Prólogo

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A situação ao meu redor era de devastação e caos, o que não deveria me espantar, afinal já presenciei os piores cenários possíveis.
A grande fome, causada pelas mudanças climáticas extremas que obrigaram criaturas como os hipogrifos, dragões e mantícoras a saírem de seus esconderijos em busca de comida, eles destruíram milhares de colheitas o que levou a escassez de alimentos e consequentemente à morte de dezenas de humanos.
A peste dos banshees, mulheres que cantam anunciando o fim, era possível ouvir um coral delas durante a epidemia de gripe mágica.
Mas nada se comparava ao que estou presenciando agora e esta catástrofe não foi obra do destino, foi obra de Leymeri.
Eu estava paralisada, em meio ao desastre meus soldados sombrios caminhavam pelo campo que um dia havia sido verde, carregando corpos leves e pequenos demais levando as almas para seu lugar de descanso ou para permanecerem na penumbra.
Alguma coisa estava se rasgando, eu podia sentir.
Crianças que antes dançavam felizes ao redor da deusa que acreditavam ser sua protetora, foram descartadas como se não significasse nada.
— Não deveriam existir caixões tão pequenos…
Uma gargalhada forte ecoou atrás de mim e infelizmente eu sabia muito bem quem estava rindo.
— Oh pela criação, não seja tão dramática Krisatris
Leymeri estava com uma expressão de realização enquanto observava seus soldados de luz comemorarem a vitória.
— Era necessário
Necessário.
Seu tom de voz estava calmo, como se explicar um massacre fosse algo tão simples quanto iluminar um cômodo escuro.
Quis acreditar nela, quis acreditar que a mãe do recomeço jamais faria aquilo, mas meus olhos não estavam mentindo.
— O que você se tornou minha irmã?
Ao contrário dela eu estava horrorizada, só conseguia sussurrar enquanto olhava ao redor, o solo estava manchado de vermelho.
— Eu já disse que era necessário para o bem de todos!
Leymeri agora gritava, assustando os anjinhos que a rodeavam, pobres criaturas, ainda não haviam percebido que já estavam mortas.
— Eles eram seres inocentes
Uma única lágrima escorreu pelo meu rosto gélido e ao tocar o chão, ela floresceu, uma flor que só nasce diante de despedidas definitivas.
Um higanbana vermelho.
Por que?...Por que uma entidade tão poderosa e antiga quanto eu estava sentindo uma dor tão humana?
Eu não sei.
Os olhos de Leymeri escureceram e sua expressão se tornou indecifrável.
O vento rugiu selvagem, as nuvens carregadas surgiram como feridas no céu.
A lua, a grande fonte e coração do universo, se partiu e quatro novas despencaram.
Então eu ouvi, um choro, um som tão fraco, tão delicado, algo que não deveria mais existir naquele momento.
Meu olhar varreu o chão até encontrar o único ponto de cor no meio da escuridão que caia ao nosso redor.
— É humano…
Leymeri murmurou tentando se aproximar mas meu braço se ergueu antes mesmo que eu percebesse e meus soldados bloquearam seu caminho.
— É um bebê
Aproximando-me lentamente percebi que era uma menina, sua pele era clara como a luz do sol, seus cabelos negros como a noite mas seus olhos eram prateados.
Um contraste impossível.
Um presságio inevitável.
Quando a retirei do miolo da flor, ela murchou instantaneamente oferecendo seu último sopro ao pequeno ser.
— Minha filha
— NÃO
A voz de Leymeri cortava o ar como uma lâmina
— Ela não pode existir!
Os soldados de luz avançaram sobre suas ordens e naquele instante a guerra que mudaria tudo que já havia sido criado, começou.
Vida contra Morte, e nem os deuses mais poderosos seriam capazes de impedir isso.

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⏰ Last updated: Dec 03, 2025 ⏰

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Lua novaWhere stories live. Discover now