We've updated our Content Guidelines.
Review the latest guidelines to keep sharing stories safely.

Capitulo único

890 77 142
                                        

 A chuva batia forte nas janelas do apartamento do Est como se tentasse silenciar seus pensamentos. Ele estava sentado no chão da cozinha, costas na parede, cabelo bagunçado e com uma taça de vinho nas mãos. O apartamento estava organizado, calmo demais, e somente o som da chuva preenchia o local. Exatamente como seus amigos disseram que sua vida ficaria sem o William.

"Ele é intenso demais, Est."

"Vocês são um caos juntos."

"Se consomem de uma forma que não é boa para nenhum dos dois."

Est já havia escutado isso tantas vezes, e ele sabia que estavam certos. A relação deles nunca foi calma; era repleta de picos, ciúmes possessivos, brigas sem sentido e uma paixão que beirava a loucura. O problema é que ninguém via como o mundo soava quando estavam só os dois, em um universo particular. Quando William dizia seu nome baixinho. Quando suas mãos deslizavam pelo seu corpo como se conhecessem cada centímetro, e elas de fato conheciam. Estar separado trazia paz, mas por Deus, como ele sentia tanta falta.

A algumas esquinas dali, William encarava sua própria cara inchada no retrovisor interno do carro. Ele nunca teria coragem de admitir em voz alta, mas aquelas duas semanas sem o Est foram como tentar abandonar um vício. Seu corpo tremia, ficava irritado por nada, e por mais que tentasse fingir superioridade, falhava miseravelmente quando estava sozinho. Ele o queria como nunca quis nada antes em toda a sua vida.

Est escutou o toque do seu celular quebrando seus próprios pensamentos. Era um número desconhecido, mas Est sabia. Ele sabia exatamente quem estava ligando.

Não atenda.

Seja forte e o deixe ir.

Ele só te liga porque está quebrado.

Avisos para si mesmo que ele repetia como um mantra e nunca adiantaram de nada. Seu dedo deslizou sobre a tela enquanto ele se levantava para repor o vinho em sua taça.

- É a última vez que você me liga, William. - Est disse, a voz tensa e baixa, sentando-se na ilha da cozinha.

- Eu juro que tentei. - A voz de William, grave e igualmente baixa, chegou pelo alto-falante. Parecia cansada, mas com aquele tom de comando que sempre o desarmava. - Mas eu não consigo ir pra casa. Estou perto.

- Perto não é aqui. Só volta.

- Por favor. - Um sussurro. - Só cinco minutos. Eu prometo. - A mentira era tão transparente quanto a água que caía lá fora, mas William proferiu com aquela convicção de quem estava acostumado a conseguir o que queria.

Est fechou os olhos, ficou em silêncio. A raiva era inútil. Ele podia sentir a atração, a corda invisível que sempre os puxava de volta. Uma parte de Est, a parte racional que devia estar no controle, gritava "não". Mas havia uma parte que ansiava pelo calor destrutivo e pela dor familiar, e essa já havia cedido. Sempre cedia.

- Cinco minutos. - disse baixo demais.

O clique da chamada encerrada foi mais barulhento que qualquer som. Est permaneceu parado, encarando a taça em suas mãos, a respiração presa no peito. Ele havia convidado a tempestade para dentro de casa. De novo.

Dez minutos depois, Est ouviu a porta ser aberta. Ele não se levantou da ilha, apenas olhou em direção à porta para ser atingido pela presença de William como uma onda de calor naquele dia frio. William estava ali. Cabelo úmido pela chuva, sua jaqueta tão conhecida e um olhar exausto.

- Devia trocar a fechadura. - foram as primeiras palavras ditas depois de invadir o espaço pessoal de Est sem pedir licença.

- Não vai ser necessário, já que vai me entregar as chaves hoje. - disse, tentando manter a voz firme, dando um gole em sua bebida em seguida. - E então, o que você quer?

VÍCIO - WilliamEstStories to obsess over. Discover now