiro portão do vilarejo.