Albus Dumbledore soltou um suspiro pesaroso enquanto segurava o pequeno bebê nos braços. Ele deveria ter entregue a criança para seus parentes de sangue, seus tios, esse era o plano. O plano que o protegeria das mãos dos muitos seguidores de Voldemort ainda soltos pelo país, que certamente não hesitariam em machucar um ser tão inocente quanto o bebê em seus braços.
O homem se aproximou da soleira e abaixou-se, mas hesitou. Aquilo não parecia certo, ele lembrava-se das poucas vezes em que Lily mencionou a irmã e como sua relação não era das melhores desde que descobriram que ela era bruxa, o que só piorou após o falecimento de seus pais e então as palavras ditas por Minerva poucos minutos antes.
— Albus? — A professora de transfiguração o chamou gentilmente. Ao fundo ele podia ouvir Hagrid fungando.
— Eu não... — Começou o mais velho, pela primeira vez sem saber o que dizer. — Ele estará protegido aqui, nenhum bruxo lhe fará mal.
Ele podia sentir o olhar de Minerva queimando em suas costas enquanto se levantava. Aconchegando o bebê em seus braços, lembrando da última vez que segurou um desses há quase vinte e cinco anos atrás, seu peito doendo ao lembrar de que aquele bebê também se foi cedo demais. Ele e a esposa sucumbindo há apenas uma semana, deixando a criança aos cuidados dos avós.
— Albus essas pessoas são odiosas, deve ter uma alternativa.
De repente uma ideia passou por sua cabeça, e ele tinha certeza de que Minerva também desaprovaria.
— Sei de um lugar em que ele estaria seguro. É secreto e protegido o bastante.
Minerva soltou um suspiro pesaroso, pensando que certamente ele não estava sugerindo aquele absurdo. Hagrid os encarou confuso, mas esperançoso, não que ele tivesse algo contra trouxas, mas não acreditava que seriam capazes de proteger o menino, pensando em como Lily e James Potter, bruxos extraordinários que pereceram nas mãos das trevas.
Não. Ele pensou. Harry não estaria seguro com eles.
— Ele será bem cuidado, Minerva, isso eu tenho certeza.
A mulher lhe lançou um olhar nada convencido.
— Eu sei o que está pensando, mas eu posso garantir que...
— Você acha sensato deixar a criança com um ex Lorde das Trevas? Desculpe-me, mas a idade deve estar lhe alcançando, isso é loucura!
Hagrid, agora entendendo a situação arregalou os olhos, sua boca abrindo em puro choque.
— Isso não foi nada educado, Minerva, não saio por aí falando sobre sua idade ou insinuando que está demente!
Era francamente ridículo, a mulher admitiu para si mesma, toda essa conversa era francamente ridícula.
— Posso saber o que pretende dizer ao ministério quando perguntarem sobre o menino? Ou vai simplesmente admitir que você e seu ex Lorde das trevas de estimação estão brincando de casinha com ele?
— O ministério não precisa saber! Nós dois sabemos que relevar qualquer informação sobre Harry seria perigoso. - O bebê se remexeu no colo do diretor, mas permaneceu em um sono profundo. — Peço que tenha um pouco de fé, dou minha palavra de que tudo dará certo e nem preciso dizer que tudo isso fica entre nós, não é mesmo?
Hagrid concordou de imediato. Minerva fechou os olhos, mas acabou por concordar também, sabendo que nada o faria mudar de ideia. A residência do diretor e seu... marido era protegida, impenetrável e secreta. Além dela e Hagrid (que havia descoberto sobre a relação de forma muito constrangedora quando ainda era um mero estudante em Hogwarts) o senhor Scamander e o irmão mais novo de Dumbledore eram os únicos que sabiam sobre esse casamento. Não que algum deles aprovasse, mas ao menos tinham a garantia de que o homem nunca poderia machucar alguém, algo sobre um voto inquebrável.
Esse foi um dos argumentos que Dumbledore usou para conseguir tirar Grindelwald da cadeia, que apesar de seus crimes hediondos, foi solto após cumprir vinte e quatro anos de prisão. Nunca foi anunciada a soltura do homem e Minerva não era boba em achar que boa parte da fortuna que Albus havia conquistado ao longo dos anos não foi para o bolso de pessoas influentes e corruptas.
Ela sabia que Albus era um bom homem, ele lutava pelo que era certo, pelo bem da comunidade bruxa no geral, mas nem sempre tomou as atitudes mais éticas, infelizmente alguns problemas não se resolveriam com conversas educadas e chás da tarde, principalmente quando o assunto era lidar com famílias antigas de sangue puro e quando se tratava de Grindelwald...
Dumbledore nunca foi o mais sensato quando o assunto era esse homem em questão, mas uma coisa era certa, o pequeno Potter estaria protegido dos seguidores de Voldemort, ninguém imaginaria que Harry estaria sob os cuidados de Albus e se descobrissem não seriam loucos o suficiente para tentar atacar o diretor por si só, muitos o desprezavam, sim, porém muitos também tinham medo do homem e do poder que ele continha, se soubessem com quem teriam que lidar se tentassem encostar em um único fio de cabelo dele... bem, ela tinha certeza de que muitos correriam o mais rápido que pudessem.
Minerva ainda não gostava da ideia, mas não podia negar que Harry estaria mais seguro com o ex presidiário, que ainda era considerado um dos bruxos mais poderosos que já existiu e pelo marido dele que compartilhava o mesmo título do que com aquele casal de trouxas desconhecidos por ela e aparentemente muito amargos.
— Ainda não gosto disso, mas infelizmente não é minha decisão para tomar. Boa noite para os senhores.
Minerva deu as costas para o trio e aparatou para longe daquela cidadezinha. Hagrid olhou com pesar para o pequeno órfão.
— Acho que também é minha hora, diretor. - O meio gigante deu alguns passos em direção a motocicleta voadora, mas hesitou antes de se aproximar novamente de Albus e Harry. — Senhor, será que eu poderia...?
Dumbledore afrouxou um pouco o bebê em seu colo e Hagrid deu um beijo babado na testa do menino. Harry se remexeu novamente e abriu os olhos, piscando sonolento por poucos segundos antes de voltar a seu estado anterior.
— O pobrezinho deve estar exausto... - Hagrid murmurou, os olhos lacrimejando. — Adeus Harry.
Albus lhe lançou um sorriso simpático.
— Não é um adeus, Hagrid, apenas um até logo.
— Boa sorte, diretor.
Murmurou novamente antes de partir pelo céu.
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Full House (Grindeldore)
Fanfiction"Ele deveria ter entregue a criança para seus parentes de sangue, seus tios, esse era o plano." Ou Ao invés de entregar Harry Potter para seus parentes, Albus Dumbledore resolve criá-lo junto ao marido.
