Pov S/n ON
Foi como levar um soco no estômago.
Nunca recebi minha carta de Hogwarts no tempo certo. Agora, tantos anos depois, estou sentada em um vagão vazio, sentindo o trem vibrar sob meus pés. O ar tem cheiro de metal aquecido e de algum doce que não consigo identificar. Talvez fosse aconchegante para qualquer outra pessoa. Para mim, é só mais um lembrete de que não deveria estar aqui.
Eu não odeio estudar. Não sou rebelde. A verdade é bem menos espetacular: eu sei exatamente por que minha carta nunca chegou. A culpa sempre teve nome e sobrenome. Sirius Black. Meu pai. O homem que eu mal tive a chance de conhecer antes de o levarem preso quando eu tinha pouco mais de três anos.
Não vivi uma infância amarga por falta de amor. Pelo contrário, Remus e o pessoal da Ordem me deram mais afeto do que eu merecia. Mas saber que meu atraso no mundo bruxo veio de um crime que nunca conseguiram provar que ele cometeu... esse pensamento me atravessa como um golpe certeiro.
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Os corredores do trem foram um desfile de olhares tortos, sussurros acelerados e risadinhas mal escondidas. Aparentemente, todo mundo me conhece mais do que eu mesma.
— Só não provoquem muito, vai que ela foi mordida por alguma coisa em Azkaban... vai que transmite doenças... — um garoto comentou, e pela altura dele eu apostaria que ainda trocava os dentes.
Eu já esperava esse tipo de coisa. Remus me preparou para isso, talvez até demais. Bullying, medo, ignorância — tudo parte do pacote de carregar o sobrenome Black. Esse era um dos motivos de ele não querer que eu viesse. O outro... bom, isso você descobre depois.
Pov S/n OFF.
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Pov Draco ON
Cacete. Então ela realmente apareceu.
Nas férias, espalharam boatos de que a filha de Sirius Black viria para Hogwarts pela primeira vez. Eu ri quando ouvi. Imaginava que ela fosse se esconder do mundo, não desfilar no meio dele. Mas quando a vi entrar... merlin. Cara fechada, postura rígida, um ar de quem está ali contra a vontade. Ela parecia estar pronta para morder alguém — e, ao mesmo tempo, parecia não se importar com absolutamente nada.
— Alunos, peço sua atenção, por favor! — a voz de Dumbledore encheu o salão. — Como já sabem, este ano recebemos uma nova aluna. S/n Black.
O nome dela virou pólvora. Um instante depois, o salão inteiro explodiu em murmúrios. Eu não aguentei e ri. A reação era inevitável.
Dumbledore precisou erguer a mão para controlar a confusão.
— A senhorita Black se juntará aos alunos do último ano. — Ele continuou com aquele tom calmo que irrita qualquer um. — Apesar de ser nova aqui, seus estudos em casa foram excelentes, e ela provou ser mais do que capaz. Peço respeito à jovem. Seus antepassados não definem quem ou o que ela é.
O "o que ela é" me fez franzir a testa. Dumbledore era estranho, claro, mas não idiota. Falar aquilo daquele jeito... tinha algo ali.
— Agora, vamos à cerimônia do Chapéu Seletor. E lembrem-se — ele sorriu — não entrem na Floresta Proibida. Ela tem esse nome por um motivo.
Quando Dumbledore se sentou, o salão mergulhou em silêncio.
— S/n Black. — McGonagall chamou, parecendo pesar o nome com cuidado.
Goyle me cutucou.
— Acha que vai pra Sonserina?
Dei de ombros. Difícil pensar em qualquer coisa quando ela caminhou até o banquinho. Era assustador o quanto parecia com Sirius. Até o cabelo. A única diferença era aquela mecha branca que ela tentava esconder. Não sei por quê, mas aquilo me deixou... curioso.
O Chapéu mal tocou sua cabeça.
— Muito bem... interessante — murmurou. — Vejo sombras que não te assustam... e verdades que você carrega sozinha. Astúcia, lealdade rara e um coração mais indomável do que imagina. Onde você realmente floresce é na... Sonserina!
O salão congelou. Nunca escutei um silêncio tão denso. Os aplausos só começaram porque McGonagall bateu palmas primeiro, claramente para quebrar o clima.
A capa dela mudou para verde. O brasão da cobra piscou no peito. Ela caminhou como se não sentisse o peso de nenhum olhar sobre si, parando exatamente no assento vago perto de mim.
Parecia que todos tinham medo de chegar muito perto dela. Medo real, não aquela frescura de primeiro ano.
Eu não resisti.
— Ei, Black! — chamei. — É verdade que você já esteve em Azkaban?
Sorri de lado, pronto para vê-la surtar. Mas o que recebi foi bem pior.
— Não sei explicar, mas seu pai deve ter todos os detalhes, Malfoy. Pergunte a ele.
O sorriso dela foi frio. E eu senti o maxilar travar. Ela se serviu de um pedaço de torta como se nada tivesse acontecido e saiu assim que o jantar terminou.
Como ela sabia disso? Como conhecia meu pai? Por que falou daquele jeito?
Não sei. Mas desde aquele momento... percebi que precisava descobrir.
Pov Draco OFF.
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Oi amigos e amigas! Depois de tanto tempo, eu voltei! (;
Escrever uma fanfic do Draco é TÃO nostálgico, tipo assim, como assim fazem 4 anos desde a última vez que publiquei algo aqui? É loucuraaa!!!
Esse primeiro capítulo é só para aquecer um pouco, nada muito elaborado. Pretendo fazer uma história flúida e longa o suficiente, sem encheção de linguiça, sério!
Deixem sua estrelinha e comentem muitooo! Trago o cap 2 MUITO em breve <3
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"Querida S/n Black..."
FanfictionS/n Black voltou a Hogwarts carregando um passado perigoso, um sobrenome temido e a verdade que quase ninguém acredita: Sirius Black é inocente. Criada entre segredos e cicatrizes, ela aprendeu a sobreviver no silêncio, mas sua presença na Sonserina...
