Entre Malas e Primeiras Impressões

10 2 0
                                        

𖹭 Liah 𖹭

Eu sempre achei que viagens escolares fossem só isso: viagens. Uns ônibus desconfortáveis, gente falando alto demais e aquela mistura de sono com ansiedade que ninguém admite sentir. Mas, quando o motorista avisou que estávamos entrando na cidade, alguma coisa em mim ficou estranhamente desperta.

A janela mostrava ruas que eu não conhecia, casas coloridas, pessoas que nunca tinham ouvido meu nome... e eu gostei da sensação. Era como se o mundo estivesse um pouco mais quieto ali, o tipo de quieto que eu gosto.

Meu nome é Liah Aveline, e basicamente sobrevivo com quatro coisas: livros, música, escrita e comida. Se uma delas falhar, eu desisto do dia.
E, naquela manhã, só a comida tava funcionando porque eu ainda tava tentando acordar.

Desci do ônibus com a mochila pesada nas costas e a cabeça leve demais. Era bom estar longe de casa por alguns dias. Bom respirar um ar que não era o de sempre.

Eu mal tive tempo de respirar o ar novo quando ouvi um grito agudo que só podia pertencer a uma pessoa.

Maya: "LIAH, sua tartaruga!" - Maya, minha melhor amiga, veio correndo, derrubando acidentalmente uma mala de rodinhas cor-de-rosa no caminho. Ela me abraçou com a força de quem não via há anos, não apenas por quatro horas de ônibus.

Maya: "Eu pensei que você tinha dormido e perdido a parada," - ela ofegou, ajustando seus óculos de armação grossa.

Noah, que tinha uma aversão natural a demonstrações públicas de afeto, se aproximou com um sorriso de canto, carregando sua única mochila preta.

Noah: "Você chegou viva. Milagre. Eu estava a ponto de começar uma vaquinha para um café forte," - ele brincou, cutucando minha mochila.

Liah: "Bom te ver também, Noah," - eu respondi, empurrando-o de leve.

Nós três éramos um trio improvável: Maya, puro entusiasmo e drama; Noah, puro sarcasmo e lógica; e eu, a eterna observadora com uma tendência a se perder em pensamentos.

Fomos em direção ao pequeno hotel, que parecia mais uma pousada antiga, charmosa e coberta de hera. O saguão estava lotado de estudantes e professores tentando fazer o check-in.

Maya: "Parece que ficaremos em duplas," - cochichou, saltitando. - "Torce para ser eu e você!"

Liah: "Sinto que o destino já nos separou para evitar que incendiemos o quarto." - Eu ri.

Maya: "Não zombe do destino, Liah. Ele tem um plano para você" - ela respondeu com um olhar significativo.

O plano do destino, naquele momento, era me fazer tropeçar. Eu estava olhando para o teto de madeira esculpida da pousada, absorvendo a atmosfera, quando o professor Carter me chamou. Eu girei rapidamente para responder, mas não vi a pessoa que estava parada logo atrás de mim.

Bumf.

Eu não caí, mas minha mochila escorregou e eu teria caído se um par de mãos firmes e surpreendentemente frias não tivessem me segurado pelo cotovelo.

Liah: "Desculpe. Eu não estava prestando atenção" - eu murmurei, envergonhada, mal ousando olhar para cima.

Quando olhei, fiquei sem fôlego por um microssegundo.

Era um rapaz. Ele tinha um cabelo castanho escuro bagunçado e ondulado, que caía sobre os olhos, e uma camiseta cinza que parecia ter saído de um filme antigo. Mas o que realmente chamou minha atenção foram os olhos. Eram tão calmos, que pareciam absorver o caos do saguão.
Ele sorriu, o que fez uma covinha aparecer na lateral da boca. Não era um sorriso grande, mas gentil, e completamente genuíno.

Quase Nós Stories to obsess over. Discover now