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   O vento do mar sempre me acalmou, mas naquela manhã, enquanto eu caminhava pela areia quente, algo me dizia que aquele verão não seria como os outros.

Eu só queria descansar.
Fugir da cidade grande.
Passar minhas férias na casa do meu irmão e esquecer que o mundo existia.

Até que ele apareceu.

O garoto do surf.

Cabelos molhados, pele dourada de sol, sorriso fácil. Ele atravessou minha frente correndo com a prancha no braço e, quando me viu, parou tão rápido que quase tropeçou.

— Opa... desculpa! — disse ele, rindo. — Você é nova por aqui?

— Só de férias — respondi, tentando parecer calma, mesmo com o coração batendo rápido demais.

— Sou o Owen — disse ele, estendendo a mão.
A mão quente, o toque firme.
Perigoso demais pro meu primeiro dia.

Eu sorri.

— Alya.

Ele repetiu meu nome como se estivesse experimentando o gosto da palavra. E eu não podia evitar o rubor que subiu no meu rosto.

— Quer aprender a surfar? — ele perguntou, com aquele sorriso que parecia nascer junto com o sol.

Eu ia responder... até ouvir outra voz atrás de mim.

— Owen, para de assustar as turistas — disse um garoto de olhos verdes, segurando uma garrafa de água e olhando diretamente para mim.

Se Owen era sol, esse garoto era mar profundo.

Mais reservado.
Mais intenso.
E, de algum jeito, mais perigoso.

— Não estou assustando ninguém,Owen — Aidan retrucou, revirando os olhos.

Owen. O nome combinava com ele. Forte e silencioso, como as ondas antes da tempestade.

Ele me olhou com aquela expressão calma demais.

— Se quiser aprender a surfar, eu ensino — disse Owen, passando ao lado de Aidan com um sorriso de canto.

E Aidan começou a reclamar imediatamente:

— Ela falou comigo primeiro!
— Você sempre fala com todas primeiro.
— E você fala com ninguém, então deixa eu falar com alguém!

Eu fiquei parada, tentando entender a situação.

— Vocês se conhecem? — perguntei.

— Somos...amigos —Owen respondeu.
— Irmãos—Aidan corrigiu.
— Inimigos às vezes —Owen completou.

Aidan apenas suspirou, como se estivesse acostumado com aquilo.

Dois garotos.
Totalmente diferentes.
Os dois olhando para mim.

E eu não sabia o porquê, mas tive a sensação de que aquele verão acabaria mexendo mais com meu coração do que eu imaginava.

Owen me ensinou a ficar em cima da prancha.
Aidan me ensinou a cair sem me machucar.

Owen ria alto cada vez que eu quase conseguia me equilibrar.
Aidan me olhava com atenção silenciosa cada vez que eu falhava.

Owen segurava minha cintura para me estabilizar.
Aidan me oferecia a mão para me levantar.

E cada toque... cada olhar... virava uma confusão dentro de mim.

Um dia,Owen me levou para ver o pôr do sol no alto das pedras. O vento estava frio, mas ele ficou perto o suficiente para me aquecer.

— Sabe,Alya... — disse ele, mexendo no próprio cabelo. — É estranho... mas eu gosto de você desde o momento que esbarrei em você na areia.

Meu coração deu um nó.

Mas antes que eu pudesse responder, escutei passos atrás de nós.

Era Aidan.

—Owen, a mãe tá te procurando — disse ele, mas os olhos dele não estavam em Owen. Estavam em mim.
Carregados de algo que ele não dizia.

Owen desceu correndo as pedras.
E eu fiquei ali, sozinha com Aidan, o vento bagunçando meu cabelo.

— Ele gostou de você rápido demais —Aidan disse, calmamente.

— E você? — perguntei antes de pensar.

O olhar dele suavizou.
Por um segundo, o mar pareceu prender a respiração.

— Eu... — ele começou, mas parou. — Eu não sou como ele.

— Eu sei — respondi.

Ele deu um passo mais perto.
E só então percebi que os olhos dele eram ainda mais bonitos quando o sol se punha.

—Alya... — ele disse meu nome como se fosse frágil. — Não deixa ele confundir seu coração.

— E você? — perguntei, num sussurro. — Vai confundir o meu também?

Ele não respondeu.
Mas o silêncio dele disse tudo.

Maré de Três CoraçõesStories to obsess over. Discover now