Vidas opostas

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Verônica Byers

Sempre foi difícil me entender, nunca soube o que eu era ou o que exatamente queria. Eu sempre pensei que seria jovem para sempre, mas quando saí do fundamental percebi que isso não seria possível.

E aqui estou eu, 18 anos e sei exatamente o que quero. Já aceitei o fato de não poder ser jovem para sempre, de não poder ler o dia inteiro como se não houvesse amanhã, de não passar o dia inteiro no quarto da Nancy ouvindo música enquanto a Robin conta uma de suas histórias mirabolantes, de tudo não ser como antes.
É difícil essa fase da adolescência. Tudo é difícil, tudo dói, ninguém entende, ninguém procura entender.
É tão engraçado, o mundo evolui cada dia, mas até hoje não sabem lidar com a adolescência. Bom, não vamos adentrar nesse assunto.

Desde pequena eu sempre gostei de registrar momentos, seja por desenhos, na memória e também com a minha primeira câmera que ganhei da minha querida mãe, Joyce. Essa paixão eu não sei de onde veio, mas acredito que cada um de nós nascemos com o nosso jeitinho, não precisa ser necessariamente genética.
Minha mãe sempre me apoiou, sempre me disse que eu seria uma grande fotógrafa, mas no começo eu nunca dei tanta importância e tratava minhas fotografias como hobby. Mas de uns tempos para cá fui entendendo um pouco mais desse mundo, mas sem manual, apenas instinto e muito amor.

Passei a registrar cada momento com as meninas. Sempre que saímos para andar de bicicleta em uma de nossas aventuras pela floresta, quando íamos dormir uma na casa da outra, e também a paisagem. Sempre gostei de registrar a natureza.
Mas em alguns momentos, meus olhos se prendiam em uma certa paisagem difícil de ser encontrada, uma paisagem rara e que me deixava até mesmo um pouco nervosa só de estar perto. Não é nervoso no sentido ruim, mas nervoso por ser algo novo, intrigante, e certamente impossível.

Karen Wheeler

Minha vida sempre foi a mesma, desde nova meus pais me diziam: "você é uma moça, precisa se casar e ter filhos!". Eu nunca achei certo a forma de pensar dos meus pais, mas quem seria o corajoso de ir contra suas opiniões…
Me casei com Ted Wheeler, e com ele tive 3 filhos. Nancy, a mais velha, Mike, o do meio, e Holly, a caçula.
Meus filhos, minha razão de viver, a razão pela qual ainda continuo nesse maldito casamento.
Eu sei que não é certo me manter em um casamento onde não sou feliz e que claramente isso traria problemas futuros para meus filhos. Mas na noite em que eu estava indo conversar com Ted sobre isso, vi ele e Holly dormindo no sofá abraçados. Aquilo me doeu, Ted nunca foi muito presente na vida de nossos filhos, nem mesmo quando eles eram crianças. Mas quando eram pequenos eles queriam contato, queriam o amor do pai deles. Com a Holly não é diferente, ela gosta do pai dela, e até em certo momento eu achei que ele poderia mudar, mudar por ela, mas ele não mudou.
Ted sempre foi calado, na dele, nunca foi de me dar atenção. Mas como eu não queria decepcionar os meus pais, resolvi deixar isso de lado.

Era um casamento raso, sem carinho, sem atenção, sem amor. Era como estranhos dividindo a cama. Mas estou farta disso, farta de dar todo o carinho, toda a atenção e todo amor para no final não receber nada.
Pelo menos eu tenho meus filhos, sempre tão amorosos, foram as melhores coisas desse casamento.

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