"Hanny... Hanny..."
Acordo com o peito acelerado, como se alguém tivesse me puxado brutalmente do fundo de um sonho.
Só que não é sonho.
Tenho certeza.
Não nesses últimos dois meses.
Sempre o barulho do mar ao fundo.
Sempre 03:00.
Pontual.
Preciso.
Como se tivesse alguém cronometrando algo que eu ainda não consigo enxergar.
Tentei de tudo:
igreja, pastor, padre, médium, adivinha, umas simpatias que nem acredito — mas a verdade é que ninguém entende.
Eles falam:
"Deve ser coisa da sua cabeça."
"Talvez ansiedade."
"Talvez espírito."
Mas não é nada disso.
Porque não é só ouvir...
é sentir.
É como se o sussurro fosse puxado do fundo do oceano e colocado dentro do meu peito, como se meu coração fosse uma concha que ecoa algo que eu não devia escutar.
Sempre o mesmo tom.
Sempre o mesmo desespero suave.
Um grito escondido dentro da voz.
"Hanny..."
Um pedido.
Um chamado.
Uma saudade que eu não entendo.
E quanto mais tento ignorar, mais forte fica.
As paredes do meu quarto parecem vibrar.
O ar fica denso.
Minhas mãos suam, minha nuca arrepia.
O ar gela, como se o mundo inteiro estivesse abrindo espaço pra alguma coisa chegar.
É como se tudo ao meu redor estivesse prendendo a respiração — esperando minha resposta.
E então, naquela terceira madrugada seguida dessa semana, uma sensação estranha me atravessa:
Não é alguém pedindo socorro.
É alguém me chamando de volta.
De volta pra onde, eu não sei.
Nunca soube.
Nunca estive.
Mas a palavra "volta" pulsa dentro do sussurro, mesmo quando ele não a diz.
E isso... isso me assusta mais do que qualquer assombração.
Porque eu já sinto medo da água.
Da chuva.
Do som das ondas batendo.
Tenho medo de escutar de novo aquela voz — aquele sussurro que me chama pra um lugar desconhecido.
Um lugar que eu nunca estive...
mas que, por algum motivo, parece sentir minha falta.
Naquela madrugada, algo dentro de mim finalmente cedeu.
Não sei explicar.
Só... cedeu.
Como se eu tivesse passado dois meses lutando contra uma porta, e de repente percebesse que ela não era pra ser fechada.
Levanto da cama devagar, cada movimento pesado, como se a gravidade tivesse dobrado.
O quarto inteiro parece inclinado, apontando para a janela que dá pro mar.
A cortina balança sem vento nenhum.
É como se respirasse comigo.
O sussurro volta.
Mais baixo...
mais íntimo...
quase encostando no meu pescoço.
"Hanny..."
Dessa vez não me arrepia — me reconhece.
Como se aquela voz soubesse de algo que eu esqueci.
Como se me chamasse por um nome que é meu e não é, tudo ao mesmo tempo.
Sinto minhas pernas andando sozinhas.
O chão frio.
O ar cada vez mais denso, como água antes de virar água.
Tudo parece prestes a se dissolver.
Quando abro a porta da rua, a madrugada me engole com aquele silêncio úmido, carregado de sal.
A praia está vazia, mas não parece vazia.
O vento carrega uma tristeza antiga, como se o próprio mundo estivesse cansado de esperar.
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O oceano gritou o meu nome
ParanormalHanny sempre teve medo da água. Mas, há dois meses, algo a desperta todas as madrugadas, exatamente às 03:00: um sussurro vindo de um lugar que ela nunca esteve... mas que insiste em chamá-la de volta. "Hanny..." É apenas um nome - mas carregado de...
