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Aria Sullivan sempre carregou a sensação de que nada que fazia era o suficiente. Cresceu tentando se equilibrar entre dois mundos quebrados: o pai distante, vivendo nos Estados Unidos desde o divórcio, e a mãe, que agora dividia a casa com um homem cujo papel de padrasto nunca passou de violência e gritos. Entre os dois, Aria era só mais um alvo fácil. Apanhava. Era mandada calar a boca. Era tratada como se existisse apenas para suportar o peso dos outros.

Na escola, a situação não melhorava. Nerd, silenciosa, sempre enfiada nos livros, ela achava que as notas altas ao menos lhe dariam algum valor. Em vez disso, viraram munição para os colegas de classe. Eles a encurralavam nos corredores, exigiam que fizesse trabalhos inteiros, empurravam listas de exercícios para suas mãos e ameaçavam caso ela não passasse cola durante as provas. Roseanne obedecia, porque era isso ou virar o saco de pancadas da turma também.

Sua ansiedade nunca dava descanso. Comia para acalmar o peito apertado, para tentar preencher aquele vazio que ninguém parecia notar. Era o único conforto que não era roubado dela.

Naquela noite, depois de mais um dia em que tudo deu errado, Aria se encolheu no quarto. As mãos tremiam, a respiração estava pesada, e a sensação de estar sozinha no mundo finalmente transbordou. Sem pensar, sem racionalizar, ela deixou escapar um pedido mudo, quase desesperado:

Alguém... por favor... me salva..

O ar do quarto mudou.

O escuro pareceu se dobrar para dentro, como se tivesse ouvido a súplica. O chão vibrou levemente, e um calor estranho tomou conta das paredes. Aria ergueu o olhar — e ali estava ele.

Ryder.

Alto, elegante demais para ser humano, com músculos definidos e uma postura que misturava ameaça e fascínio. Seus olhos brilhavam como brasas vivas, ardentes e profundas, encarando-a como se já soubessem tudo sobre ela. Os cabelos longos e escuros caíam pelos ombros, e das costas emergiam asas enormes, negras como breu, com veios vermelho-sangue percorrendo as penas.

Um demônio. Real. Presente. Observando-a como se tivesse sido convocado.

— Você chamou — ele disse, a voz baixa, quente, quase mortal.

Aria não conseguiu responder. Não sabia se respirava por instinto ou por milagre.

Ryder deu um passo à frente, as luzes tremeluzindo ao redor dele.

— E eu vim salvar você.

Aria recuou instintivamente até as costas baterem na parede. Não era medo apenas — era choque, incredulidade, uma descarga de adrenalina que deixava tudo mais nítido e mais impossível ao mesmo tempo. Ryder observava cada movimento dela com atenção predatória, como se analisasse o impacto que sua presença causava.

— “Sa… salvar?” — ela sussurrou, a voz falhando.

Ryder inclinou a cabeça, como se saboreasse a palavra.

— Você pediu. E demônios não ignoram convocações sinceras.

Ele se aproximou mais. O calor irradiado por seu corpo era quase sufocante, mas de algum jeito fazia Aria se sentir menos congelada por dentro. As asas se moveram lentamente atrás dele, o vermelho nas penas pulsando como um coração batendo.

— Eu não te chamei de verdade — ela murmurou, apertando o punho da camisa para controlar o tremor. — Eu só… pensei.

Ryder sorriu, mas não era um sorriso humano. Era afiado. Morria antes de alcançar os olhos ardentes.

— Os pensamentos mais desesperados são os que mais ecoam — ele respondeu. — E você está implorando por socorro há muito tempo.

O estômago dela se revirou. Não era mentira.
Ela só nunca esperou que alguém — alguma coisa — realmente ouvisse.

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⏰ Last updated: Dec 02, 2025 ⏰

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