O começo de tudo..

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O começo de tudo…

Era um domingo ensolarado, e Pedro estava lá, sozinho. Caído em um mar de lágrimas, sofrendo de depressão pós-traumática, jogado às traças.

Mas, por outro lado, Joana estava alegre, curtindo seu lindo domingo com seus amigos em seu casarão. Estava tudo perfeito para ela… mas para outros, nem tanto.

Pedro se levantou e foi tomar alguns goles de água, mas logo depois se jogou no sofá novamente. De repente, escutou batidas na porta, junto com um som alto que, para ele, era insuportável. Pedro não parecia surpreso; era quase como se soubesse quem era. Mesmo assim, colocou o travesseiro no rosto e tentou ignorar, o que foi inútil, pois era seu melhor amigo, João — e sim, ele tinha a chave.

Logo, João entrou fazendo muito barulho e tentando animar Pedro, mas sem sucesso. Ele percebeu que estava colocando alegria onde não cabia, então desligou o som, sentou-se ao lado de Pedro e perguntou:

J — Como você tá, irmão?

Pedro olhou para ele, desviou o olhar com o rosto cheio de lágrimas e respondeu:

P — Eu não consigo suportar viver sem eles… Por que isso teve que acontecer comigo?

J — Eu sei que é difícil perder os pais. Não imagino a dor que você está sentindo, mas estamos juntos pra sempre. João Pedro é um lindo nome composto, lembra?

Então, eles se abraçaram, e Pedro secou suas lágrimas na gola da sua blusa.

Enquanto isso, na casa de Joana, a festa havia acabado. Ela entrou e foi para dentro de casa. Tudo parecia bem, até ela entrar no chuveiro. Assim que a água começou a descer pelos seus cabelos encaracolados, levando embora o cloro da piscina, ela desabou. Sentou-se no chão, bem embaixo do chuveiro, e começou a chorar.

Chorava como uma criança assustada. Teve um surto, puxava os próprios cabelos, batia em si mesma e gritava na mansão vazia:

— Por que isso está acontecendo comigo? Eu quero eles de volta, por favor…

Ela também havia perdido os pais e estava devastada, completamente fora de si e, pior, sozinha.

Ambos foram dormir, pois no dia seguinte tinham consulta com o psicólogo.

Era a primeira consulta de Pedro, e ele estava ansioso e com um pouco de medo. Já Joana não; ela ia frequentemente, mesmo antes de perder os pais.

Coincidentemente, os dois tinham consulta no mesmo horário, na mesma clínica. Joana chegou em seu carro particular, e Pedro foi de ônibus. Ao chegarem, sentaram-se um ao lado do outro.

Joana não havia notado Pedro, mas Pedro havia notado Joana: seus lindos cabelos cacheados, sua pele negra que brilhava, suas grandes unhas naturais e seus olhos castanhos enormes, impossíveis de não notar. Ela era simplesmente perfeita.

Ele não sabia o que fazer para chamar a atenção de Joana, ou pelo menos fazê-la rir. Então pensou:

— E se eu derrubar o celular perto dela para que ela pegue no chão e me devolva?

Pedro fez isso, mas não deu muito certo. O celular caiu no mindinho dela, e Joana se irritou, pedindo que ele tivesse mais cuidado com suas coisas. Porém, quando virou para continuar reclamando, encantou-se com a beleza de Pedro.

Ele usava roupas simples, mas isso não importava. Ela reparou em seu cabelo liso e preto, na pele tão branca quanto neve e, claro, em seus olhos azuis, pequenos e lindos. Sem perceber, colocou o cabelo atrás da orelha e disse:

J — Nossa, me desculpa… Eu não costumo ser assim. É que estou meio estressada com alguns acontecimentos da minha vida. Me desculpa mesmo.

Pedro respondeu:

P — Fica tranquila. Eu sei bem o que é ter um dia ruim. Mas, afinal, qual é o seu nome?

J — Meu nome é Joana. E o seu?

P — Prazer, Joana. Meu nome é Pedro.

J — Prazer, Pedro.

P — Não quero ser indelicado, mas uma moça bonita como você tem namorado?

Joana riu, envergonhada, e respondeu:

J — Não, eu não tenho namorado. E você?

Pedro ia responder que não, mas, nesse momento, Joana foi chamada para ser atendida. Antes de sair, disse:

J — Nos vemos na próxima segunda, Pedro.

Ela deu uma piscadinha e saiu.

Pedro respondeu, sorrindo:

P — Vou contar os dias para essa semana passar logo e te ver de novo.

Alguns pacientes riram da situação, e Joana, mais uma vez, riu envergonhada antes de desaparecer pelo corredor.

Amor limitado Where stories live. Discover now