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A VIDA ANTES DA MORTE

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📜 CAPÍTULO 1

A lua cheia repousava sobre o céu da China antiga como uma lâmina prateada prestes a se partir. Naquele tempo, deuses caminhavam entre montanhas e rios, criaturas ancestrais moldavam o destino dos mortais e poderes antigos fluíam como brumas entre os vales. No coração desse mundo sagrado existia a Seita da Raposa Dourada de Nove Caudas, um lugar onde linhagens eram mantidas com rigor e onde cada jovem era treinado para proteger o equilíbrio espiritual do mundo.

Foi ali que nasceu Lian Xue, uma garota de aparência delicada, aura gentil e poder aparentemente modesto. Crescera quieta, quase apagada, sempre à sombra de sua meia-irmã mais nova, Mei Hua, a menina que todos pareciam adorar. Embora compartilhassem o mesmo pai, suas vidas nunca foram iguais; enquanto uma florescia sob elogios e admiração, a outra era constantemente esquecida — ou pior, usada como alvo de intrigas silenciosas.

Desde muito pequena, Lian Xue acreditava que sua irmã a amava. Sempre protegia Mei Hua, sempre dividia seus remédios espirituais, sempre a defendia de qualquer repreensão dos anciãos. Mas, por trás dos olhos doces de Mei Hua, havia algo que Xue nunca percebeu: inveja, ambição e um desejo profundo de destruição.

Com o passar dos anos, Mei Hua demonstrou uma habilidade espiritual extraordinária — ou assim acreditavam. Sua energia espiritual era pura, luminosa, como se ela tivesse nascido com a bênção de uma raposa divina. Para a seita, ela era uma joia; para os discípulos, um exemplo; para os anciãos, um milagre. E para Lian Xue… uma irmã que ela amava, mesmo sem receber nada em troca.

Tudo começou a mudar quando Lian Xue foi prometida a Jin Luyang, o jovem mais talentoso de sua geração. Ele era forte, inteligente, disciplinado e exalava confiança. No início, parecia genuinamente interessado nela. Caminhavam juntos pelos jardins, treinavam lado a lado, trocavam sorrisos tímidos que aqueciam o coração de Lian Xue. Ela acreditava que aquilo era amor. Ele dizia coisas doces, tocava seu rosto com cuidado, segurava sua mão como se fosse protegê-la para sempre.

Mas esse “para sempre” durou pouco.

Com o tempo, os olhos de Jin Luyang começaram a se desviar — sempre em direção a Mei Hua. A irmã surgia com desculpas inocentes, sempre aparecendo onde não devia, sempre comentando algo que fazia Luyang rir, sempre demonstrando ciúmes escondidos sob uma máscara frágil e ingênua. E ele… ele caiu sem resistência.

Naquela época, Lian Xue ainda tentava ignorar os sinais. Pensava que era exagero de sua parte, que sua irmã só queria amizade, que seu noivo jamais a trairia. Mas a verdade sempre aparece — mesmo que antes venha como uma punhalada.

Foi numa noite fria, enquanto procurava Jin Luyang para lhe entregar elixires que preparara, que ela encontrou o casal no Pavilhão da Lua Crescente. Os dois estavam muito próximos. Muito íntimos. Muito conectados. Quando ela os chamou, os dois se afastaram de imediato, mas o olhar entre eles já dizia tudo.

Mei Hua, com seu sorriso falso, aproximou-se de Lian Xue como se estivesse preocupada.

— Irmã, você chegou em um momento ruim… — disse, com a voz doce demais para ser sincera.

Jin Luyang ficou em silêncio, evitando encarar Xue. No fundo, ele sabia o que aquilo significava. E, naquele instante, Lian Xue sentiu algo dentro dela se quebrar — algo frágil e precioso.

Com o passar das semanas, rumores começaram a se espalhar pela seita. Rumores cuidadosamente construídos por Mei Hua. Diziam que Lian Xue era instável, ciumenta, perigosa, invejosa. Diziam que ela tratava mal a própria irmã, que tentava impedir Mei Hua de progredir espiritualmente, que sabotava seus treinos. E, quando Lian Xue tentava se defender, era ridicularizada. Ninguém acreditava nela. Porque Mei Hua chorava, tremia, e dizia:

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